Quarta-feira, 24 de Julho de 2024

ARTIGOS Sexta-feira, 14 de Junho de 2024, 17:03 - A | A

Sexta-feira, 14 de Junho de 2024, 17h:03 - A | A

Roger Perisson

Arte da flexibilidade - do Direito ao Marketing em tempos efêmeros

Vivemos em uma época onde a constância é rara e a mudança é a norma. No Direito, os operadores da área frequentemente dizem que "tudo depende" – uma frase que reflete a complexidade e as nuances das leis e códigos que governam a nossa sociedade. Curiosamente, essa máxima é igualmente aplicável ao marketing de conteúdo.

Neste artigo, vamos explorar como a flexibilidade e a adaptabilidade são essenciais tanto no Direito quanto no Marketing, e como essa abordagem pode resultar em comunicações atemporais.

O que mudou? O entendimento de que a eficácia de uma peça de comunicação não depende apenas de seguir regras fixas, mas de adaptar-se ao público-alvo e ao momento cultural.

A comparação entre Direito e Marketing, em se tratando de advogados e juristas sabem que cada caso é único e que as interpretações das leis podem variar. O mesmo princípio se aplica ao marketing. Apesar das inúmeras fórmulas e estratégias proclamadas por gurus do marketing digital, a realidade é que "tudo depende" do contexto específico em que a marca ou a campanha se encontra.

Fator da Efemeridade - Há alguns anos, as regras de design eram rígidas, usar mais de duas tipologias em um layout era criticado. Hoje, vemos layouts fantásticos que utilizam três ou até quatro tipologias diferentes, criando peças visualmente impactantes.

O que mudou? O entendimento de que a eficácia de uma peça de comunicação não depende apenas de seguir regras fixas, mas de adaptar-se ao público-alvo e ao momento cultural.

Exemplos práticos - Tipologias e Design Gráfico
Antes: Regras estritas limitavam o uso de tipologias.
Agora: A criatividade e a experimentação são valorizadas. Por exemplo, marcas como Nike e Coca-Cola utilizam múltiplas tipologias em suas campanhas, desafiando normas antigas e capturando a atenção do público.

Fotografia e Texturas
Antes: Fotografia comercial seguia padrões rígidos de iluminação e composição.
Agora: O uso de filtros, texturas e composições não convencionais são a norma, com campanhas que utilizam fotos de smartphones para criar uma sensação de autenticidade e proximidade, como visto em campanhas da Apple.

Cores
Antes: Paletas de cores limitadas eram vistas como profissionais.
Agora: A experimentação com cores vibrantes e contrastantes é comum. Campanhas de marcas como Spotify são exemplos de como o uso ousado de cores pode ser eficaz e memorável.

Opinião dos especialistas - De acordo com Seth Godin, um dos maiores nomes do marketing contemporâneo, "Marketing is no longer about the stuff that you make, but about the stories you tell."Essa citação reflete a necessidade de flexibilidade e de adaptação constante às novas formas de contar histórias e se conectar com o público.

Ann Handley, autora renomada na área de marketing de conteúdo, também destaca que "Good content isn’t about good storytelling. It’s about telling a true story well." A autenticidade e a relevância são cruciais, e isso exige uma compreensão profunda do contexto e do público.

Em tempos onde tudo é efêmero, a chave para o sucesso no marketing de conteúdo é a adaptabilidade. Assim como no Direito, onde as interpretações e as aplicações das leis dependem do contexto, no marketing, a eficácia de uma estratégia depende de sua capacidade de se moldar às necessidades e expectativas do público.

Assim, não se trata de seguir fórmulas fixas, mas de entender o momento presente e criar comunicações que possam, talvez, se tornar atemporais. 

Roger Perisson é profissional de marketing, com 18 anos de atuação e de experiência de mercado