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ATAQUE EM ÁREA URBANA 15.07.2019 | 16h:26

Especialistas garantem que morte de cão em parque de Cuiabá foi autodefesa de jacaré

Por: Ana Adélia Jácomo

Neste final de semana foi registrado em Cuiabá um caso atípico na zona urbana: o ataque de um jacaré a um cachorro de estimação que brincava no lago do Parque das Águas.

 

O caso gerou medo na população, já que a lagoa onde vivem os répteis está localizada no coração do Centro Político Administrativo da cidade e é frequentado por centenas de pessoas diariamente.

 

O caso aconteceu neste sábado (13) quando o dono do animal resolver brincar de jogar gravetos na água para que o cachorro os buscasse. Em certo momento, o cachorro acabou indo perto da água, e o jacaré o puxou para o fundo da lagoa e o matou. Segundo relatos, o dono ficou desesperado e chegou a ensaiar entrar na lagoa para salvar o cãozinho, mas foi impedido por pessoas que estavam no local. 

 

O fato causou muita repercussão nas redes sociais e um dos que demonstrou indignação com o incidente foi o vereador de oposição, Abílio Júnior (PSC). Segundo ele, a Prefeitura de Cuiabá precisa adotar medidas para evitar que uma tragédia ainda maior ocorra. Ele defende o manejo do animal silvestre para outro local. 

 

“Você já viu jacaré subir em grade? Subir em tela? É falha de projeto!!! Se o parque das águas fosse pensado pra ser tratado como zoológico seria necessário a instalação de equipamentos de segurança para os animais e humanos”, disse ele. Veja a postagem feita pelo vereador no Instagram AQUI

 

ESPECIALISTAS EXPLICAM ATAQUE

 

Eles se alimentam essencialmente de invertebrados, pequenos peixes, e são extremamente generalistas. Comem de tudo, então fome não é

Tainá Figueras Dorado Rodrigues é doutora em Ecologia e Conservação da Biodiversidade. Segundo ela, o jacaré está em seu habitat natural e não deve, de forma alguma, ser remanejado para outro lugar. Ela afirmou nesta segunda-feira (15), que o ataque não foi motivado por fome por parte do jacaré, já que alimentação do réptil não é baseada em animais vertebrados.

 

“O bicho já estava ali há muito tempo antes de o ser humano chegar. Os jacarés não comem nem mesmo mamíferos como a jaguatirica ou o cachorro do mato. Até podem vir a comer, mas eles se alimentam essencialmente de invertebrados, pequenos peixes, e são extremamente generalistas. Comem de tudo, então fome não é!”, disse ela. 

 

Tainá explicou que a espécie não costuma sair da água para caçar, e ela considera que o incidente poderia ter sido evitado caso houvesse mais sinalizações sobre o risco de ataques espalhadas no local, e mais conscientização da população, por meio de campanhas e avisos. 

 

“Qualquer animal vai se estressar se você manipular ele. Nós, cientistas, não manipulamos em campo o animal sem as devidas técnicas. A questão nesse caso foi a falta de cuidado e imprudência do dono do animal, de brincar com o cachorro na beira da água. Eu tenho certeza absoluta que o jacaré não vai sair da água correndo atrás das pessoas que fazem caminhada no parque”, defendeu ela. 

 

AUTODEFESA NO HABITAT NATURAL

 

reprodução

Jessica Rhaiza Mudrek durante captura

Jessica Rhaiza Mudrek durante captura do Jacarepaguá

Jéssica Rhaiza Mudrek é bióloga, mestre e doutoranda em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso. Ela é especialista em Ecologia de Jacarés e explicou ao ‘O Bom da Notícia’ que o jacaré não devorou o corpo do animal de estimação, apenas mordeu e soltou, em uma clara tentativa de se defender.

 

“Os jacarés que a gente tem aqui na cidade não fazem como os crocodilos, de abocanhar, girar e arrancar pedaço. Eles engolem o animal inteiro. Por isso, não faz sentido eles atacarem uma presa grande. Não sei o tamanho do cachorro, mas provavelmente era pequeno”, disse ela. 

 

Para evitar que esse tipo ataque volte a acontecer as especialistas afirmam que o ser humano precisa respeitar as sinalizações. De acordo com ela, os jacarés só atacam se se sentirem muito ameaçados, como no caso em questão, onde o cachorro entrou na lagoa e despertou a atenção dos jacarés. 

 

“Se tocar neles, ou se sentirem acuados, pode acontecer um ataque. Eu trabalho com isso há seis anos e nunca fui atacada, então foi um caso isolado onde o jacaré se defendeu. O cachorro não foi devorado, mas mordido e acabou boiando de novo. Ele não comeu o cachorro. O comportamento do jacaré é fugir do humano, assim como é no Pantanal. Eles fogem dos pesquisadores”.

 

Sobre a possibilidade de levar os jacarés para outro local, Jéssica explicou que não é viável, uma vez que para a troca de habitat é preciso estudos de viabilidade populacional no local onde se deseja inserir o animal, além de exames veterinários, com direito a quarentena, para poder dizer que não há patologias. 

 

“Demanda tempo e há custos financeiros para isso”, afirmou ela. No lago do Parque das Águas existem duas espécies de jacarés: o Jacaré-do-pantanal, que mede entre dois a três metros de comprimento, e o Jacarepaguá, o menor da espécie do mundo. 

 

NOTA DA PREFEITURA 

 

“A respeito da segurança no Parque das Águas a Prefeitura de Cuiabá informa que:

- O incidente no qual um cachorro foi atacado por um jacaré é pontual, uma vez que nenhuma situação semelhante foi registrada desde a inauguração do Parque, em 2016.  

- O jacaré estava em seu habitat natural, dentro do lago, quando o cachorro entrou na água para buscar um graveto, arremessado por seu dono.

- Parte do espaço conta com uma cerca que separa o Parque da nascente do lago, que fica em uma região de mata fechada. Isso impede que outros animais silvestres invadam a área pública. 

- Mesmo que a cerca fosse instalada ao redor de todo o lago, a medida não evitaria esta ocorrência, uma vez que o cão foi incentivado a entrar na água e sua movimentação na superfície motivou o ataque.

- O Parque das Águas conta com monitores e guardas. A orientação repassada aos profissionais é para que não permitam que os frequentadores subam na cascata ou entrem no lago. 

- É importante destacar que o lago existe para contemplação, não para banho ou prática de esportes.

- Por toda a área, há placas que informam sobre a proibição de entrada na água. A sinalização, contudo, será reforçada, assim como o número de educadores ambientais no local”. 

- Essas medidas visam à conscientização dos frequentadores e evitarão que outros incidentes do tipo aconteçam. 

- Há que se reforçar ainda que os jacarés e capivaras estão em seu habitat natural e que o espaço deve ser respeitado pelos seres humanos que aproveitam da beleza da região para práticas esportivas e de lazer.  

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