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AGRO & ECONOMIA - A | + A

PIB NÃO CRESCE 02.07.2019 | 18h:59

“Precisamos elevar o agro brasileiro para US$ 1 trilhão”, afirma Luiz Tejon

Por: O Bom da Notícia

Assessoria

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Precisamos elevar o agro brasileiro para US$ 1 trilhão. Se isso não ocorrer, o PIB do Brasil não cresce. Se ele não crescer, teremos depressão, recessão e não terá performance que dará jeito nisso. Estamos lançando um momento para dobrar o tamanho do agro”, ressaltou o professor, escritor, jornalista e publicitário José Luiz Tejon. Ele ministrou a palestra “O poder do incômodo muda o incomodado – O presente é o resultado do futuro”, durante o 9º Simpósio Nutripura, em Rondonópolis-MT. 

 

“Todos somos resultados do incômodo. Quando somos incomodados e transformamos isso em uma força e na busca da criação, nós transformamos a sociedade e nossas vidas. O agro é resultado de um incômodo. Tudo que nos incomoda nos transforma”, ressaltou Tejon. 

 

Para o professor, as mudanças da sociedade elevaram o sistema produtivo do campo ao centro dos interesses. “O mundo mudou, já foi o tempo em que produtor rural não era importante. Hoje quem faz o café, o algodão ou a banana é importante, porque a sociedade urbana moderna consumidora quer saber. Saúde é sinônimo do agronegócio. Passamos a ser demandados por outro mundo que nos obriga, em muitos casos, a fazer o que não gostávamos de fazer. Mas vamos ter que fazer responsabilidade social, sustentabilidade, vamos ter que cuidar de 4 milhões de pequenos produtores que, se forem mal, prejudicam o Brasil”. 

 

De acordo com Tejon, temos diversos desafios no futuro próximo: 10 bilhões de pessoas em 2050, estima-se quatro nascimentos a cada segundo; desperdício de alimento, 30% da comida do mundo não é aproveitada; o novo perfil do consumidor, mais tecnológico e exigente; e a formação de um novo produtor rural, que deve compreender todo esse novo mundo complexo. Esses desafios necessitam de soluções, especialmente provenientes do agronegócio. 

 

“O mundo nos incomoda a todo instante. Eu não aceito um PIB brasileiro de US$ 2 trilhões, não aceito o agro brasileiro com US$ 500 bilhões. Para mim o agro brasileiro tem que faturar US$ 1 trilhão, e tem condições para tal. Portanto, isso me incomoda. E se me incomoda eu vou provocar e vou reunir todo mundo que consiga olhar pra esse ângulo. Se a gente crescer o agro brasileiro em mais US$ 500 bilhões, o PIB brasileiro cresce 4% ao ano e nós vamos salvar a população da recessão. Não existe outro setor no país que consiga fazer isso e a oportunidade é gigantesca”, provocou Tejon. 

 

Sucessão familiar  

 

Os participantes do 9º Simpósio Nutripura conheceram o case de sucessão da família Nishimura na Jacto, empresa de máquinas agrícolas com mais de 70 anos de fundação e que possui cerca de 3.500 empregados. Nesse período, passou por três processos de sucessão, e nem sempre de forma tranquila.

 

“Depois de um processo de reinado, em 1980 meu pai resolveu se aposentar. Foi um período conturbado. Saímos de um reinado e entramos numa democracia, levamos um ano e meio para escrever seis páginas do acordo societário entre os irmãos. Fizemos um pacto de sangue e o mantemos”, afirmou o palestrante Shiro Nishimura. 

 

Depois dos filhos, a empresa agora é comandada pela terceira geração – os netos. “Oriento que o processo seja feito com planejamento e com a ajuda de pessoas que entendam do assunto”, aconselhou. Mais de 550 pessoas ouviram, ainda, a história de vida do empresário Geraldo Rufino. Durante a palestra “O catador de sonhos”, ele contou a trajetória desde catador de lixo reciclável até criar a primeira e maior empresa de reciclagem de peças de caminhões do Brasil e da América Latina. 

 

O caminho não foi linear e nem só de vitórias, já que ao longo de sua carreira Rufino “quebrou” seis vezes.  “Empreender é ser produtivo e impactar a vida de alguém. Ser protagonista da própria história e não culpar alguém além de você mesmo pelo fracasso. 80% do Brasil funciona, é preciso parar de olhar o resíduo e a crise. Não temos tempos sem crise, temos tempos diferentes. A oportunidade tá na cabeça de cada um. É só manter a fé, ter espiritualidade, relacionamentos, saber ouvir e não ficar reclamando”, afirmou Rufino. 

 

De acordo com o diretor de pesquisa da Nutripura e organizador do Simpósio, Lainer Leite, a programação do evento também se preocupou em ofertar além de informação e conhecimento técnico. “O objetivo com essas palestras era provocar os participantes em termos de empreendedorismo, motivação e atitude, porque não existe evolução sem que se tenha inovação, melhoria nos processos e, em muitos casos, mudança de postura”. 

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