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01.07.2019 | 17h:38

Colorido do amor

Por: Rosana Leite Antunes

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Neste ano, no dia 28 de junho, comemorou-se os 50 anos da revolta da comunidade LGBTQI+ contra uma série de invasões a seus direitos, denominada Rebelião de Stonewall Inn, que aconteceu em Nova York. Desde aquela data, vários episódios foram organizados a favor dos direitos desse segmento. No ano seguinte, 1970, foi organizada a 1ª Parada do Orgulho Gay.

 

A necessidade do movimento neste sentido é real. No ano de 2018, foram registrados no Brasil 1.685 casos de violência contra essa população. Segundo a pesquisa, 70,56% das ocorrências foram feitas por discriminação. A violência psicológica alcançou 47,95% dos casos, a física 27,48%, e a institucional 11,51%. Apesar de dados absurdamente altos, esse foram feitos apenas pelo canal Disque 100. A rua é o local onde se dão a maioria das agressões, feitas grande parte por heterossexuais.

 

Mato Grosso ainda é a localidade brasileira mais perversa para aludida comunidade, com aproximadamente 482 ocorrências de homofobia desde 2011, e 89 mortes, conforme dados apresentados na audiência pública na Assembleia Legislativa no último dia 27. Menotti Groggi, ativista do movimento, acabou por ressaltar o quanto é assustador viver com essa estatística. Até 31 de maio deste ano, pela SESPMT, 46 fatos de homofobia foram contabilizados, além de 4 mortes.

 

Apesar de todas as adversidades enfrentadas, o enfrentamento é realidade que muito vale a pena. Em recente decisão, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo tribunal Federal, determinou que todas as mulheres transgênero em situação prisional no Brasil sejam transferidas para unidades femininas. Pelo jurista, a medida visa possibilitar o tratamento compatível com a identidade de gênero, assegurando a integridade física e psíquica delas.

 

É muito complicado o entendimento que o sexo de nascimento nunca determinou a identidade a ser escolhida com o passar dos dias. Quando a sociedade coloca camisa de força nos seres humanos a se entenderem socialmente de acordo com o sexo de nascimento, sendo, inclusive, obrigados a se relacionar amorosamente com o sexo oposto, deixam de perceber que o corpo humano é uma construção. As perversidades fazem coro, soando com violências diversas, onde é provável assassinatos por ódio incidirem, e serem escondidos debaixo nos mais variados tapetes expostos. E esses tapetes podem ser vistos, com facilidade, em muitos lugares...

 

Mesmo assim o amor floresce... E lindamente! Em Cuiabá, através dos esforços do Conselho Municipal da Diversidade, presidido pelo competente Valdomiro Arruda, tendo como Vice-presidente Clóvis Arantes, e Josiane Marconi como membro, representando as Mães da Diversidade, doze casais homoafetivos puderam realizar o sonho de oficializar a união em um casamento comunitário. O momento foi ímpar! Vislumbrar todo o cenário cuidadosamente arrumado com as cores do arco-íris, simbolizando que o amor pode acontecer entre pessoas, foi emocionante.

 

O evento do Primeiro Casamento Comunitário LGTBQI+ me levou a rememorar o histórico sangrento que essa camada viveu, e vive. Hoje existe, ao menos, a possibilidade de tocar na ferida, o que dantes era defeso.

 

Os casais, no enlace, ficaram frente a frente, e, com certeza, em suas cabeças o filme da vida era passado. Não havia ali, sequer, um deles ou delas, vítima do devastador preconceito. O respeito foi o ponto alto do evento.

Enquanto seus semelhantes trazem a cruz para crucificar, o amor entre eles e elas fica celebrado... Oxalá!

 

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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