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10.06.2019 | 09h:20

Onde ela se esconde?

Por: Rosana Leite

Reprodução

Rosana Leite

 

Falo da violência sexual contra as mulheres. Ainda crianças, é possível vislumbrar as falas sobre orientação sexual “an passant”. Nos lares, mães e pais, por pudor, pouco explicam aos meninos e meninas sobre educação sexual, em regra. Os assédios e abusos sexuais só passam a ser lembrados quando existe possibilidade de algo ruim estar acontecendo.

 

A realidade é que ela a violência sexual tem transitado por anos a fio de maneira livre e desimpedida. As mulheres, sem qualquer dúvida, são as maiores vítimas. A sociedade sempre foi conivente com alguns fatos visíveis e que, pareciam não ferir a ninguém. Piadas, programas televisivos, propagandas de rádio e TV anunciavam mulheres... 

 

Era normal. Esses anúncios, por muitos e muitos tempos eram “inocentes”, ou se faziam de. Todavia, algumas ocasiões eram visíveis de sofrimentos imensuráveis às mulheres. E elas, por décadas, apesar de se sentirem ofendidas, nada diziam. Não sofriam? Concordavam? Evidente que não, apenas não tinham vez e voz. 

 

Quantas violências sexuais contra crianças e adolescentes, hoje trazidas à tona, aconteciam na calada da noite dentro de casa, quando a genitora estava a repousar? E tantas outras também ocorriam quando a mãezinha se despedia de seus rebentos para trabalhar? Quantas mulheres, ao transitar por calçadas mudavam de lado, caladas, ao avistar à frente, um grupo de homens a conversar? E outras que evitam passar diante de construções? 

 

Quantas violências sexuais contra crianças e adolescentes, hoje trazidas à tona, aconteciam na calada da noite

Quantas meninas e mulheres já ficaram envergonhadas ao cumprimentar um homem, e este a abraçar fortemente, de modo diferente? Quantas mulheres já viraram os seus rostos com veemência, por quase serem beijadas à boca, apenas por “descuido” dos homens? Quantas mulheres já perceberam, nos litorais, homens a se esconder por trás dos óculos de sol, para admira-las? Quantas delas, também, se sentem ruins ao perceber que determinada roupa usada está causando certo “reboliço” na cabeça do gênero masculino? A fala foi no passado, desde o início, porque antes, o que era oculto, está vindo à tona. 

 

Mulheres e homens, na atualidade se indignam com desrespeitos. Paradigmas, de fato, já se quebraram, mudando o quadro de preconceito e discriminação contra as mulheres. 

 

Odiosas são as falas que as fazem desigual. Para se provar juridicamente a violência sexual, é sabido que a palavra da vítima tem grande valia, quando analisada dentro das circunstâncias ocorridas. Mesmo que a mulher venha a consentir a relação sexual, se na metade do ato desiste, fica configurado, a princípio, o crime de estupro. 

 

Ainda que ela tenha ido ao encontro do homem, poderá mudar de ideia e desistir de seguir com a prática sexual. O nome dado a esse esconderijo mencionado no tema do artigo é cultura do estupro. 

 

Essa é visível na culpabilização e objetificação da mulher. É muito bom ficar evidente: a vítima não deve se culpar de nada. É preciso compreender os papéis de vítima e agressor, para que elas possam encontrar força e amparo, sempre. Criar obstáculos para o acesso ao sistema de justiça das vítimas, ou, tentar criminalizar a palavra delas é percorrer o caminho inverso ao da proteção. 

 

Não pode haver conivência com qualquer forma, para que ela a violência sexual mostre a sua cara. Não é não! E, a ninguém é dada a opção de substituir a vontade de outrem.

 

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS É DEFENSORA PÚBLICA ESTADUAL

 

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