Quinta-feira, 25 de Julho de 2024

POLÍTICA Sexta-feira, 14 de Junho de 2024, 14:22 - A | A

Sexta-feira, 14 de Junho de 2024, 14h:22 - A | A

APÓS CASSAÇÃO

Vereadora denuncia perseguição e quer reverter cassação para 'peitar' disputa à Prefeitura de Chapada

Silvano Costa/Marisa Batalha/O Bom da Notícia

A ex-vereadora tucana Fabiana Nascimento revelou esta semana, no Cast do Bom, em bate-papo com as jornalistas Marisa Batalha, diretora de redação do portal O Bom da Notícia, e Michele Figueiredo apresentadora do Jornal da Cultura, na Rádio Cultura FM 90.7, que mesmo cassada pela Câmara de Chapada dos Guimarães (68 km distante de Cuiabá), no final do mês passado, ela pode disputar a prefeitura da cidade, nas eleições deste ano.

E enfrentar, sobretudo, o ex-secretário Gilberto Mello, do PL, pré-candidato declarado e responsável pela denúncia que resultou na perda de seu mandato no parlamento. Ao acusá-la de ter advogado em três processos contra o município, o que é vedado pela Lei Orgânica Municipal e pelo regimento da OAB-MT. Mesmo que o Ministério Público estadual e a própria Ordem dos Advogados do Brasil - secção de Mato Grosso, tenham se manifestado a seu favor, afirmando que não havia nada que desabonasse sua conduta, uma vez que a parlamentar não advogou contra o município.

Fabiana vem apontando perseguição ininterrupta dos seus colegas de Casa de Leis para lhe tirar o mandato desde o ano passado, já que esta foi a segunda vez que a Câmara cassou seu cargo. E que esta violência política de gênero tem sido um recado claro de companheiros de Casa de Leis a mando do ex-secretário, que a intenção é tirá-la da eleição municipal que acontece em outubro.

"Ainda estamos resolvendo junto com os advogados responsáveis pelo caso e, internamente no meu partido, o PSDB, a viabilidade da candidatura. Assim, se saio à reeleição ou disputo a Prefeitura de Chapada. Uma coisa é certa eu vou recorrer, vou lutar contra o sistema. O interesse é me tirar da concorrência desse ano, tanto para uma reeleição quanto para uma possível candidatura à prefeitura", afirmou.

Contudo, claro, a vereadora chapadense teme que mesmo que ela consiga reverter na Justiça a suspensão do mandato, a demora do processo possa impedi-la de participar da eleição deste ano. Para reverter o quanto antes o seu processo de cassação, a vereadora protocolou nesta última quinta-feira (13), pedido de providência à Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa em razão da violência política de gênero sofrida no município.

O documento foi recebido pela deputada estadual Janaina Riva (MDB) e pela procuradora Francielle Claudino Brustolin. Paralelamente, protocolou também ação na Justiça para reverter a perda de sua cadeira na Câmara, sob o argumento que a perseguição pelo grupo da base liderada pelo ex-secretário Gilberto Mello é nítida e truculenta, e que estaria, inclusive, sendo apoiada pelo prefeito Osmar Froner(UB).

"O interesse deles é me tirar do páreo. Pois a Fabiana não advogou contra o município, então o que queremos e conseguimos foi tirar ela do pleito para ela não concorrer às eleições municipais", ao admitir que os dois processos de que foi alvo a teriam abalado psicologicamente, o que pode ser confirmado por laudo médico. 

“É muito cruel, nunca imaginei que isto pudesse acontecer comigo, nem com ninguém. A gente vê que tem uma perseguição, a gente vê que existe esse enfrentamento contra as mulheres, mas meu Deus, não a esse ponto. Nunca imaginei que passaria pelo que estou passando no sentido de fazer valer qualquer coisa para me cassar. Jamais pensei que alguém pudesse chegar a esse nível de crueldade".  

No bate-papo, Fabiana Nascimento deixou bem claro o quanto todo este processo tem lhe feito mal, entretanto, por outro lado, fica feliz por receber tamanho apoio da população de Chapada e que isto, literalmente, a tem mantido forte e de pé.

A conduta adotada contra Fabiana - tanto pelo ex-secretário como pelos vereadores - desrespeita não só a Convenção Interamericana para Prevenir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará), como a Lei 14.192, de 4 de agosto de 2021, conhecida como Lei da Violência Política de Gênero.

Veja entrevista na íntegra