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08.09.2019 | 06h:00

Nova civilização no Centro-Oeste

Por: Onofre Ribeiro

Reprodução

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Essa esquizofrenia sobre a Amazônia brasileira é a ponta de um iceberg histórico que começou no fim da década de 1950 com a construção de Brasília. É um resgate necessário. Cansa-me a discussão estéril focada somente no presente imediato.           

 

Em novembro de 1956 iniciou-se a construção de Brasília na vastidão de um sertão desconhecido e abandonado no coração do Brasil. Digo isso, porque cheguei a Brasília pra estudar, em 31 de janeiro de 1961. O ambiente ainda era o do cerrado seco de vegetação retorcida. Vivi lá até 1976, quando vim pra Mato Grosso. O ideal de Brasília, vindo da Constituição de 1823 era centralizar o país, repetido na de 1946. O ideal no governo Juscelino Kubitscheck (1956-1960), era o de abrir caminhos a partir de Brasília pra “construção de uma nova civilização brasileira no coração do Brasil”.            

 

A percepção era a de que o Brasil litorâneo não passava de uma caricatura da velha Europa colonizadora. A ocupação política do Centro-Oeste com Brasília abriria o caminho econômico para a ocupação toda a região. Isso seria possível com a abertura de rodovias integradoras como a Belém-Brasília, a Cuiabá-Porto Velho, e as demais interligando com o Sul e Sudeste. Isso, de fato, aconteceu.            

 

Brasília consolidou-se. Foi construída por trabalhadores de todas as regiões do país, atraídos pela oferta de trabalho e por uma atração inconsciente. Brasília expandiu-se além de si mesma a partir de 1973. A velha França, cruel colonizadora de regiões africanas, ameaçou o Brasil com a internacionalização da Amazônia.  O mundo era outro e o Brasil também era outro. Muito menos preparado pra lidar com as desigualdades regionais. O presidente da República, general Emilio Garrastazu Médici, movimentou o governo brasileiro pra ocupar a Amazônia.            

 

A ideia era ocupar a Amazônia do Sul para o Norte. Pavimentou a ligação de Goiânia e de Campo Grande a Cuiabá para dar acesso ao Norte do país. Abriu na selva em tempo recorde a BR-163, a Cuiabá-Santarém que ficou pronta em 1976, a partir de Cuiabá até o porto de Santarém, cortando o Brasil de Sul a Norte. Ela nasce em Tenente Portela, no Rio Grande do Sul. A criação da Universidade Federal em Cuiabá mais o linhão de energia elétrica ligando Cachoeira Dourada, em Goiás, a Cuiabá, serviram de infraestrutura pra ocupação humana que se daria nos anos seguintes.           

 

Na subida pro Norte, Cuiabá ficou conhecida como “Portal da Amazônia”. Sua pequena população de 100 mil habitantes em 1970, saltou pra 232 mil em 1980. O estado restante da divisão saltou de 598 mil para 1 milhão 1.139 mil habitantes em 1980. O restante da História já é conhecido. Mas voltarei a ele no próximo artigo.            

 

Penso que resgatar essas origens são rigorosamente necessárias neste momento em que o Brasil está perdido dentro de si mesmo. A História foi ferida de morte por ideologias descompromissadas. Parte da população perdida e manipulada. Conhecer a História é sempre necessário nos momentos críticos da civilização.            

 

O próximo artigo será sobre a “nova civilização sonhada pelo presidente JK em 1956.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br

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