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MEDINDO FORÇA 04.12.2019 | 19h:11

Dívida com HG revela 'diferenças' entre prefeitura e governo

Por: Marisa Batalha - O Bom da Notícia

(Foto: Ilustração/RDNews)

(Foto: Ilustração/RDNews)

Após o anúncio sobre a suspensão na semana passada, de cirurgias seletivas e das internações de novos pacientes pelo SUS, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital Geral, por falta de repasse financeiro da Prefeitura de Cuiabá, foi aberta novamente a discussão sobre uma possível crise na saúde da capital, apesar da inauguração do novo Hospital Municipal de Cuiabá. E, claro, sinalizando mais uma nova queda de braço entre a prefeitura e o governo do Estado.

 

A suspensão foi justificada pela direção da unidade de saúde sob o argumento que a medida se fazia necessária, uma vez que a Secretaria Municipal de Saúde não estaria realizando os repasses desde dezembro do ano passado. E que o montante já chegaria a R$ 854 mil. O hospital é uma das referências no tratamento de alta complexidade em doenças cardíacas.

Figueireo diz que Estado repassou recursos da área de saúde aos municípios, secretário de Saude de Cuiabá assegura que a capital não recebeu a verba em sua totalidade

 

Para evitar que o problema não tomasse a mesma proporção da Santa Casa de Misericórdia que precisou da intervenção do Estado para ser reaberta, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo convocou uma reunião com os representantes dos filantrópicos e da prefeitura de município, no Centro Político Administrativo, nesta última terça-feira (03).

 

Em uma reunião com duração de pelo menos 3 horas, no prédio da Secretaria Estadual de Saúde o objetivo, claro, foi levantar um diagnóstico sobre estes repasses, inclusive, a garantia que não haveria, por parte do governo do Estado, atraso na destinação desta verba. Lembrando que, contudo, ela não é enviada diretamente ao filantrópico, e que o contrato é feito via município. "Ou seja, o governo manda o recurso para o município que tem que pagar os hospitais. Que recebem recursos do governo federal, do governo do estado e do governo municipal".

 

Das 5 unidades filantrópicas em Cuiabá, apenas o Hospital Geral teve o repasse atrasado, a direção do hospital afirma que não recebeu o incentivo no valor de R$854 mil reais, e que a dívida do executivo municipal junto à unidade, gira em torno de R$ 5,8 milhões.

 

Já nesta quarta-feira (04), o secretário municipal de saúde, Antônio Possas se contrapôs à afirmação de Gilberto Figueiredo, assegurando que o Estado deve ainda repasses à Prefeitura de Cuiabá. Admitindo, porém, não ter efetuado o pagamento do filantrópico e que teria priorizado o Hospital São Benedito pelo atendimento de 'excelência' que realiza por meio da rede pública de saúde. E que, sobretudo, por conta do hospital também atender todo o Estado e ainda 30% de todas as demandas da capital. Pontuando que mesmo com este atendimento gigante, o São Benedito tem resposta rápida, inclusive, mais do que as contratualizadas.

 

De acordo com o secretário, ele teria pautado sua decisão na legislação que regulamenta o Sistema de Saúde no Brasil, que diz que a prioridade de investimento é na rede pública e depois a rede privada. "Então, eu não vou deixar de admitir que eu paguei o São Benedito. Realmente. Pois o hospital atende bem o estado inteiro e atende 30% de Cuiabá. Como o Estado ainda não nos repassou todo o recurso devido, priorizamos o que está na legislação. Porque o São Benedito tem resposta rápida, até mais do que as contratualizadas[...] Nós não temos dinheiro para jogar fora, para poder desperdiçar. O dinheiro da saúde é contado, é milimetricamente computado. Assim, ele cabe dentro do custo básico no planejamento da sáude".

 

Possas, no entanto, diz ter conhecimento da longa fila para as cirurgias cardiovasculares no Hospital Geral, que estariam em compasso de espera na unidade. E que mesmo que não tivesse 'de cabeça', o número exato, sabe que teria uma lista entre 500 à 600 pessoas. E ainda que, obviamente, esta situação seria preocupante. Para isto, o prefeito Emanuel Pinheiro, ainda conforme o secretário, "determinou que o São Benedito comece a realizar o cardiovascular, como forma de minimizar esta demanda represada".

 

"Médicos de altíssima capacidade da PUC de São Paulo estão em fase de implantação deste procedimento no São Benedito. Usando tecnologia de ponta[...] Eu não quero ser arrogante e nem faltar com humildade, mas será um dos melhores trabalhos como é o SOS AVC, que vocês já viram a resolutividade. Já tendo salvo mais de 300 pessoas, do dia que inaugurou pra cá. É muito grande a diferença entre um serviço terceirizado e um serviço próprio nosso. A mesma coisa nós vamos fazer com a área cardiovascular. Só pra vocês terem uma ideia, existia uma fila de quase quatro mil pedidos de endoscopia, e mais duas mil de colonoscopia. Você sabe quantos tem na fila hoje esperando? Ninguém. Já zerou. Com 60 dias de HMC zerou a fila. Então isso vai acontecer em todas as especialidades. E não zera fila só de Cuiabá, mas de mato Grosso. Então está na hora do Estado olhar pra Cuiabá com melhor olhos e falar peraí: você está resolvendo um problema meu, é hora da gente pactuar melhor essa parte financeira. Eu não estou fazendo um confronto com o Estado e nem com o secretário Gilberto Figueiredo. Eu acredito que ele é um técnico bom, é um médico e tem o intuito de querer fazer a saúde de qualidade. Eu estou voltando há seis ou sete meses atrás onde nós tivemos uma reunião e conversamos longamente. [...] Então vamos fazer a Saúde, deixando de lado as diferenças políticas, as diferenças ideológicas e partidárias, mas onde a preocupação seja o cidadão[...] salvar vidas[...] Com o Estado sendo um pouquinho mais flexível com o município de Cuiabá e nos repactuar. Não é fazer um adiantamento. Não precisamos de adiantamento. Eu só quero que pague o atrasado. Por que não paga o atrasado? Por que não é desse governo? Mas o governo é um só[...] continuam as obrigações", ainda afirmou.

 

Asseverando que o prefeito Emanuel Pinheiro, por exemplo, teria priorizado todas as obras que encontrou parada, apontando o término do HMC. Mas, ao final, assegurando que até sexta-feira (06), deverá ser efetuado o repasse ao filantrópico. E que assim, não haveria essa inadimplência como vem sendo revelado à imprensa pelo Hospital Geral.

 

A comparação de Possas quanto à continuação dos serviços deixados entre uma administração [prefeitura] e outra [governo] foi dada após Figueiredo - querendo colocar fim à pendenga -, revelar no encontro no Centro Político que teria ficado acordado que Cuiabá faria o repasse em atraso nos próximos dias. Já o governo de Mato Grosso iria adiantar o repasse da FEX [Auxílio Financeiro de Fomento às Exportações]. "Com isso, cada unidade filantrópica deve receber em torno de R$800 mil reais, que pode aliviar a situação. Ressaltando que isto não deverá, entretanto, ser o suficiente para o Hospital Geral retomar os atendimentos nas UTI’s".

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