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INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS 16.07.2019 | 08h:44

MPE denuncia ex-chefe da Casa Civil em inquérito da 'Grampolândia Pantaneira'

Por: O Bom da Notícia

Foto: Lucas Ninno/Gecom-MT

Paulo Taques

 

O Ministério Público do Estado, por meio da Procuradoria Geral de Justiça encaminhou a 7ª Vara Criminal de Cuiabá denúncia contra o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, em processo relativo ao esquema da “grampolândia pantaneira”. 

 

O documento assinado pelo procurador José Antônio Borges foi publicado nesta segunda-feira (15).

 

Paulo Taques também é denunciado por "denunciação caluniosa".  

 

De acordo com a denúncia, nos meses de fevereiro e março de 2015, Paulo Taques solicitou investigações policiais contra a publicitária Tatiane Sangalli Padilha [apontada como amante de Paulo] e Caroline Mariano, levadas a efeito no bojo das Operações Forti/Pequi e Querubim, da Polícia Civil, imputando-lhes crime de que sabia serem inocentes.

 

Paulo Taques solicitou às investigações na 7ª Vara Criminal de Cuiabá em fevereiro de 2015, quando pediu que fossem realizadas interceptações de comunicações telefônicas com objetivos não autorizados em lei.

 

“Apurou-se no presente caderno informativo que o acusado fora amante de Tatiane Sangalli Padilha, de 2009 até início de 2015, quando assumiu o cargo de secretário-chefe da Casa Civil. Durante a campanha para o Governo do Estado em 2014, conforme é de amplo conhecimento da sociedade mato-grossense e, quiçá, brasileira, fora montado um escritório para realização de interceptações na modalidade “barriga de aluguel”, caso que passou a ser denominado de Grampolândia Pantaneira”, diz trecho do documento.

 

Tatiane Sangalli foi interceptada por tal escritório clandestino em outubro de 2014. Período em que se relacionava com Paulo Taques. Consta ainda que durante a transição de governo, Tatiane perdeu o cargo de assistente de gabinete e, então, no início da gestão de Pedro Taques (PSDB), passou a cobrar do primo do ex-governador outro cargo. Paulo negou e relacionamento terminou.

 

Ainda conforme o MPE, mesmo diante do fim do caso, Tatiane continuava procurando Paulo Taques cobrando o pagamento da parcela de um veículo Renault Duster, no valor de R$1.000,00, que o acusado havia se comprometido a arcar.

 

Tal situação aparecia em eventos oficiais; enfim, incomodava o então secretário da Casa Civil. Durante o relacionamento dos dois, Sangalli desenvolveu uma certa amizade com Caroline Mariano, funcionária do escritório de advocacia do acusado e, em janeiro de 2015, passou a trabalhar como secretária de Paulo Taques.

 

“O acusado, preocupado com o término de seu relacionamento, já que Tatiane estava magoada e poderia atingi-lo expondo sua intimidade e, ainda, desconfiado que Caroline vazava informações de seu gabinete para o jornalista Muvuca, cujas matérias prejudicavam a imagem do Governo, resolveu, então, monitorar os três”, diz outro trecho.

 

Para conseguir que Tatiane fosse grampeada, Paulo Taques utilizou-se do conhecimento que possuía, de que ela tinha amizade com Kelly Arcanjo, filha de João Arcanjo Ribeiro, e inventou uma “história cobertura” de que através de Sangalli e Caroline, o “Comendador” obteria informações suficientes para planejar um atentado contra sua vida e do então governador Pedro Taques, seu primo.

 

“Para consumar seu plano criminoso de interceptar ilegalmente Tatiane, Caroline e Muvuca, o denunciado Paulo Taques, valendo-se do cargo de poder e prestígio que ocupava, comunicou falsamente ao então secretário de Segurança Pública Mauro Zaque de Jesus de que, com o governador do Estado à época, corria risco de morte. Para comprovar suas alegações, o denunciado apresentou uma folha A4 contendo supostas conversas telefônicas interceptadas – fora do padrão costumeiramente utilizado pelos órgãos de investigação oficiais –, denotando que duas mulheres tramariam algo contra si e o então governador Pedro Taques”, explica outro trecho.

 

À época dos fatos o então secretário de Estado de Segurança Pública, Mauro Zaque, questinou Paulo sobre a origem do documento, que alegou ser proveniente de órgãos federais. Ainda conforme a denúncia, há fortes indícios de que as conversas contidas na folha A4 eram provenientes do escritório clandestino da “grampolândia pantaneira”, “fato este não sabido por Mauro Zaque à época”.

 

“Os indícios são claros, já que Tatiane fora interceptada em 2014 e, durante as conversas, referia-se a Caroline como “amiguinha” e esta, por sua vez, dirigia-se a Tatiane como “loura”; daí os apelidos “Dama Loura” e “amiguinha” inseridos na operação Forti, conforme será demonstrado adiante”, diz trecho.

 

Mauro Zaque acreditando na existência real de ameaça contra o chefe do Poder Executivo e do secretário da Casa Civil, acionou o secretário-executivo de Segurança Pública à época, Fábio Galindo Silvestre que, por sua vez, também foi comunicado pessoalmente por Paulo Taques sobre as ameaças.

 

Paulo Taques apresentou a Fábio Galindo folha A4 com as supostas interceptações telefônicas – que João Arcanjo Ribeiro tramava casar-se com sua ex-amante Tatiane Sangalli com o objetivo de se transferir para Mato Grosso e, ao mesmo tempo, tentar algo contra sua vida e do governador.

Isto demonstra que a suposta ameaça contra a vida do Chefe da Casa Civil e do Governador nunca existiu, não passando de uma “história cobertura” inventada pelo acusado para monitorar, ilegalmente, sua ex-amante e sua secretária. Com efeito, o intento de Paulo Taques nunca foi realizar uma investigação criminal, mas sim evitar que sua intimidade fosse exposta e que fatos ocorridos na Casa Civil viessem a público

 

“Diante da gravidade da notitia criminis, Fábio Galindo chamou Alessandra Saturnino, Delegada de Polícia Civil que ocupava, à época, a Secretaria Adjunta de Inteligência, para uma reunião na sede da Sesp. Durante a reunião novamente Paulo Taques narrou o ocorrido e, mais uma vez, mostrou a folha A4 com as supostas conversas interceptadas que sustentavam a veracidade de suas informações”, outro trecho.

 

Em conversa com a delegada da Polícia Civil Alessandra Saturnino e Fábio Galindo, Paulo Taques, apresentou um outro papel no qual constavam três números de telefone, indicando o primeiro como de Tatiane Sangalli e o segundo de Caroline Mariano, que seriam as responsáveis pela suposta ameaça; o terceiro número pertencia ao jornalista Muvuca, indicando a necessidade de interceptar seu numeral sob o fundamento de que este também estava envolvido na trama e, ainda, recebia informações das duas sobre tudo o que acontecia em seu gabinete na Casa Civil e replicava em seu site.

 

A delegada Alessandra refutou, de plano, interceptar o telefone de Muvuca, por entender que não estava claro o papel deste nas supostas ameaças às vidas do ex-governador.

 

No dia seguinte, Alessandra Saturnino entrou em contato com a delegada de Polícia Civil Alana Darlene Cardoso, então diretora de Inteligência da Polícia Civil, e repassou as informações que havia recebido de Paulo Taques.

 

Alana comandava à época a Operação Forti, que tramitava perante a 7ª Vara Criminal, para combater as organizações criminosas instaladas nos presídios de Mato Grosso, em especial o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital.

 

“Alana, então, de comum acordo com Alessandra, com o intuito de investigar a suposta ameaça, inseriu em sua representação para prorrogação da interceptação de alguns numerais da Operação Forti os telefones de Tatiane e Caroline, dando a elas os codinomes “Dama Loura” e “Amiguinha”, respectivamente, apelidos estes informados por Paulo Taques”.

 

Em março de 2015 a Gerência de Combate ao Crime Organizado – GCCO, sob o comando do delegado Flávio Stringueta, deflagrou a “Operação Querubim”, declinando de maneira clara os nomes de Tatiane e Caroline, bem como o porquê de pleitear a quebra de suas comunicações telefônicas. No entanto, mais uma vez nada foi apurado que denotasse o envolvimento destas com ameaças à vida de Paulo e Pedro Taques.

 

“Isto demonstra que a suposta ameaça contra a vida do Chefe da Casa Civil e do Governador nunca existiu, não passando de uma “história cobertura” inventada pelo acusado para monitorar, ilegalmente, sua ex-amante e sua secretária. Com efeito, o intento de Paulo Taques nunca foi realizar uma investigação criminal, mas sim evitar que sua intimidade fosse exposta e que fatos ocorridos na Casa Civil viessem a público”, aponta a procuradoria.

 

MPE arquiva denúncia contra delegadas 

 

José Antônio Borges também solicitou o arquivamento do inquérito policial contra as delegadas Alana Cardoso e Alessandra Saturnino, por crimes de interceptações de comunicações telefônicas. Borges aponta que as duas foram induzidas ao erro.

 

"Cumpre asseverar, por oportuno, que à exceção do depoimento prestado por Paulo Taques, que está, diga-se de passagem, completamente divorciado dos demais elementos probatórios, não há outras provas no sentido de que Alana e Alessandra coadunaram com o objetivo escuso do então Chefe da Casa Civil".

 

Conforme Borges, as provas coligidas até aquele momento denotam que as delegadas acreditaram na “história cobertura” contada por Paulo Taques que, aliás, à época “gozava de grande prestígio no Governo”, já que ocupava cargo de destaque.

 

O esquema

 

O escândalo da grampolândia veio à tona em 2016, após denúncia do ex-secretário de Segurança Pública do Estado e promotor de Justiça, Mauro Zaque de que policiais militares e integrantes da cúpula do Poder Executivo [durante a gestão do governador tucano Pedro Taques], estariam grampeando ilegalmente políticos, empresários, juízes e jornalistas através da modalidade "barriga de aluguel". Os números eram anexados, de forma ilegal, a lista de interceptação de pessoas investigadas por tráficos de drogas na Comarca de Cáceres.

 

Diversos secretários de Estado - muitos militares -, foram presos devido a investigação. Entre eles estão o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques [primo do governador Pedro Taques], o ex-chefe da Polícia Militar, Evandro Lesco e o ex-secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas.

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