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POLÍTICA Segunda-feira, 07 de Dezembro de 2020, 16:53 - A | A

Segunda-feira, 07 de Dezembro de 2020, 16h:53 - A | A

SAIU NO FANTASTICO

Juíza tira filho de enfermeira por sua atuação na linha de frente contra Covid-19 em MT

Marisa Batalha/O Bom da Notícia

Neste último domingo(06), o programa Fantástico, da Rede Globo, trouxe matéria, com depoimento comovente de uma enfermeira que trabalha no Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá. 

Trabalhando na linha de frente, inicialmente, contra a Covid-19, a profissional de saúde que teria optado em deixar, neste período, seu filho com o pai, no Paraná, como forma de resguarda-lo, acabou sendo surpreendida com a decisão de uma juíza[também do Sul do País], de lhe tirar a guarda, à pedido do pai, que é DJ e técnico de informática.

E que o imbróglio judicial transcende a mera discussão em torno da atuação da genitora em frente à pandemia, mas que está relacionado à preserrvação dos direitos fundamentais da criança, tais quais o seu direito à vida e à saúde.

Questionado sobre a ação interposta na Justiça - que teve como justificativa a profissão da mãe e o risco por conta do coronavírus, o que foi acatado, aliás, pela magistrada -, o técnico de informática argumentou, por meio de nota, que as alegações que tem sido usadas pela da mãe da criança, quanto a proibição de manter contato com o filho de sete anos, seja presencial ou virtual não seriam verídicas.

"E que o imbróglio judicial transcende a mera discussão em torno da atuação da genitora em frente à pandemia, mas que está relacionado à preservação dos direitos fundamentais da criança, tais quais o seu direito à vida e à saúde".

De acordo com Antônio César Ribeiro, presidente do Conselho Regional de Enfermagem em Mato Grosso, 82% da enfermagem é constituida por mulheres, 49% delas são chefe de família, assim, 'imputar a inabilidade ou incapacidade destas profissionais de criar seus filhos em função do seu trabalho, criaria uma atmosfera absolutamente difícil".

O posicionamento de Ribeiro foi reforçado pelo Conselho Federal de Enfermagem(Cofen) que apontou a decisão da juíza, com uma uma 'violação humanitária não apenas contra a enfermeira de Mato Grosso e seu filho, mas contra todas as profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid-19'.

A enfermeira que está buscando na Justiça, a volta do garoto, à sua casa, ainda informa que desde setembro vem realizando trabalhos administrativos ou em home care, contudo, não entende a decisão da magistrada do Paraná, tendo em vista que existem cuidados e protocolos rígidos de proteção e que, claro, ela os seguem.

Ressaltando que vai precisar ficar um ano longe do filho, até esperar a audiência de conciliação, que ocorre ainda em abril do ano que vem. 'Vai dar um ano que não o vejo".

A enfermeira que teve seu nome mantido em sigilo, como o do filho e mesmo do pai, sobretudo, sem a veiculação de sua imagem, frisa que no começo não havia nenhum 'impedimento de falar com ele por vídeo, por telefone, mas começou a chegar um momento em que não conseguiu mais conversar com o garoto, sob a desculpa que ele ou não estava ou estaria ocupado'. Ainda lembrando que a magistrada concedeu tutela de urgência em primeira instância ao pai, sem nem ouvi-la.

Em trecho da ação, a juíza diz que como estaria "configurado o perigo de dano, sobretudo diante da profissão exercida pela mãe, enfermeira. E pelo fato de a pandemia da Covid-19 ainda não estar controlada em nenhum estado da Federação, o pai ficaria provisoriamente com a tutela do filho".

O Tribunal de Justiça do Paraná, por meio de nota, informou que a juíza não comenta processos que ainda não foram julgados. (Com informações da Globo)

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