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EPIDEMIA NA EUROPA 07.07.2019 | 10h:20

O estudante de medicina que morreu de sarampo

Por: BBC

Até recentemente, as autoridades de saúde pública acreditavam ter praticamente eliminado o sarampo da Europa. Mas agora, os casos da doença potencialmente mortal estão aumentando devido a uma forte queda nas taxas de vacinação.

 

O país mais atingido é a Ucrânia, que sofre a pior epidemia de sarampo do mundo, com mais de 100 mil casos desde 2017. No outono de 2017, Oksana Butenko se despediu do filho adolescente, Serhiy, quando ele saiu de casa para estudar medicina na universidade. 

 

Dezoito meses depois, em fevereiro deste ano, ela levou o corpo do filho de volta para casa, no oeste da Ucrânia, em um caixão. O jovem que planejava dedicar a vida a curar doenças morreu subitamente aos 18 anos, vítima de uma doença que as autoridades de saúde dizem ser completamente evitável - o sarampo, que até alguns anos acreditava-se estar praticamente erradicado na Europa. 

 

"Ele era um menino brilhante", diz Oksana, do lado de fora da pequena igreja de cúpula prateada onde o velório do filho foi realizado. "Ele era a coisa mais preciosa da minha vida. O sonho dele era ser médico, ele vivia para isso." 

 

"Eu não sei por que isso aconteceu. Lembro da minha infância, todo mundo pegou sarampo, mas todo mundo se recuperou." O sarampo é uma doença altamente contagiosa da qual a maioria das pessoas se recupera após algumas semanas de febre e erupção cutânea desagradável. Mas, em alguns casos - um ou dois em cada mil -, pode levar a complicações fatais, mais comumente pneumonia. 

 

Serhiy morreu de pneumonia provocada por sarampo após vários dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI), com a infecção consumindo seus pulmões, incapaz de respirar sem ventilação artificial. Ele foi uma das 39 pessoas que morreram de sarampo na Ucrânia desde o início do surto atual, em 2017. O sarampo está avançando em toda a Europa - o número de novos casos triplicou no ano passado, chegando a 82.596.

 

A maioria deles está concentrado na Ucrânia, onde 53.218 pessoas contraíram a doença. "Temos essa tempestade perfeita que aconteceu nos últimos 40 anos e culminou no problema que temos agora", diz a ministra da saúde do país, Ulana Suprun.

 

Ela está se referindo ao declínio drástico na proporção de pessoas que estão protegidas contra o sarampo pela vacinação. Até aproximadamente 2001, diz ela, a Ucrânia importava cepas de vírus da vacina contra sarampo da Rússia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou posteriormente ser ineficaz. Como resultado, "cerca de 44% dos casos de sarampo na Ucrânia são em adultos - que achavam que haviam sido vacinados, mas a vacina não era eficaz". 

 

Houve um problema com a cadeia de refrigeração - a vacina precisa ser mantida na condição térmica adequada para permanecer eficaz. Em meio ao colapso econômico que se seguiu à dissolução da União Soviética em 1991, com hospitais mal equipados e fornecimento de energia incerto, a vacina nem sempre foi mantida na temperatura correta. Mas há um problema ainda maior do ponto de vista psicológico. 

 

Com o passar dos anos, cada vez mais gente se recusou a tomar vacina e a imunizar os filhos. "É uma questão de confiança", diz Oles Pohranychny, diretor de uma escola primária particular na cidade de Lviv, na Ucrânia. Dois anos após a epidemia, apenas metade de seus alunos eram vacinados contra o sarampo. "A vacina é algo que eu tomo, e acredito que vai me proteger contra algo. Agora nossa escola tem filhos de pais que nasceram na década de 1990, quando ninguém acreditava em nada. Nem em uns ao outros, nem na medicina, nem no Estado." 

 

"Em toda a antiga União Soviética, houve um período de transição de uma sociedade paternalista para uma sociedade em que você é responsável por si mesmo - mas você não sabe como ser responsável por si mesmo. Todo mundo em volta estava mentindo - é o que as pessoas pensavam nos anos 1990." "Você tinha que ter o punho cerrado e não confiar em ninguém. Caso contrário, você era um perdedor. A confiança era para os perdedores", acrescenta. 

 

Suprun, ministra da Saúde, responsabiliza a imprensa e os políticos por incentivar o clima antivacinação, principalmente após um incidente amplamente divulgado em 2008, quando um estudante chamado Anton Tishchenko morreu pouco depois de ser imunizado contra o sarampo - apesar de o relatório médico ter mostrado que sua morte não estava relacionada à vacina. 

 

Na esteira dessa tragédia, as taxas de vacinação caíram tão drasticamente que, em 2016, apenas 31% da população estava imunizada pela MMR, vacina que protege contra sarampo, caxumba e rubéola - o nível mais baixo de imunização no mundo, menor até do que na África, como Suprun destacou. 

 

A OMS recomenda que 95% das crianças sejam imunizadas com a vacina MMR para atingir o nível de imunidade de rebanho, em que todas as crianças - vacinadas e não vacinadas - estão protegidas contra sarampo, caxumba e rubéola.

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