Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

ARTIGOS Terça-feira, 23 de Janeiro de 2024, 17:48 - A | A

Terça-feira, 23 de Janeiro de 2024, 17h:48 - A | A

GIOVANA FORTUNATO

Janeiro Verde e a conscientização sobre câncer do colo do útero

A campanha Janeiro Verde é um alerta para toda a população, principalmente para as mulheres, sobre o câncer do colo de útero. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) essa doença é a terceira mais incidente na população feminina brasileira, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma. doença vai atingir mais de 17 mil mulheres por ano no Brasil, entre 2023 e 2025, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Este tipo de câncer é um dos mais incidentes entre as mulheres brasileiras, com elevada prevalência e mortalidade no Norte e Nordeste do país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a estratégia global de eliminação do câncer de colo do útero: vacinação, rastreamento e tratamento da doença. A implementação bem sucedida destas três etapas poderia reduzir em mais de 40% o número de novos casos da doença até 2050.

O câncer do colo de útero é um tumor maligno que surge na região inferior do útero o colo do órgão que na maioria das vezes está relacionada a infecção crônica pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano), principalmente seus subtipos chamados de oncogênicos, sendo que, de acordo com o INCA, o 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos da doença.

Outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer estão o início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros, tabagismo, o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais e condições que diminuam a efetividade do sistema imune como, por exemplo, a AIDS.

A fase inicial para a maioria das pacientes acaba sendo assintomática e os sintomas aparecem conforme a localização e a extensão da doença. Corrimento vaginal amarelado e odor desagradável, até mesmo com sangue, sangramentos menstruais irregulares, dores em região baixo ventre e sangramento após relação sexual são alguns sintomas.

Anemia, dores pélvicas com intensidade forte, dores na região lombar, alterações miccionais e no hábito intestinal são outros sintomas que aparecem em estágios mais avançados.

É fato que o diagnóstico precoce salva vidas, mas caso a mulher seja acometida pela doença, o tratamento seguirá alguns critérios, principalmente, se a paciente possui o desejo de ser mãe.

Nas fases iniciais o tratamento é cirúrgico. Quando este não é possível, a associação de quimioterapia com radioterapia é efetiva na terapêutica. Na doença avançada e que atinge outros órgãos há possibilidade de quimioterapia para controle. A imunoterapia tem sido uma nova arma contra a doença, porém ainda sem acesso no sistema público. Dependendo de como realizar o tratamento, a mulher pode ser mãe. Porém, na medida em que envolve o útero pode haver dificuldade em uma possibilidade de gestação no futuro.

A prevenção está relacionada diretamente à diminuição do risco de contágio pelo HPV, que ocorre pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada. A via sexual é a principal, por isso, é indicado que o uso de preservativo seja feito para diminuir o risco de transmissão e infecção.

A vacina contra o HPV também é uma importante arma para combater o câncer do colo do útero. A vacina é indicada para meninas de 9 a 14 anos, e meninos de 11 a 14 anos.

A vacinação é a principal arma contra este câncer sendo essa uma das prioridades das diretrizes da Organização Mundial da Saúde(OMS) para a doença. A OMS reconhece a doença como um problema de saúde pública e estabeleceu que todos os países “devem alcançar e manter uma taxa de incidência de menos de 4 novos casos de câncer do colo do útero por 100.000 mulheres por ano” até o fim da década.

As consultas periódicas aos ginecologistas são essenciais para um diagnóstico precoce da doença. Em casos de suspeitas de que a mulher possa estar com câncer do colo de útero, é necessário o encaminhamento a um hospital especializado de referência.

O principal desafio é garantir um diagnóstico mais precoce da doença, para termos mais sucesso com os tratamentos que têm evoluído, com a utilização de novas drogas, que melhoram o prognóstico da doença avançada, como a imunoterapia, que tem sido incorporada no tratamento do câncer de colo uterino metastático.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HUJM e especialista em endometriose e infertilidade no Instituto Eladium, em Cuiabá (MT).