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02.07.2019 | 18h:40

O fim do Estado atual e o começo de um novo Estado

Por: João Edisom de Souza

Foto: Gláucia Almeida

Foto: Gláucia Almeida

A fase terminal de um modelo de Estado é longa e atravessa gerações. Fatores culturais, nível de desenvolvimento e conscientização são fatores primordiais para a passagem definitiva de um estágio para outro. Portanto, é possível que o desaparecimento deste modelo vigente demore, em determinados países, séculos, enquanto em outros seja mais célere.

 

Alguns indícios do novo modelo de Estado já é possível ver, mesmo que fragmentados, em distintas nações. É verdade que quanto maior o nível de conhecimento de sua população, maior é o engajamento da sociedade nos novos modelos, ou “novos modos” de viver de sua população. 

 

E aqui o “novo” não se trata de mais Estado ou menos Estado, muito menos de ser um modelo político socialista, comunista ou capitalista (fase vencida e superada). As leis serão mais universais, isso significa menos fronteiras (EUA de Trump, por exemplo, está na contramão) e maior intercambio entre os povos (blocos e uniões entre países). Temos tendência a universalizar uma língua e reforçar o localismo ao mesmo tempo. 

 

Bélgica, por exemplo, tem três línguas oficiais (alemão, francês, neerlandês) e um cem números de línguas regionais minoritárias. Mas o que realmente é comum a todos os cidadãos do pais é o inglês, que não entra em nenhuma das especificações anteriores. 

 

Na corporação do Estado deve sobrar o regulatório e a supremacia do pensamento (educação básica, policiamento e justiça). Portanto, o operacional deve ir para as iniciativas individuais e empresariais. 

 

Por exemplo, em muitas cidades do Japão o poder público já não recolhe o lixo nas casas; são os moradores que levam até um centro de reciclagem. A carga tributária poderá até ser maior, mas atenderá destinos específicos, tais como manutenção de bens e serviços indicados já no recolhimento, salários (polícia e professores), ou manutenção de museus e monumentos que são patrimônio. Na Holanda já é assim. Menos parlamento e mais associações e comissões voluntárias. Menos judiciário e mais justiça. 

 

O assistencialismo e os governos populistas já estão sendo execrados em muitos países. Em seus lugares está nascendo um novo modelo que visa o resgate social através do comprometimento com a educação e o trabalho. Os cuidados com a natureza e com o bem estar da pessoa física já é uma tônica mundial. A palavra de ordem é menos patrimônio e mais bem estar individual e social. 

 

Fator visível, mesmo que em fragmentos, em vários países inclusive na América do Sul, tais como no Uruguai e Chile. Será uma sociedade menos motorizada e mais eletrificada, onde o trânsito deverá ceder espaço para a convivência e bem estar individual. Andar a pé ou em veículos alternativos individuais (bicicletas, patinetes, skates elétricos e outros) vão ocupar boa parte da mobilidade urbana, praças e parques integrados para transitar e fazer exercício físico ao mesmo tempo. 

 

A democracia como alternativa de escolhas já vive uma crise, portanto, é possível que as escolhas (votos) sejam setorizadas e por níveis de comprometimento e não mais genéricas. A fragmentação social é irreversível. É a volta das tribos! E estas terão que negociar entre si a convivência. Nem tudo veremos, mas alguma coisa já é visível. O que não muda é a mudança constante.

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