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'ARAPONGAGEM VERGONHOSA' 17.07.2019 | 15h:34

Gerson: deputada Janaina foi grampeada pelo Núcleo de Inteligência da PM e pelo Gaeco

Por: Rafael Machado e Rafael Medeiros

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O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 11ª Vara Criminal Especializada em Justiça Militar, retomou nesta quarta-feira (17), a audiência para ouvir os militares que são investigados no processo referente aos grampos telefônicos ilegais ocorridos no Estado. Nacionalmente, o episódio ficou conhecido como ‘grampolândia pantaneira’.

 

Está sendo ouvido hoje o cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa Júnior, que vem prometendo relatar fatos novos sobre as escutas telefônicas. Na terça-feira (16), foram ouvidos os coronéis Evandro Alexandre Ferraz Lesco[ ex-secretário da Casa Militar na gestão de Pedro Taques (PSDB) e Zaqueu Barbosa, ex-comandante da Polícia Militar[também na gestão de Taques].

 

O escândalo da grampolândia veio à tona em 2016, após denúncia do ex-secretário de Segurança Pública do Estado e promotor de Justiça, Mauro Zaque de que policiais militares e integrantes da cúpula do Poder Executivo estariam grampeando ilegalmente políticos, empresários, juízes e jornalistas através da modalidade "barriga de aluguel", onde os números eram anexados, de forma ilegal, à lista de interceptação de pessoas investigadas por tráficos de drogas na Comarca de Cáceres.

 

Acompanhe o andamento da audiência:

 

14h40: O cabo Gerson explica que solicitou o terceiro interrogatório para esclarecer as verdades sobre os fatos. Ele revelou que buscou a Polícia Judiciária Civil, em 2017, para colaborar com o inquérito policial, no entanto, por meio de uma manobra jurídica, não conseguiu terminar depoimento.

 

Logo após, o militar disse que recorreu ao Ministério Público Estadual (MPE) no intuito de tentar firmar um acordo de colaboração premiada que aconteceu após seu primeiro interrogatório.

 

“O promotor de Justiça Alan do Ó, na época tratou com muito louvor, saiu muito na mídia, dizendo que eu esclareci os fatos da grampolândia pantaneira. Buscamos o doutor Alan, entretanto, quando meu advogado disse que as tratativas teriam envolvimento de membros do Ministério Público não prosseguiu. Meu advogado saiu esculachado de dentro do gabinete do doutor Alan”.

 

“Pois bem, no segundo interrogatório tratei bem superficial sobre a participação de alguns membros do MPE. O mesmo promotor que tinha minha elogiado no primeiro depoimento, veio com todas as garras frente ao nosso depoimento, revelando junto a mídia local, que eu era um mentiroso e que entrei em contradição. Certamente porque havia participação de membros do MPE”.

 

Gerson falou que buscou amparo no Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), coordenado pelo procurador Domingos Sávio, onde iniciou as tratativas e relatou nove fatos relacionados sobre os grampos.

 

“Esses nove fatos foram muito bem recebidos, o que nos deixou esperançosos quanto a firmar delação junto ao Naco, devido às provas, mas, por ironia do destino, recebi um verdadeiro tapa na cara, pois o doutor Domingos Sávio veio com o parecer tanto quando defensivo, parecia advogado de um dos promotores citados e negou o acordo, sobre argumento que seriam fatos requentados”.

 

Donos da grampolândia

 

“O objetivo do meu terceiro interrogatório é, sem sombra de dúvida, e de certa forma, forçar esses dois coronéis respeitados a falarem a verdade. Desde o primeiro interrogatório, eu disse que o dono da grampolandia pantaneira não era o coronel Zaqueu, coronel Lesco, muito menos o cabo Gerson e, nem tampouco, a Polícia Militar. Eu disse desde o início que o dono disso aqui era o ex-governador José Pedro Gonçalves Taques e o senhor Paulo Taques. Eu disse isso desde o meu primeiro interrogatório e, ontem, pela graça de Deus, foi ratificado pelas falas dos coronéis e isso colabora ainda mais com aquilo que eu falei, falar sobre a grampolandia pantaneira”.

 

16h37 - Operação Metástase

 

Durante a audiência, o cabo Gerson detalhou sobre as interceptações ocorridas durante a operação Metástase que, segundo ele, foi deflagrada em 2015 para apurar a existência de uma possível organização criminosa no âmbito da Assembleia Legislativa, notadamente, no gabinete do então presidente da Casa, deputado José Geraldo Riva.

 

“Os promotores Marco Aurélio de Castro e Samuel Frungilo determinaram a confirmação de terminais telefônicos e a identificação de dados cadastrais de pessoas previamente definidas que seriam alvos daquela investigação, entre elas o senhor José Geraldo Riva, a senhora Janete Riva, o senhor José Riva Júnior, a senhora Jessica Riva e a deputada estadual Janaina Grayce Riva que tiveram seus dados cadastrais invadido, antes mesmo da instauração da portaria. Foi feito pesquisa através de barriga de aluguel, ou seja, foi pego uma decisão judicial que nada tinha a ver com a operação Metástase e foi realizado um levantamento dos dados cadastrais de todas essas pessoas, inclusive da deputada Janaina Riva”.

 

“Encaminhamos ao doutor Marco Aurélio e, em um passo o seguinte, reencaminhado ao mesmo promotor no dia 24 de março a pesquisa do dia 19 e 20 de março e no dia 23. Ou seja, data posterior à pesquisa dos dados, foi instaurado a portaria de investigação visando iniciar esses fatos junto ao Gaeco. Para legitimar, fraudulentamente, esses dados, foi expedido posteriormente ordem deresserviço. Nessa ordem não consta os nomes da senhora Janaina, Janete, José Riva Júnior, Jessica Riva mas tão somente do senhor José Geraldo Riva”.

 

O PM cita que em agosto de 2015, em uma reunião reservada com o promotor de Justiça, Marco Aurélio, foi solicitado o acompanhamento de Janaina. Esse monitoramento, de acordo com Gerson, ocorreu dentro do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar.

 

“Já em reunião reservada com o promotor de Justiça Marco Aurélio, em agosto de 2015, após a realização de dois períodos de interceptação telefônica, diante da deflagração da operação Metástase ocorrida naquela época, se não me engano em meados de setembro, o senhor Marco Aurélio[promotor] me levou a situação da deputada Janaina Riva. E que precisava realizar o acompanhamento da deputada, foi quando este agente sugeriu ao promotor Mauro Aurélio, na época coordenador do Gaeco, que teríamos condições de realizar o monitoramento de Janaina Riva no núcleo de inteligência da Polícia Militar”.

 

Logo após, conforme o cabo, a deputada voltou a ser monitorada, só que desta vez pelo Gaeco, a pedido do promotor Marco Aurélio.

 

“A solicitação de pronto foi atendida. O objetivo do monitoramento à deputada, pelo Gaeco naquela ocasião, era constatar se os fatos ora perpetrados pelo pai dela, José Geraldo Riva, continuavam naquele gabinete. Até porque foram mantidos praticamente os mesmos servidores que antes serviram ao seu pai [ José Geraldo Riva] permanecendo como assessores da deputada. O monitoramento foi por intermédio do outro telefone dela, que também foi pesquisado naquela ocasião, em março […]. E ele foi monitorado mais de uma vez, desta vez apenas, consta o histórico de chamada”.

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