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DF 15.03.2019 | 21h:11

Com desenho de suástica, aluno ameaça massacre

Por: METRÓPOLES

reprodução

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Dois dias depois do atentado ocorrido em Suzano (SP), quando cinco adolescentes e duas funcionárias da Escola Raul Brasil foram mortos por dois atiradores, a Polícia Civil do Distrito Federal passou a investigar cinco ameaças a escolas públicas do DF. Os casos, contudo, seguem em segredo de Justiça por envolver nomes de adolescentes.

 

Uma das ameaças mais preocupantes foi a aparição do desenho de uma suástica no quadro branco de uma sala de aula. Abaixo do símbolo nazista, a frase “massacre em 20/3” (foto em destaque). Para não atrapalhar as apurações, o nome da escola não divulgado pelos investigadores da Polícia Civil do DF.

 

A área de inteligência da Segurança Pública também passou a monitorar as redes sociais, em especial o Facebook, o Twitter e o Instagram, por causa de publicações que incitam a violência ou veneram a atitude dos autores da chacina na escola de Suzano. Especialistas em crimes virtuais acompanham e pedem autorização judicial para tomar medidas preventivas.

 

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Ao Metrópoles, o secretário de Educação, Rafael Parente, confirmou a informação dos cinco registros, mas disse que não pode detalhar os casos por envolver estudantes da rede pública. “De ontem (quinta) para hoje (sexta), fomos realmente informados sobre cinco ameaças. Por isso, decidimos aumentar a segurança no prédio (da secretaria) e nas escolas, com mais vigilantes e maior presença da PM”, disse.

 

Invasão na Secretaria de Educação

 

Os casos vieram à tona no mesmo dia em que um professor de violino da Escola de Música de Brasília (EMB) invadiu a sede da Secretaria de Educação, no Setor Bancário Norte. Ele estava armado com uma faca e uma besta (espécie de arco e flecha), mesmo equipamento utilizado pelos atiradores do massacre da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP). O alvo, segundo a Polícia Militar, seria o próprio secretário.

 

Após a invasão, Rafael Parente, decidiu dispensar os servidores que atuam no local. Ele também resolveu não voltar ao gabinete no restante do dia. “Ainda estamos tentando compreender o que aconteceu. Aparentemente, é um caso de saúde do servidor”, disse o secretário.

 

Após ser preso, o professor da Escola de Música de Brasília foi levado ao Hospital de Base em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Na maca, gritou: “Me trouxeram para cá como um cachorro“.

 

Ainda muito agitado por volta das 15h40, disse que foi ao prédio da Secretaria de Educação a pedido da assessoria do chefe da pasta, Rafael Parente, para levar “um caso grave”. “Covardes que não têm coragem de lutar pelos próprios filhos”, disparou. O professor de 53 anos, que não teve o nome divulgado, segundo fontes da secretaria, estaria em tratamento psiquiátrico.

 

O major da Polícia Militar Cláudio Peres informou que o alvo do professor seria o secretário de Educação, Rafael Parente. “Ele dizia que queria encontrá-lo para denunciar a forma a qual os professores são tratados. Reclamou dos maus-tratos cometidos contra eles”, disse o policial.

 

De acordo com o major, ele foi apreendido com uma faca rara da marca Imbel. “A besta pode ser comprada até mesmo no Mercado Livre. Não precisa de registro nem nada”, explicou. Aos policiais, o professor disse que os docentes estariam passando fome com o fechamento das cantinas nas escolas. Ele ressaltou também que o armamento não seria para atingir o secretário, “mas para tirar a própria vida”.

 

Sem dificuldades, o homem subiu até o 12º andar do prédio, localizado no Bloco C da Quadra 2, no Setor Bancário Norte. No pavimento, funciona o gabinete do secretário de Educação, Rafael Parente. O chefe da pasta não estava no momento, pois tinha ido ao Palácio do Buriti para se reunir com o vice-governador do DF, Paco Britto.

 

Funcionários que trabalham na Sede 1 perceberam o cabo da besta para fora da mochila e acionaram a Polícia Militar. Segundo fontes da Secretaria de Educação, o homem tem histórico de distúrbio psiquiátrico, estava em licença médica e em tratamento.

 

O professor foi rendido por dois policiais militares e levado para a 5ª DP (área central). Ele ofereceu resistência durante a ação. De acordo com a pasta, o homem não utilizou a besta e ninguém ficou ferido. Ele vai ficar internado no Hospital Base. Responderá por porte de arma branca, mas não estava em condições de prestar depoimento e de assinar o termo circunstanciado nesta sexta.

 

De acordo com o secretário adjunto da Educação, Mauro Oliveira, o professor entrou normalmente no Edifício Phenícia nesta sexta e estava usando etiqueta de visitante. Não há detector de metais no prédio, nem as pessoas são revistadas. Catracas estão instaladas na entrada.

 

“Ele já tinha entrado lá outras vezes. Era funcionário conhecido da Casa. Por sorte, o chefe de administração viu a mochila um pouco aberta e notou um cabo de arma dentro dela. Foi quando acionou a polícia, que pôde evitar o pior”, destacou o adjunto da pasta de Educação, na 5ª DP.

 

Responsável pela ocorrência, sargento Ado disse que a PM foi acionada por volta das 12h30 pelo chefe de administração do prédio, que desconfiou do comportamento agitado do homem. “Estávamos justamente no endereço e, em minutos, subimos ao prédio onde foi feito o flagrante”, contou.

 

De acordo com o militar, o docente dizia que “a escola de música estava acabada e queria mostrar ao secretário o que tinha na mochila”. Duas viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estão na 5ª Delegacia de Polícia para acompanhar a ocorrência. Uma psicóloga e dois enfermeiros entraram na unidade policial localizada na área central de Brasília para prestar atendimento ao professor.

 

Preocupação nas escolas do DF

 

Essa semana, o país ficou em choque com o ataque em Suzano. Após a tragédia, o GDF anunciou que estuda medidas para garantir mais segurança a alunos e servidores nos colégios públicos. Entre elas, a expansão do número de câmeras de monitoramento, botão do pânico para acionar a polícia em caso de situações de perigo, aulas de meditação e mediação de conflitos, catracas que exigem identidade estudantil para entrar nas escolas e até nota de comportamento compondo a média final dos alunos, com o objetivo de estimular a disciplina dentro dos colégios.

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