icon Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019

ARTIGOS - A | + A

21.11.2019 | 13h:10

Abolição é diferente de libertação

Por: João Edisom de Souza

Foto: Gláucia Almeida

Joao Edisom

 

O uso do termo liberdade é mal colocado quando se trata de escravidão. O Brasil nunca libertou o negro, apenas aboliu a lei que fazia do negro um escravo. Depois dela, o que veio foi o abandono. Tanto que Rui Barbosa ordenou que os cartórios queimassem as escrituras de compra e venda de escravos para que os escravocratas não processassem o Estado em busca de indenização por perdas e danos (alguns conseguiram).

 

Do cativeiro ao abandono foi um passe de mágica, e desde então virou motivo para discursos políticos partidário de “inclusão social”. Mas o que veio na sequencia foi desemprego, sub trabalho, sub remuneração, discriminação, exclusão, quando não encarceramento. Os que resistiram a fome, a humilhação e ao abandono foram habitar a periferia das residências dos donos do poder. As exceções são por talentos específicos, nunca por políticas de inclusão. 

 

O Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso - Darcy Ribeiro

Agora, mais de um século depois, ainda são vitimas dos mesmos problemas que podem ser descritos em dois pontos: exclusão do mundo do conhecimento (baixa escolaridade) e vítimas da politicagem (esmola social) que acarreta na velha e malfadada discriminação racial, que na maioria das vezes são ocultas. Cotas não é política de inclusão. Até porque a medida que eu cotizo um número de vagas, eu excluo o acesso de algum grupo. Isso discrimina o acesso e aumenta ainda mais o conflito. 

 

E também o fato de uma ou outra pessoa atingir o “sucesso” é mérito individual e não oportunidade, como é decantado em prosa e verso pelos “caridosos” das chamadas “políticas de acesso”. Inclusão é pertencimento. E pertencimento só há entre os iguais! Esta chaga só vai acabar quando educação deixar de ser direito e passar a ser obrigação compartilhada entre Estado e cidadãos. Falar que educação é obrigação do Estado e direto do cidadão é discriminar duas vezes quem tem menos recurso. 

 

O Estado oferece a escola, mas não proporciona o conhecimento. Diploma, mas não forma. Como veem, temos uma longa jornada para chegarmos a condição de igualdade, fraternidade e justiça, para só a posteriori falarmos em libertação.

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

INFORME PUBLICITÁRIO





icon COTAÇÕES MT
SOJA DISPONÍVEL R$/sc 78,75
PLUMA DISPONÍVEL R$/@ 79,87
BOI GORDO À VISTA R$/@ 195,11
PREÇO DO SUÍNO VIVO R$/kg 4,62
MILHO DISPONÍVEL R$/sc 29,90
LEITE R$/l 1,08
VACA GORDA À VISTA R$/@ 182,28
Fonte: Imea







logo O bom da notícia

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte;

Copyright © 2018 - O Bom da Notícia - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet