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GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA 11.07.2019 | 11h:07

Campos diz que MPE faz investigação 'intramuros' sobre arapongagem e que delações de militares foram negadas

Por: Alexandra Freire - O Bom da Notícia

Marcus Mesquita

Marcus Mesquita

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, em entrevista na rádio Capital FM nesta quinta-feira (11), informou que o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), teria rejeitado acordos de colaboração premiada dos militares Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco e Gerson Corrêa, todos envolvidos no esquema dos grampos ilegais.

 

“Ninguém sabia que os militares tinham tentado fechar delação. Quero saber do doutor Domingos Sávio [coordenador do Naco] por que os investigados dos grampos tentaram delação e ele não aceitou. Por que? Quais os critérios?”, disse Leonardo.

 

A OAB foi admitida para acompanhar as investigações do esquema que ficou conhecido como “grampolandia pantaneira” e comenta-se, nos bastidores, que isso estaria causando um certo mal-estar dentro do MPE

Recentemente, a OAB foi admitida para acompanhar as investigações do esquema que ficou conhecido como “grampolandia pantaneira” e comenta-se, nos bastidores, que isso estaria causando um certo mal-estar dentro do MPE.

 

A OAB- MT protocolou notícia-crime, pedindo que a instituição tivesse acesso ao autos do processo que investiga a Grampolândia, o pedido foi acatado pelo desembargador Orlando Perri do Tribunal de Justiça. Em decisão, o magistrado estipulou, por meio de decisão, um prazo de 30 dias para conclusão das investigações. Ainda na mesma decisão, o desembargador citou como legítimo, o interesse da OAB em acompanhar as investigações.

 

 “A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso, tem sim legítimo interesse em acompanhar as investigações que se processam no Naco Criminal, sob o diálogo de pode contribuir no esclarecimento de fatos criminosos que abalaram a sociedade mato-grossense", diz trecho dos despacho. 

 

“Decisão que caminha no sentido da legalidade, sob o olhar do interesse público, buscar esclarecer esse que foi o maior escândalo de Mato Grosso. Um atendado a Constituição e ao estado de direito. E a decisão do desembargador apenas reafirma o que o Tribunal do Pleno já havia decidido em 2017, quando pela primeira vez o MPE tentou arquivar as notícias-crimes que a OAB tinha protocolado, quando tão logo tomou conhecimento do escândalo. E o Pleno, por maioria absoluta, salvo engano com uma abstenção, admitiu a participação da Ordem no acompanhamento das investigações na qualidade de denunciante. Podendo, inclusive, solicitar diligências, acompanhar oitivas e depoimentos. Enfim, solicitar provas visando o auxílio da instrução dessas notícias-crimes”, completou Leonardo.

 

As notícias-crimes que foram protocoladas pela OAB se baseiam em três pilares. "A primeira se deu por conta de reportagem no Fantástico[programa da Rede Globo, que vai ao ar todo domingo], onde foi revelado o esquema de "barriga de aluguel", utilizado na Operação Ouro de Tolo, que se investigava a ex-primeira dama do Estado (Roseli Barbosa)". Segundo Leonardo, dentro da justificativa de quebrar o sigilo telefônico da primeira-dama foram atribuídos vários outros ramais telefônicos, como se todos fossem dá investigada. “Nós percebemos após a reportagem que houve interceptações telefônicas, de médicos, políticos, advogados, magistrados etc.”  E depois quando ocorreu uma investigação de tráfico de drogas em Cáceres.

Leonardo Campos ainda cobrou mais celeridade para desvendar o esquema da arapongagem.

“O esquema da grampolândia pantaneira não afetou só o Zé lá da esquina. Afetou a sociedade. Mais de 70 mil pessoas foram grampeadas. Nós não podemos tratar isso como crime comum. Eu queria estar aqui comemorando que o MPE está imprimindo celeridade para desvendar o esquema da grampolândia. Eu estou mesmo, Domingos Sávio, é revoltado com a lentidão que o MPE está tratando esses processos. Vocês precisam desencastelar . Não se pode fazer uma investigação intramuros, sem a participação da OAB. E eu não estou fazendo discurso político. Precisou a Ordem vir e provocar. É verdade que os militares queriam fazer delação?. Porque que não foi aceita?. Eu não estou pedindo para ele quebrar o sigilo", reafirmou.

O esquema

O escândalo da grampolândia veio à tona em 2016, após denúncia do ex-secretário de Segurança Pública do Estado e promotor de Justiça, Mauro Zaque de que policiais militares e integrantes da cúpula do Poder Executivo [durante a gestão do governador tucano Pedro Taques], estariam grampeando ilegalmente políticos, empresários, juízes e jornalistas através da modalidade "barriga de aluguel". Os números eram anexados, de forma ilegal, a lista de interceptação de pessoas investigadas por tráficos de drogas na Comarca de Cáceres.

Diversos secretários de Estado - muitos militares -, foram presos devido a investigação. Entre eles estão o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, o ex-chefe da Polícia Militar, Evandro Lesco e o ex-secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas.

Inquéritos policiais

A Polícia Civil divulgou que os delagados Rafael Mendes Scatolon, Luciana Batista Canaverde e Jannira Laranjeira Siqueira Campos, conduzem os inquéritos policiais que apuram interceptações ilegais no Estado.

Eles substituem os delegados Flávio Henrique Stringueta e Ana Cristina Feldner que estavam à frente das apurações, mas deixaram o posto após as investigações terem sido retidas no Supremo Tribunal de Justiça. Segundo assessoria da Polícia Judiciária Civil, eles foram convidados para retomarem o caso, mas não aceitaram por razões pessoais.

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