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ARTIGOS Quarta-feira, 27 de Novembro de 2019, 09:22 - A | A

Câmara dos deputados: poço sem fundo

João Edisom de Souza

No Brasil tudo é caro. O poder é caro porque estar no poder virou meio de vida, profissão. Acontece que de todos os poderes constituídos, nada é mais absurdo que a Câmara dos Deputados. Primeiro pelo número de deputados, 513. Temos municípios no Brasil que tem menos habitantes que deputados federais em Brasília. Neste caso os dois estão errados.

 

Este número exagerado tem trabalhado contra qualquer entendimento lúcido devido aos inúmeros interesses econômicos, ideológicos ou de poderes, inclusive os difusos. Segundo o Portal de Transparência só neste ano a Câmara dos Deputados já fizeram 388 sessões de plenário, 1.847 reuniões das comissões permanentes, 480 reuniões de comissões temporárias, dentre tantas andanças por corredores e bate-boca. Sabe quanto nos custou? R$ 4,62 bilhões, o que corresponde a 73,94% do orçamento previsto para ser gasto até 31 de dezembro de 2019. 

 

O resultado é absurdo, porque de efetivo e grande até agora só fizeram a Reforma da Previdência. Mesmo assim foi mal e porcamente, uma vez que destroçaram ela toda e para nada, só penalizaram o trabalhador de baixa renda, preservaram os mega super salários, protegeram as corporações e foram covardes ao ponto, por exemplo, de não incluir os estados e municípios na reforma simplesmente para não sofrerem desgaste nas suas bases eleitorais. Esta negligencia fez com que aumentasse o custo Brasil, uma vez que exige agora de governadores estaduais esforço redobrado e despesas desnecessárias para construir suas próprias leis de previdência. 

 

Devido ao acovardamento negligente de seus 513 membros, a um retardamento na base justamente onde a população vive, que são os estados e municípios. Só para refrescar a memória e sem entrar no mérito de qual seria a decisão: pacote anticrime? Nada até agora! Revisão da lei de armamento? Nada até agora! Reforma tributária? Nada até agora! Reforma administrativa? Nada até agora. Projeto de Lei da prisão em segunda instância? Nada até agora! Em 2020 tem eleições municipais. Alguém acredita que irão trabalhar? Detalhando o custo para você entender: em 2019, na legislatura número 56, que é essa que tomou pose este ano, já foram gastos, na soma de todos os deputados, com cota: R$ 146.795.767,60; verba de gabinete: R$ 474.709.421,26; auxílio-moradia: R$ 6.405.839,38; viagens oficiais: R$ 5.518.842,80. Preste atenção que não estou tratando aqui de funcionários e nem da remuneração dos próprios deputados. Não há nada mais caro do que você pagar por uma coisa que não funciona. Se funcionasse já seria caro, agora imagina não funcionado.



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