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24.06.2019 | 18h:38

Professora Jacy Proença

Por: Rosana Leite

Reprodução

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Conhecer a história, e quem são as pessoas que dela fazem parte, é resgate obrigatório. Jacy Ribeiro Proença, mais conhecida como professora Jacy Proença, é filha de Cuiabá, atualmente com 55 anos.

 

Narrar a vida dela não é tarefa fácil, quando o espaço é pequeno. A sua vontade em contribuir com a sociedade sempre foi baliza seguida. Primordialmente, é de se rememorar que, em sendo mulher e negra, algumas discriminações foram reais, desde a tenra idade. Descendente de quilombolas e índios bororos, tem a firmeza de passar por todos os obstáculos com a fé inabalável que professa.

 

Pedagoga, pós-graduada em Ciências Políticas e Gerente de Cidades, é adesguiana, escritora e produtora cultural. Iniciou a militância política em 1981, como presidenta do Centro Acadêmico do curso de pedagogia da UFMT. Foi diretora da Escola Municipal Moacir Gratidiano Dorilêo. Um ano após, a primeira diretora eleita pela comunidade escolar. Inseriu o conceito de Educação interétnica e cultural, com a preocupação em educar para a diversidade.

 

Participou da fundação do Núcleo de Professores e Professoras Negras do SINTEP, após ter ingressado no GRUCON (Grupo de União e Consciência Negra). Fez parte da equipe de servidores e servidoras da Diretoria de Ensino e Pesquisa da Secretária Municipal de Educação, onde desenvolveu projetos inovadores. Um deles foi A Cultura e as Minorias: Ação Educativa, apresentado no I e II Congresso Internacional de Cultura Afro-Americana, em Buenos Aires, e em BelémPA. Também esteve em Duban, na África do Sul, representando Mato Grosso.

 

Representou, a contento, a comunidade quilombola como Gerente de Quilombos da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade da Presidência da República, participando da elaboração do Programa Brasil Quilombola.

Cuiabá a conheceu melhor na condição de vice-prefeita (2005-2008), tendo assumido papel decisivo para a vitória nas urnas.

 

Por cinco oportunidades esteve como prefeita, tendo diálogo franco com os movimentos sociais. À época, chamou para si, com maestria, as questões de gênero. Instalou o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, reativando, ainda, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Como política de enfrentamento à violência doméstica e familiar, idealizou a criação do REVIV Centro de Referência de Atendimento Integrado à Mulher Vítima de Violência, evitando a peregrinação excessiva das vítimas.

 

Recebeu títulos, moções e condecorações por seus feitos. Todavia, um de seus projetos atuais a se destacar é a Câmara Setorial Temática da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Preocupada com os direitos das mulheres do estado, propôs ao deputado Wilson Santos aludida criação para a revisão e proposição de leis sobre os direitos humanos das mulheres, com a possibilidade, ainda de conjectura de políticas públicas. É um trabalho com viés humanitário, e com provável resultado para a sociedade. A deputada Janaína Riva o abraçou igualmente. Professora Jacy é secretária da mencionada câmara, que tem 180 dias para apresentar as conclusões.

 

Sofreu um baque, com o câncer de mama. Todavia, mesmo em licença médica, encontrou forças para continuar o trabalho social. Há três anos é apresentadora voluntária do programa A Igreja e a Ética Política, na Rádio Nazareno.

 

Recordar história de mulheres é essencial no combate à misoginia. A nossa Professora Jacy Proença gosta de falar em tempos áureos, por exemplo, quando a sociedade enxergava nos rios e praças a verdadeiro sentido. Sobre o Rio Cuiabá e praças, elucidou: Era possível lavar até mesmo as roupas (...) As praças e seus coretos eram eternizados para manifestações culturais (...) As praças pertenciam ao povo...

 

Mulher inteligente e capaz, as opiniões só são emitidas após ouvir cuidadosamente as discussões. O sorriso cativo e carismático são marcas indeléveis em sua trajetória. Não é à toa que foi eternizada pela escritora Schuma Schumaher, juntamente com Tereza da Benguela na obra Mulheres Negras do Brasil. Ela é vida!

 

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.

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