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24.11.2019 | 13h:43

Depressão: O sintoma do século XXI

Por: Andréia de Fátima de Souza Dembiski

Agência Brasil

Agência Brasil

 Vivemos tempos difíceis, a depressão pode ser considerada o mal do século XXI, pois, mesmo com consideráveis avanços na área de ciências e tecnologias que preconizam descobertas importantes na melhoria do estilo de vida, é possível perceber que um adoecimento cresce na mesma proporção. Embora tenhamos acesso a condições mais confortáveis comparados aos nossos antepassados, tanto na qualidade de tratamentos médicos, afazeres domésticos, meios de locomoção, de comunicação, assim por diante, nunca o bem-estar esteve tão fora do alcance.

 

O sofrimento nos dias de hoje é de outra ordem, na maioria das vezes impossível de ser nomeado. As pessoas tem dificuldade em dizer o motivo exato pelo qual estão sofrendo, o que sabem é que existe um cansaço, um desanimo, uma falta de interesse por atividades que antes lhes eram prazerosas, pensamentos pessimistas e até mesmo pensamentos constantes de morte, existe uma dor classificada como depressão.

 

É importante destacar que a depressão não “escolhe” idade, sexo, religião, condição financeira ou cor da pele. Todos nós estamos sujeitos a desenvolvê-la, até mesmo uma pessoa que parece viver em circunstâncias relativamente ideais, por exemplo, uma pessoa saudável fisicamente, com um bom emprego, com uma vida financeira estabilizada, com bons relacionamentos afetivos e sociais, com acesso a lazer, viagens, enfim, mesmo uma pessoa que apresente todas as condições para estar “bem” emocionalmente pode apresentar um quadro depressivo.

 

Embora a depressão seja uma doença incapacitante, diferentemente do que muitos possam pensar, algumas pessoas com depressão nem sempre aparentam estar adoecidas. Então é possível que uma pessoa que esteja passando por um quadro depressivo consiga desenvolver atividades normais do dia-a-dia com pouco ou quase nenhum prejuízo aparente, como trabalhar, estudar, frequentar ambientes sociais. Por isso faz-se necessário compreender que em cada pessoa ela se dará de uma forma específica, o que exige um olhar atento de um profissional.

 

Algumas pessoas dificilmente irão se reconhecer como depressivas, pois seus sintomas começam de forma sútil e muitas vezes imperceptíveis a curto prazo. São diversos os fatores que podem contribuir para instalação desse quadro, tanto uma questão bioquímica- por algum motivo o cérebro reduz a produção de serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar), genética ou hereditária, sem contar os inúmeros fatores socioambientais.

 

Dentre os sintomas mais conhecidos da depressão estão a angústia e tristeza sem motivo aparente, perda de energia, fadiga, falta de confiança, sentimentos de inutilidade, baixa autoestima, perturbação do sono, assim como, manifestações de sintomas físicos, como dores musculares, dores abdominais, problemas ou disfunções sexuais entre outros. Sintomas esses que podem se agravar gradativamente até atingir o estágio agudo de crises de angustia que podem levar o sujeito ao pensamento suicida e, caso não receba os cuidados necessários levando-o a consumação do pensamento.

 

Embora seja um assunto delicado e muito falado, ainda há tabus que dificultam ver a depressão como doença e não uma escolha pessoal. Então ainda é comum que a pessoa adoecida escute coisas como “você está assim por falta de Deus”, ou mesmo “você precisa reagir”, “você tem que parar de ser tão negativa”, “para de drama”, “você não sabe o que é sofrimento de verdade”. Tais condutas não colaboram com a melhoria do quadro de saúde da pessoa adoecida, como intensifica seu mal estar diante da forma desajustada que ela se percebe no mundo.

 

A depressão é classificada como um transtorno de humor, onde a percepção do sujeito sobre si é prejudicada, logo o depressivo passa a enxergar seus problemas como grandes catástrofes, podendo se sentir incapaz de resolvê-los e se culpabilizando por seu estado. Essa culpabilização do sujeito em relação ao seu estado não é fantasiosa, mas, sim fruto da distorção causada pela doença.

 

São muitos os aspectos da vida contemporânea que podem contribuir com as causas da depressão, dentre alguns dos fatores de risco estão como:

 

Histórico familiar – É importante destacar que existem fatores genéticos que fazem com que descendentes de deprimidos tenham mais chance de desenvolver o transtorno ao longo da vida, isso não significa que ele estará condenado a ser uma pessoa depressiva.

 

Vícios - cigarro, álcool e drogas ilícitas, usar repetidamente por um longo período algumas substâncias pode causar abuso e dependência, fazendo com que a pessoa não consiga interromper o consumo, mesmo que consiga reconhecer seus danos. Pode ser comum que algumas pessoas que estejam em quadros depressivos procurem nas drogas alívio para seu sofrimento emocional, mas, essa atitude pode ter efeito oposto ao desejado, pois o uso de drogas frequentemente agrava o quadro de depressão.

 

Disfunções hormonais - Há uma série de hormônios que, quando bem alterados, podem desencadear a depressão.

 

Excesso de peso – Alguns estudos apontam que o excesso de peso pode estar associado á depressão.

 

Estresse crônico - Em tempos de tanta correria, de tanto estresse causado pelo grande número de atividades que desempenhamos no dia-a-dia não nos “sobra” muito tempo para contemplarmos nossas conquistas, nos exercitarmos ou simplesmente descansar.

 

Uso excessivo de internet e redes sociais - As redes sociais de forma geral podem contribuir para que sentimentos negativos sejam despertados. O que temos observado é que estamos cada vez mais individualistas e imediatistas, nossa sociedade não admite o sofrimento, precisamos provar o tempo todo que somos felizes, bem sucedidos e populares, nosso mundo aparentemente se resume ao número de seguidores e likes que conseguimos com nossas postagens.

 

Os fatores de risco não devem ser considerados isoladamente, para além dos sintomas físicos precisamos falar e principalmente escutar esse sofrimento que se mostra como um sintoma dessa sociedade voltada para os bens de consumo, que nos “vende” a ideia de que a felicidade é um bem a ser consumido, intolerante às diferenças e ao sofrimento psíquico. É preciso tomar cuidado para não naturalizarmos ou tratarmos a depressão como algo sem importância. É extremamente importante procurar a ajuda de um profissional para que não se corra o risco de diagnósticos equivocados. A pessoa que esteja passando por um quadro depressivo merece atenção, cuidado e respeito.

 

Andréia de Fátima de Souza Dembiski é psicóloga em Cuiabá

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COMENTÁRIOS

Pe. Francisco de Assis dos Anjos - 24/11/2019

Gostaria de te Parabenizar Andréia. O artigo deixa claro mais do que seu conhecimento sólido acerca do assunto, a sua experiência em lidar com esse tema tão delicado, cercado de nuances e uma gama imensa de possíveis ângulos de avaliação. Diante do "mal do século" e partindo de uma abordagem personalista e humanista, nos perguntamos: quem somos nós para julgar ou ir tirando conclusões precipitadas e apressadas? Tenho certeza que todos quantos lerem este artigo, terão ferramentas excelentes para iluminarem suas percepções a respeito dessa matéria. Mais uma vez, parabéns!

Clemaria Goulart - 24/11/2019

Ótimo texto! Assunto muito importante nesse momento que estamos em busca de compartilhar esclarecimentos!

Roberto Dembiski - 24/11/2019

Tema com muita relevância muito bem estudado, mas que tem que ter uma atenção especial para não ser tarde quando descoberto .

3 comentários

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