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MENTE SAUDÁVEL 14.08.2019 | 18h:08

A depressão através do olhar de quem teve a doença

A estudante Thaylla dos Santos afirma que superou a depressão com ajuda profissional e atividade física

Por: Michelle Cândido

Foto: Lucas Leite

Foto: Lucas Leite

No Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com o transtorno mental, o equivalente a 5,8% da população. É o país com maior índice de depressão da América Latina e o segundo nas Américas. 

 

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano – sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

 

Tristeza, baixa-estima, pânico, angústia, bipolaridade e falta de apetite. Esses são alguns dos sinais específicos da depressão, doença que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. 

 

Considerada pela OMS como o “Mal do Século” a depressão é um transtorno mental que está presente no dia a dia de muitas pessoas. Quem passou pelo processo de tratamento diz que é uma batalha difícil, mas que é possível vencer. 

 

Eu digo para as famílias das pessoas que tem depressão, se mostrem solícitos, sejam empáticos, conservem e deem apoio, principalmente emocional, demonstrem que vocês estão do lado deles em todos os momentos

De fato, a história da universitária Thaylla Maiza Lopes dos Santos, 19 anos, é um exemplo disso. Aos 15 anos, em 2016, ela teve os primeiros sinais da depressão, que surgiram depois de constantes brigas entre seus pais dentro de casa.

 

“Eu comecei a entrar em pânico, escutava qualquer barulho já ficava com medo de alguma coisa acontecer e eles brigarem de novo, foi quando eu me isolei, parei de mexer no celular, eu não comia, emagreci 10 kg, só ficava deitada, eu cheguei a ficar só pele e osso, não conseguia mais me olhar no espelho, tinha medo de dormir e morrer, foi um momento muito ruim na minha vida”, relatou. 

 

Segundo Thaylla, ela não sabia detectar o que estava acontecendo e quem percebeu que se tratava de depressão foi sua mãe, que buscou ajuda profissional. A estudante conta que sua mãe marcou um psiquiatra pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e começou a fazer o tratamento com uso de remédios, só que durante esse período ela se sentia presa, porque a medicação ainda não tinha começado a fazer efeito, foi quando ela decidiu acabar com aquela dor. 

 

“Fui para o quintal da minha casa e avistei uma corda pressa na árvore e pensei não aguento mais, eu vou tirar minha vida, mas quando eu estava colocando a corda no meu pescoço minha cachorrinha de apenas cinco meses me puxou e me tirou dali, ela salvou minha vida e me fez refletir que eu estava me afundando e deixando a depressão me levar, chorei muito e pedi socorro para minha mãe, que me ajudou prontamente. Nesse período eu comecei a fazer terapias com psicólogos que me ajudou superar a doença”. 

 

Foto: Lucas Leite

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A universitária enfatiza que é possível fazer todo o tratamento para depressão pelo SUS e ressalta que os profissionais são, totalmente, preparados e competentes para ajudar na recuperação do paciente. O tratamento de Thaylla durou cerca de dois anos, com o uso de medicação controlada, terapias, atividades físicas e ajuda emocional dos seus pais e amigos, que foram cruciais para sua recuperação. “Durante o tratamento eu comecei a correr por orientação médica e se tornou rotina na minha vida. 

 

Eu corria todos os dias, me fazia muito bem, me ajudava a relaxar e eu conseguia dormir bem. O apoio do meu pai foi importante, ele sempre me levava para correr no parque. Eu corria cerca de 5 km por dia, a corrida fazia com que eu esvaziasse os turbilhões de pensamentos da minha cabeça e conseguia normalizar meu ritmo, que era agitado”. 

 

Hoje, a estudante de jornalismo conta que voltou a notar alguns sinais sutis da doença, por causa da pressão da faculdade, estágio, a vontade de ser uma boa profissional, medo de não entrar no mercado de trabalho na sua área, o que provoca uma mudança repentina no humor. Agora, a jovem não vai mais esperar os sintomas se agravarem e vai buscar ajuda profissional novamente. 

 

Preconceito 

 

A estudante afirma que há muito preconceito em relação a depressão. Os primeiros a julgarem são os próprios familiares, que por ignorância falam coisas do tipo “isso é falta de Deus”, “falta de amor próprio e vergonha na cara”, “têm que caçar o que fazer”.

 

“Mas eu digo que isso é uma doença da alma, do espírito, ninguém escolhe passar por essa situação, ninguém sabe a dor que é ter depressão, até sentir na pele, por isso eu digo para as famílias das pessoas que tem depressão, se mostrem solícitos, sejam empáticos, conservem e deem apoio, principalmente emocional, demonstrem que vocês estão do lado deles em todos os momentos e, acima de tudo, procurem ajuda medica assim vocês estarão contribuindo para recuperação”.

Atenção para a Rotina

 

Observar o comportamento emocional é muito importante. Se os níveis de estresse se tornar constantes no dia a dia e isso passar a refletir de forma negativa na vida, pode significar que é hora de buscar um cuidado maior com a saúde mental.

 

Thaylla manda um recado para as pessoas diagnosticadas com depressão. “Vocês precisam da ajuda de alguém, seja um familiar, amigo ou até mesmo um desconhecido, não é possível vencer a depressão sozinha, você precisa de ajuda, precisa se abrir com alguém. Peça ajuda, demonstre para as pessoas que você tem uma doença, porque sozinho, você só vai se afundar. Acima de tudo é preciso se tratar, procurar ajuda profissional, tem que fazer tratamento, as pessoas tem que entender que a depressão é uma doença”. 

 

Mato Grosso 

 

No Estado de Mato Grosso, 3,6% da população foi diagnóstica com depressão, o que equivale, aproximadamente, a 126 mil pessoas com este transtorno, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Hoje, o estado oferece tratamento de graça pela rede do SUS. Para os quadros mais agudos, os pacientes são atendidos pelo Centro de Atendimento Psicossocial (CPAs), presentes em 32 municípios.

 

A depressão também é atendida pela Rede Básica de Saúde, através da metodologia de promoção da saúde; pacientes diagnosticados também são atendidos pelo Projeto Terapêutico Singular. Quando o tratamento envolve tratamento terapêutico medicamentoso, o SUS oferece mediante prescrição médica.

 

Serviço

 

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também presta serviços de graça na prevenção ao suicídio e apoio emocional, em todo o Brasil. Todas as pessoas podem recorrer ao CVV para conversar sob total sigilo e anonimato. O contato pode ser por telefone pelo 188 que funciona 24 horas e sem custo de ligação ou pelo site www.cvv.org.br, por meio do chat e também e-mail.

 

Confira aqui a edição completa do Jornal do Ônibus

 

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