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13.09.2019 | 21h:55

Marília: uma doutora em semiótica que ama poetizar o mundo

Por: Marisa Batalha

 

(Foto: Ilustração)

Marília-Beatriz-de-Figueiredo.jpg

 

Não é possível decifrar ao certo a maneira como a escritora, a poetisa e a imortal Marília Beatriz Figueiredo vê a vida. Às vezes tenho uma sensação - nestes 30 anos que a conheço -, que Marília observa os movimentos do mundo sob o diálogo da semiótica.

 

No entanto, a maneira como ela vive estes movimentos, chego a apostar que é absolutamente antropafágica. Possivelmente, por conta de sua personalidade multifacetada. 

 

Bom, sob este olhar, as duas coisas lhe caem como uma 'luva'. E o contrassenso passa a fazer parte dela como uma segunda pele.

 

De personalidade forte, a poetisa é visceral, divertida e vira noite em longos papos, a doutora em semiótica não. E chega até a ser 'poeticamente' ácida em suas críticas.

 

Bem nascida, ela é distante, léguas, dos gestos estudados, marca das criações mais austeras das famílias tradicionais mato-grossenses, da qual faz parte. Assim, a a doutora, a poetisa, a ex-presidente da Academia Mato-grossense de Letras ou a imortal, inequivocamente formam um ser raro. Indomesticável. Ainda que apaixonada possa viver em uma gaiola de ouro desde que, claro, ninguém a deixe descobrir tal prisão.

 

Aliás, em se tratando de Marília tudo que à primeira vista são antagônicos, com ela são bem casados.

 

Por que a maneira como esta poetisa dá forma as coisas do mundo, aos seus saberes, linguagens, sinais, não são somente fenômenos produtores de significados, muito antes são descobertas. Pois ao serem entretecidos em sua alma passaram, igualmente, por uma longa degustação em seu coração. Em uma expansão de consciência quase carnal.

 

Ainda que seja preciso pontuar que Marília possua a mesma cautela proposta por Oswald de Andrade, em seu movimento antropofágico. Assim, sempre cuidadosa para não fazer absorções desnecessárias, como forma de não fragmentar demais os saberes.

 

Talvez diante da inequívoca beleza desta mulher a gente possa ter uma ideia do que esteja no seu novo livro: "Agudas ou Crônicas?", que será lançado na noite deste sábado (14), na Feira Gaia, em Cuiabá.

 

A apresentação da obra chancelada pela Editora TantaTinta/Carlini & Caniato provoca o leitor, ofertando-lhe possibilidades de escolha na ordenação da leitura, pela estrutura bipartida entre situações vivenciadas e um desfile alegórico de seres-personagens – protagonistas, coadjuvantes, irrelevantes (e até acessórios) – num palco imaginado. É uma escrita que pulsa, (im) pulsionada.

 

Já Marília - em suas conversas de pé de ouvido com amigos mais próximos -, diz que o livro traz nas parte das Agudas as suas emoções e reflexões sobre fatos do viver. Nas Crônicas ela aponta pessoas que admira e que a tem influenciado ao longo de sua história. E garante que - "Agudas ou Crônicas?" - é seu livro mais leve, pelo menos nestes últimos tempos.

 

Ao lembrar que os outros como Viver de Véspera que foi lançado no final do ano passado tratava da morte. Já o Corte de Vinho está relacionado com os rompimentos da vida. Tem ainda Loucos e Sábios: o livro dos diamantes, escrito por ela e o escritor Caio Augusto Ribeiro, em que ela desvela uma paixão e a revela, mostrando que não há limitação na vida e que nela tudo pode e deve ser feito.

 

E diz que ainda faltam três, um que Ivens Scaff apresenta -Tremor Essencial, o outro Lugar Desejo prefaciado pela poeta Marli Walker e, finalmente, o Silêncio Profundo que ainda está em fase de gestação.

 

Todos, claro, carregados de poesia, ainda que a Marília aponte - em um ou outro verso -, para tempos sombrios, às vezes em dias conturbados em uma cruzada eterna de saberes, como se forma e conteúdo fossem sua argamassa, construindo-a incessantemente.

 

Assim, claro, não há como se desvencilhar da leitura deste novo livro, porque se for tão bonito e poético quanto Marília, certamente deverá ser, minimamente, um belo debate semiotico.

 

Marisa Batalha é jornalista, mestra pela UFMT e diretora de redação do site O Bom da Notícia

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COMENTÁRIOS

Amilton - 14/09/2019

Essa menina é nota 1000.

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