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MPE NÃO ACEITA DELAÇÕES 16.07.2019 | 16h:04

Zaqueu diz que foi usado e Lesco culpa Taques por grampos

Por: Rafael Machado e Rafael Medeiros

Rodinei Crescêncio

Rodinei Crescêncio

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 11ª Vara Criminal Especializada Justiça Militar, retomou nesta terça-feira (16), os interrogatórios dos militares que são investigados no caso dos grampos telefônicos ilegais ocorrido no Estado, nacionalmente conhecido como ‘grampolândia pantaneira’.

 

Estão sendo ouvidos os coronéis Evandro Alexandre Ferraz Lesco e Zaqueu Barbosa e o cabo Gerson Luiz Ferreira Correa Junior.

 

O escândalo da grampolândia veio à tona em 2016, após denúncia do ex-secretário de Segurança Pública do Estado e promotor de Justiça, Mauro Zaque de que policiais militares e integrantes da cúpula do Poder Executivo,estariam grampeando ilegalmente políticos, empresários, juízes e jornalistas através da modalidade "barriga de aluguel", onde os números eram anexados, de forma ilegal, a lista de interceptação de pessoas investigadas por tráficos de drogas na Comarca de Cáceres.

 

Acompanhe o andamento da audiência:

 

O promotor de Justiça Vinicius Gahyva justificou na audiência do porque o Ministério Público do Estado (MPE) não receber as tentativas de colaboração ou delação premiada dos militares. Ele pontua que o não acolhimento não significa que os fatos investigados não serão apurados pelo MPE.

 

“O procurador de Justiça, titular do Núcleo de Ações de Competências Originárias, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso entendeu que as delações, as supostas colaborações com a Justiça, não guardavam os requisitos necessários para que eles obtivessem os benefícios da lei. Diante do caso concreto, porque a referência de qualquer conduta seja de terceiros ou seja de quem for, em nada repercute na imputação, ou seja, no objeto da acusação na qual esses militares respondem”.

 

“Eu verifico que a acusação que paira sobre os réus diz respeito basicamente ao crime de ação militar [...], crime de falsidade ideológica [...], crime precarização imputada ao coronel Zaquel [...]. Portanto senhores, nós reparamos que não há dentro destas imputações, que é objeto desse processo, nenhuma acusação concreta de interceptação de comunicação telefônica. Não há nos limites objetivos do processo, nenhuma imputação concretamente nesse processo de organização criminosa. Não há qualquer imputação de relevância de referência dos réus que possa ser aproveitada como algo, de fato, novo; por isso não é aceito a delação para esse caso concreto”.

 

(Atualizada às 17h34) 

 

Durante a audiência, o ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa contou que em agosto de 2014, recebeu uma ligação do então secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, de que queria conversar com ele junto com seu primo, o governador Pedro Taques (PSDB).

 

“Os recebi na minha casa e tratamos sobre sobre eleição, quando falaram que a eleição estava difícil, e quem Taques estaria tendo problemas na eleição, que ela não estava caminhando e tal e, naquele momento, o que poderia ser feito em relação a algumas situações que estavam acontecendo dentro do comitê?”.

 

“E essas situações que estavam ocorrendo dentro do comitê eram guias de pagamentos, pessoas que saíram com dinheiro para pagamento, ou tinham tentativam de roubom, [...] e que isso estavam causando alguns transtornos dentro do comitê”.

 

“O que pode ser feito é num horário de folga, de férias, de licença dos policiais e eles podem até indicar outros policiais e vocês podem tratar diretamente com eles se quiserem para fazer os serviços de segurança nessa reta final das eleições. Até porque colocar uma viatura [...], Essa foi a primeira conversa e depois dessa veio a segunda. E eles fizeram várias visitas na minha casa, geralmente aos domingos, [...]. Numa dessas idas foi realizado o pedido de Paulo e Pedro se tinha como eu ouvir alguns pessoas que estavam atrapalhando a reta final do processo eleitoral. E eu disse  nem que sim ou que não”, relatou.

 

Ainda no interrogatório, Zaqueu revela que o ex-secretário da Casa Civil, tinha uma secretária que se chamava Caroline Mariano, amiga de Tatiane Sangali [suposta amante de Paulo Taques].

 

Conforme o MPE vem denunciando, Paulo Taques solicitou investigações policiais contra a publicitária Tatiane Sangalli e Caroline Mariano, levadas a efeito no bojo das Operações Forti/Pequi e Querubim, da Polícia Civil, imputando-lhes crime de que sabia serem inocentes.

 

Conforme o órgão fiscalizador, para conseguir que Tatiane fosse grampeada, Paulo Taques utilizou-se do conhecimento que possuía, de que ela tinha amizade com Kelly Arcanjo, filha de João Arcanjo Ribeiro, e inventou uma “história cobertura” de que através de Sangalli e Caroline, o “Comendador” obteria informações suficientes para planejar um atentado contra sua vida e do então governador Pedro Taques, seu primo.

 

“Nas vezes que eu estive no escritório do Paulo Taques, tinha uma secretária chamada Carolina, ela foi interceptada, fiquei sabendo posteriormente e fui verificar o motivo. A Tatiane estava tentando cooptar ela. Ela estaria estabelecendo um vínculo com Arcanjo, neste contrato teria o envolvimento do jornalista Muvuca, que iria atentar contra a segurança do governador”.

 

17h57: Logo após, o Zaqueu disse que foi chamado na residência do então secretário de Segurança Pública do Estado, Mauro Zaque. No local, Zaque alertou ao comandante de que tinha conhecimento de que ele estava fazendo algo errado, interceptando pessoas através de barriga de aluguel.

 

E Zaqueu respondeu que sim e ainda questionou se ele não estava sabendo quem era os interceptados. “Você sendo uma pessoa próxima do governador e não sabia disso?”.

 

O secretário respondeu que não e que teria ficado sabendo no momento da conversa.

 

“Tinha convicção de que o governo do senhor Pedro Taques, com o doutor Mauro Zaque, tinha tudo para dar certo. Quando foi conversado comigo, na minha residência, pelo Paulo e pelo Pedro, em minha residência conversaram comigo a este respeito e pensei que estava tudo certo na hora. Hoje eu tenho outro pensamento, pois tudo na vida é aprendizado. Pensei que isso seria feito só no período eleitoral e que depois seria cessado. E que a instituição teria um equipamento pra ser usado, o que nunca foi usado até hoje".

 

“Minha intenção era no governo Pedro Taques criar uma nova era dentro do Estado, um estado mais justo, um estado mais sério, mais honesto, [...] uma instituição muito mais purificada. Hoje isso é muito tranquilo na minha cabeça e está muito claro que fui usado. Eu tinha um interesse, esse interesse foi atendido, [..] porém valeu disso pelo senhor Pedro Taques porque tinha interesse político, valeu disso também o Ministério Público porque a Janaina Riva também foi ouvida”.

 

19h42 – O coronel Evandro Lesco é o segundo a participar da audiência. Ele disse que, após ter várias tentativas de firmar delação ou colaboração premiada, iria trazer à luz os elementos que já forma entregues ao Ministério Público Estadual acerca dos grampos telefônicos ilegais.

 

“Me sinto obrigado a pedir desculpas, para minha família, quero pedir desculpas para Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, minha gloriosa instituição, desculpas ao Ministério Público Estadual, a imprensa que delicado a dar cumprimento ao dever profissional [..] quero pedir desculpas e perdão a Ordem dos Advogados do Brasil sobretudo ao Poder Judiciário, cheguei ao atrevimento de tentar obstruir a justiça articulando a captação de imagem e áudio de um desembargador, desculpas governo e judiciário do Estado de Mato Grosso e demais segmentos que acabei de citar”.

 

Ele disse que agosto de 2014, quando era diretor de inteligência e operação do Gaego, o coronel Zaqueu havia determinado que ele colaborasse com o núcleo de inteligência com suporte as interceptações telefônicas.

 

“O coronel Zaqueu determina a encontrar com uma pessoa na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, na Avenida do CPA, no estacionamento do McDonalds, me dirijo a este local, acompanhado do cabo Gerson Correa, fui no meu veículo particular e ele em uma motocicleta e chegando neste local, apareceu um veículo que ao abaixar o vidro estava sendo conduzido pelo senhor Paulo Taques”.

 

“Em plena conversa, deslocar para estrada de Chapada no restaurante Reserva. Paulo foi com o veículo que ele estava, eu no meu veículo particular e Correa na sua motocicleta. Chegando lá ele faz sua exposição[...] implantar um equipamento de interceptação telefônica para monitorar os adversários do pleito que iria ocorrer. Tendo essa conversa faço retorno das informações ao coronel Zaqueu, ele fala que queria segunda tratativa com o Paulo. Nessa segunda tratativa, o coronel Zaqueu me aciona dizendo que precisava de dar esse suporte”.

 

Ele afirma o grupo deparou com dificuldades técnicas e sugeriu a participação do cabo Torrizan. Lesco revelou que Paulo Taques garantiu que iria empenhar o financiamento dos custos das interceptações.

 

“Essas tratativas adotaram o orçamento inicial de R$ 12 mil. Como notaram que essas placas do Wytron eram ditas placas que anteriormente teriam sido do grupo de atuação especial contra crime organizado do Ministério Público Estadual. Se não fosse essa iniciativa de essa placa ser doada em que condições não ser esclarecer para além das atribuições do MP não precisaríamos estar hoje aqui reunido, nesta ação penal eu como réu e todo imprensa mobilizada para apresentar esses fatos a sociedade. Essa iniciativa foi do procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado”.

 

Logo após, ele comenta que houve a necessidade de outro aporto financeiro no valor de R$ 6 mil.

 

“O sistema começou ser operacionalizado começou ter funcionamento com condições precárias, mas sempre tento necessidade de ter novo aporte financeiro para que a máquina funcione com o menor grau de precariedade possível, então surge nova necessidade de outro valor de R$ 13 mil’.

 

20h20 -  No depoimento, o coronel disse que o então secretário da Casa Civil, Paulo Taques, supostamente a mando do governador Pedro Taques, pediu que fosse incluído, na lista de interceptados, um servidor da Casa Civil ligado ao vice-governador, Carlos Favaro (PSD) com objetivo de monitorar as atividades da Vice-governadoria. 

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