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ASSASSINA PROIBIA MENOR DE TOMAR LEITE 10.09.2019 | 10h:01

Justiça mantém prisão de madrasta que matou enteada a conta-gotas

Por: Rafael Medeiros

Reprodução

 

A madrasta Jaira Gonçalves de Arruda Oliveira, 42 anos, teve a prisão mantida pela Justiça e foi encaminhada para uma cela segura, na Penitenciária Ana Maria do Couto May, para evitar contato com as demais presas, preservando sua integridade física.

 

Jaira foi presa nesta segunda-feira (09), em sua casa, no Coxipó. Ela é a principal suspeita de ter envenenado a enteada Mirella Poliane Chue de Oliveira, 11 anos, a ‘conta-gotas’ até matá-la. Jaira queria ficar com a herança da enteada, no valor de R$ 800 mil.

 

Em seu depoimento à polícia, Jaira negou o crime. Disse que convive com o pai de Mirella desde que a menina tinha 2 anos e narrou os problemas de saúde que a menina passou a apresentar pouco antes da morte, a partir de 17 de abril, como dor de cabeça, tontura, dor na barriga e vômito. A mulher chegou a insinuar que a morte da enteada poderia estar relacionada a alguma negligência médica, pois ela passou por diversos hospitais e nenhum médico chegou a um laudo conclusivo.

  

Foram quase 2 meses de várias internações, inclusive na UTI, até o falecimento no dia 13 de junho deste ano

Segundo a Polícia Civil foram dois meses de sofrimento e tortura com internações hospitalares, ao todo nove, quando Mirella ficava de 3 a 7 dias internada e melhorava, pelo fato de não tomar o veneno. “Ela melhorava no hospital e piorava em casa. O veneno era aplicado de forma muito pequena, para não chamar atenção em caso de morte”, disse o delegado Wagner Bassi Júnior.

 

“Essa menina sofreu muito na vida. A mãe morreu no parto e não chegou a conhecer a filha. Em virtude da morte da mãe, ela recebeu a indenização que começou a ser pago no ano passado. Os avós paternos, que a criaram, faleceram ano passado. Em virtude disso ela foi morar com o pai e a madrasta”, explicou o delegado.

 

Criança era milionária

 

Durante a investigação, a Polícia Civil descobriu que, recentemente, a menina recebeu uma indenização milionária devido à morte da mãe dela durante o parto. A ação foi movida pelos avós maternos. Poliane Chue Oliveira, na época com 22 anos, teve uma forte hemorragia durante o parto.

 

A morte ocorreu na manhã de 22 de novembro de 2008, logo após o nascimento de Mirella. Após 10 anos o processo foi encerrado contra o hospital. O valor da indenização foi de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios. 

 

Parte do dinheiro ficaria depositado em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta, após os 24 anos. 

 

A Justiça autorizou que fosse usada uma pequena parte do dinheiro para despesas da criança. O pagamento da ação iniciou este ano. Até 2018, a menina era criada pelo avós paternos. Em 2017, a avó morreu e, no ano seguinte, o avô faleceu também, passando a garota a ser criada pelo pai e madrasta.

 

Morrendo aos poucos 

 

Testemunhas e vizinhos já ouvidos, disseram que a garota queixava muito da madrasta. Teve um dia que Mirella disse a uma vizinha que a madrasta estava chamando ela de gorda e que por isso a proibiu de tomar leite.

 

Em uma das últimas visitas às amigas, chegou a chorar, dizendo que estava ficando cega, quando passou a vomitar um líquido vermelho. Mas a madrasta a proibiu de dar qualquer remédio, alegando que a menina já estava em tratamento. Foram, ao todo, nove internações em dois meses. Ela recebia diagnósticos de infecção, pneumonia e até meningite. Na última vez em que foi parar no hospital, a menina não andava, não falava, apenas espumava pela boca.

 

“Uma coisa é você matar uma pessoa envenenada, outra é envenenar um pouco a cada dia, convivendo com a pessoa e vendo os sintomas, que eram sérios. A menina vomitava, espumava pela boca, desmaiava, tinha falta de ar, não conseguia falar, não conseguia andar e não controlava as fezes. É uma coisa muito feia de se ver, e ainda assim ela se manteve firme no propósito e a matou lentamente”, disse o delegado.

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