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PRÊMIO PROFESSORES DO BRASIL 20.07.2019 | 07h:00

Professora de MT denuncia fraude em concurso do MEC e diz ter sido enganada por colega

Por: Ana Adélia Jácomo

Oito meses depois de um projeto criado em uma escola municipal de Cuiabá ser vencedor do 11º Prêmio Professores do Brasil, uma professora vem a público acusar a vencedora do concurso nacional de fraude. 

 

Ocorre que o projeto “Se as mulheres não têm voz o seu grito não tem som”, inscrito pela professora Célia Dione Macedo Silva, recebeu o primeiro lugar na disputa, com prêmio de R$ 7 mil e uma viagem, de uma semana, ao Canadá.

 

A proposta foi elaborada na Emeb Jesus Criança, localizada no Bairro Nova Esperança II, na região do Pedra 90, em Cuiabá.

 

No entanto, a professora Jeanne Rodrigues Bittencourt, que está afastada da sala de aula por problemas de saúde, estando em readaptação de função, mas que mantém um trabalho pedagógico na unidade de ensino, denunciou ao O Bom da Notícia, que a ideia e elaboração do projeto foram de sua autoria. 

 

Ela alega que foi enganada pela vencedora do projeto, uma vez que ambas trabalhavam juntas na escola e executaram o projeto como parceiras. Ao descobrir o edital do concurso, Célia teria dito que pelo fato de ela estar “readaptada”, não poderia se inscrever no concurso.

 

“Eu acreditei nela. Fui inocente em não conferir o edital, e permiti que ela se inscrevesse como autora do projeto, mas depois descobri que era mentira. E ela me disse que tinha lido errado no edital, e que não era possível mais inserir meu nome como autora”, disse ela. 

 

Jeanne já protocolou uma denúncia no Ministério da Educação (MEC), no gabinete do ministro Abraham Weintraub e na Ouvidoria da Controladoria Geral da União (CGU). Ela será ouvida pela CGU em 15 de agosto. A professora ingressou com processo no Juizado Especial Cível ( n. 8040583-41.2019.811.0001) por apropriação intelectual e danos morais.

 

“Quando ela inscreveu o meu projeto no concurso, disse que como eu não poderia concorrer, e caso fosse vencedor, ela dividiria o prêmio comigo. Isso de fato aconteceu, pois quando vencemos ela me passou pouco mais de R$ 3 mil, no entanto, quanto a viagem ao Canadá ela sequer me informou, fiquei sabendo pelos noticiários. Somente após muitas cobranças recebi o valor devido pela viagem ao Canadá, relembrou ela”. 

 

Segundo Jeanne, o que a deixa mais chateada é o fato de que, após vencer o concurso, a professora passou a dar diversas entrevistas a veículos de comunicação sem citar que o projeto foi criado e elaborado por Jeanne. 

 

“É como se eu tivesse sido roubada, passada para trás. Ela nega que tem suprimido meu nome nas entrevistas, diz que são feitas edições, o que não é verdade, pois além de excluir o meu nome, exclui a comunidade onde o projeto foi realizado. Ela realmente fala como se o projeto fosse de sua autoria e desconsidera minha produção científica e a execução dos alunos no projeto”, reiterou. 

 

escola mt

Seminário promovido pela Secretaria Municipal de Educação, em 2018, no Hotel Fazenda MT, oportunidade em que os estudantes e a professora Jeanne apresentaram o projeto.

O PRÊMIO 

 

O 11º Prêmio Professores do Brasil foi realizado em 29 de novembro, no Rio de Janeiro. Criado em 2005, é voltado a professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula. Nesta edição, segundo o MEC, 4.040 professores de todo o país se inscreveram.

 

O prêmio é dividido em três etapas: estadual, regional e nacional. Na estadual, os três primeiros colocados em cada categoria receberam certificados, cabendo ao vencedor um troféu. Na regional, são R$ 7 mil, mais troféu e viagem oferecida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao MEC. Na categoria nacional, são R$ 5 mil e troféu. 

 

O PROJETO 

 

Segundo Jeanne, há diversas provas documentais, como e-mails, mensagens de celular e até mesmo gravações de áudios que provam sua autoria e criação do projeto.

 

A proposta da professora era de criar um diálogo com os alunos daquela unidade de ensino sobre a violência contra as mulheres, que pudesse envolver estudantes do ensino fundamental e do grupo EJA (Educação para Jovens e Adultos). O lançamento do projeto ocorreu em 9 de março de 2018, embora sua elaboração teve início no ano de 2017. 

 

Jeanne afirma que Célia colaborou sim, na execução do projeto mas sua efetiva participação iniciou-se após toda organização da ideia central da proposta. Segundo ela, diversos educadores colaboraram com o projeto, não sendo de forma alguma, sua autoria sido questionada na época. 

 

O OUTRO LADO 

 

A reportagem tentou manter contato telefônico com a vencedora do projeto, mas até a publicação desta reportagem ela não havia atendido ou retornado aos telefonemas. Foi feito contato pelo aplicativo WhatsApp, mas apesar de as mensagens terem sido visualisadas, não obtivemos respostas. O espaço segue em aberto para suas manifestações.

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