icon Quinta-feira, 17 de Junho de 2021

POLÍTICA Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019, 12:23 - A | A

EM WHASTAPP

Selma:cassação foi recado para Moro e Dallagnol

Marisa Batalha - O Bom da Notícia

 Após a cassação de seu mandato nesta última terça-feira(10), no Tribunal Superior Eleitoral, a senadora por Mato Grosso, Selma Arruda (Podemos) fez um longo desabafo - em um áudio de 6 minutos e 42 segundos -, em um grupo de WhastApp de congressistas, que acabou sendo disseminado em vários outros grupos do aplicativo, país afora.

 

Nele, a juiza aposentada e ainda senadora garante que 'não volta para a política, nem que vaca tussa', que agora vai gozar de sua aposentadoria e que sua cassação teria sido um recado para impedir que o 'ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol entrem para a política'.

 

senadora garante que 'não volta para a política, nem que vaca tussa', que agora vai gozar de sua aposentadoria e que sua cassação teria sido um recado para impedir que o 'ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol entrem para a política

O aúdio, claro, foi parar nos principais portais de notícia do país e replicado em Mato Grosso.

 

Conhecida como 'Mouro de saias', Selma ganhou com uma estrondosa votação, se utilizando do mote anticorrupção. Assegurando nas urnas quase 680 mil votos, mais de 150 mil na capital. Nesta terça, ela foi condenada por abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha do ano passado.

 

No áudio, a senadora admite que 'toda guerra tem baixa', mas que ela foi pega como exemplo, em um recado claro que a Justiça supostamente teria mandado para Moro e Dallagnol. "[...]Eu sei que eu sou o exemplo que eles querem dar para Sérgio Moro e Dallagnol para não ousarem entrar para política. Me disseram isso, inclusive, os dois ministros que vem da advocacia, disseram que os ministros em geral não têm simpatia pelas pessoas que saem da Justiça e vão para a política. Portanto a gente sabe que o que aconteceu comigo foi um recado para o Moro[...]".

 

Sem esquecer sua mágoa, Selma agradece a colegas de Senado, entre eles Jorge Kajuru (Cidadania/GO) e Major Olímpio (PSL/SP) por estarem no TSE ao seu lado no dia do julgamento; torce para que Álvaro Dias (Podemos/PR) seja o próximo presidente do Brasil e agradece Styvenson Valentim (Solidariedade/RN), Eduardo Girão (Podemos/CE) e Soraya Thronicke (PSL/MS), a quem chama de amigos e irmãos queridos.

 

E faz um alerta aos senadores que se atentem 'e que ela sirva de exemplo para eles'. Ainda que pouco adiante enalteça o ministro Edson Fachin, único dos sete ministros do TSE que se posicionou contra sua cassação. "O voto do Fachin lavou a minha alma. A única pessoa que leu esse processo. Graças a Deus não foi nenhum corrupto, graças a Deus foi um ministro decente".

 

E ainda diz que sai da política de cabeça erquida e de consciência tranquila. "[...]eu tentei. A gente sabe que alguém tem que sair fora dessa história. Fui eu, beleza, né? Tô ligada, não vou mais para a política, mas nem que a vaca tussa. Não contem comigo para mais nada nessa política. Agora vou aproveitar minha aposentadoria, como deveria ter feito antes, agora vou entregar os pontos[...]".

 

Entenda o caso

 

A juíza aposentada e senadora Selma Arruda teve o mandato cassado por 6 votos favoráveis e apenas um contrário, no final da noite desta terça, pelo Tribunal Superior Eleitoral, por caixa 2, abuso do poder econômico e arrecadação ilícita de recursos nas eleições de 2018.

 

Ainda foi decidido - por maioria - a realização imediata de novas eleições pela vacância da cadeira, cassação dos suplentes Gilberto Eglair Possamai e Clérie Fabiana Mendes e sua inelegibilidade por oito anos na política. Confirmando decisão de abril deste ano, quando por unanimidade o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, já tinha cassado seu mandato.

 

A decisão foi tomada no julgamento do recurso interposto por empresário do agronegócio, Carlos Fávaro, que nas últimas eleições ficou na terceira colocação no pleito. Ele buscava na ação ser empossado no cargo até o novo pleito.

 

O julgamento foi retomado nesta terça, após julgamento suspenso e remarcado pela ministra e presidente do TSE, Rose Weber. A senadora mato-grossense já entrou na noite desta terça, na Corte, em desvantagem, após o relator do processo - o ministro Og Fernandes -, votar no último dia 3 de dezembro pelo fim de seu cargo no Congresso. Ao entender que juíza aposentada praticou caixa 2 e abuso de poder econômico na campanha de 2018. Avalizando a decisão da Justiça Eleitoral de Mato Grosso que já havia se posicionado a favor de sua saída do Senado da República.

 

A leitura do voto pelo ministro durou mais de duras horas e meia e, pouco antes da meia-noite, foi suspenso. Nesta terça mais seis ministros se posicionarão quanto ao recurso impetrado por ela, contra a decisão estadual.

 

A senadora que se filiou recentemente ao Podemos após desentendimentos no PSL, partido que lhe deu a vitória nas urnas em 2018, teve quase 680 mil votos em Mato Grosso, com uma campanha que teve como mote o combate a corrupção. Conhecida como a 'Moro de saias', a decisão do TSE nesta terça interrompeu sua carreira política de forma abrupta.

 

Em abril, o TRE-MT já havia selado seu destino sob a acusação de que antes do início da campanha oficial, Selma Arruda recebeu um empréstimo de seu suplente, o fazendeiro Gilberto Possamai, no valor de R$ 1,5 milhão - a soma não foi informada à Justiça Eleitoral. Com este dinheiro, ela contratou empresas de pesquisas e de marketing antes do início empresas de pesquisas e de marketing antes do início da campanha formal.

 

Votaram de acordo com o TRE-MT, além do relator Og Fernandes, a presidente Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Sérgio Banhos, Luis Felipe Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Somente Edson Fachin foi contra a cassação da senadora de Mato Grosso.

 

Após a decisão, a senadora divulgou uma nota na qual afirmou que "vontades políticas" prevaleceram e que ela "sofreu as consequências pelas ações desempenhadas durante sua atuação na magistratura de Mato Grosso".

 

Veja áudio abaixo

Anexos



Imprimir

Comentários