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HANSENÍASE 03.06.2019 | 13h:46

Preconceito atrapalha cura de hanseníase

Por: São Paulo A/E

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O isolamento completo era a única opção na época. “Foram 16 anos da minha vida perdidos”, recorda Gilberto José Barbella. Enviado para a colônia de Cocais, no interior do Estado de São Paulo, quando tinha 14 anos - e a doença ainda se chamava lepra -, o aposentado viveu todo aquele tempo longe da família e dos amigos. “Saí de lá com 30 anos, casado e com uma filha.”

 

A história de Barbella, hoje com 89 anos, se repete entre as pessoas que foram diagnosticadas com hanseníase a partir de 1920. Naquele ano, foi instaurada a Inspetoria de Profilaxia e Combate à Lepra e Doenças Venéreas, que criou dezenas de leprosários no Brasil. Os espaços eram minicidades onde se encontrava de tudo, desde cinema até delegacia. 

 

O objetivo era oferecer serviços básicos aos pacientes para que não tivessem contato com o mundo externo. A inspetoria foi extinta em 1934, mas só em 1962 a internação compulsória deixou de ser regra. Como legado, as casas de isolamento, que duraram até o final da década de 1980, reforçaram o estigma social vivido pelas pessoas doentes. 

 

Só no ano passado, 31.862 pessoas com hanseníase foram tratadas na rede pública, informou o Ministério da Saúde

Claudio Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, acredita que a internação compulsória “tem grande culpa” no estigma. “Na sociedade, está introjetado e é, como muitas outras coisas no Brasil, velado”, afirma ele, que também é dermatologista e hansenologista. As tristes consequências da hanseníase, hoje evitáveis, como mãos e pés atrofiados e rosto deformado, são outros motivos apontados por Isabelle Roger, assessora regional em Doenças Negligenciadas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

 

“A hanseníase tem sido uma doença altamente estigmatizante porque causa desfiguração física e nenhuma cura estava disponível até o século 20. Muitas vezes, causa medo na sociedade como uma doença mutiladora, contagiosa e incurável”, afirma. Hoje, sabe-se que a primeira dose do tratamento já impede a transmissão da enfermidade. 

 

O tratamento existe há cerca de 40 anos e é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Só no ano passado, 31.862 pessoas com hanseníase foram tratadas na rede pública, informou o Ministério da Saúde. Os remédios são bem eficazes e só a primeira dose já eliminaria 99% dos bacilos.

 

 

 

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