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CIDADES Segunda-feira, 15 de Maio de 2023, 16:25 - A | A

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CUIABÁ

Baixa vacinação pode resultar em retorno dos casos de paralisia infantil

O Bom da Notícia/ Com Assesssoria

Uma vida em cadeira de rodas e dores emocionais poderiam ter sido evitadas para José Carlos, 64 anos. Servidor da Câmara de Cuiabá, o Pechincha, é conhecido pela simpatia e pelo carisma, mas revela que apesar da alegria que expressa, as dores em lidar com a deficiência o acompanharam a vida toda.

Ele foi vítima da poliomielite, ou paralisia infantil, uma doença altamente contagiosa e que, apesar de ter vacina, corre o risco de voltar ao país. Como agravante, Cuiabá ainda está entre os locais com menor cobertura vacinal.

Enquanto o país está sob alerta de pesquisadores com cobertura vacinal de 77%, Cuiabá apresenta 67%, dez pontos percentuais abaixo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cobertura vacinal de 95% para impedir a circulação do vírus e, na semana passada, pesquisadores da Fiocruz publicaram alerta para o risco de casos em território nacional. O comunicado foi feito após a confirmação de caso em Loreto, no Peru, o que aumentou a vigilância nas fronteiras. Não eram registrados casos da pólio no continente há 30 anos.

A preocupação com o possível retorno da doença foi tema de manifestação do vereador Fellipe Corrêa (Cidadania), que enviou ofício à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) solicitando reforço na vacinação de crianças, incluindo ações como campanhas e busca ativa.

”Uma doença muito mais perigosa, que está rondando Cuiabá, altamente contagiosa, sem cura, sem tratamento, muito mais séria do que a pandemia de Covid que nós vimos. A poliomielite, mais conhecida como paralisia infantil, foi erradicada da América do Sul há três décadas, e é por isso que as pessoas não têm mais medo, porque não convivem com esta terrível doença”, afirmou o parlamentar.

A vacina, que poderia ter evitado a deficiência do servidor público Pechincha, ainda não estava disponível em sua cidade quando foi acometido pela pólio. Ele conta que o trauma o segue, mesmo após décadas e que sua mãe também sofreu muito, carregando o sentimento de culpa por muito tempo.

“Eu não conseguia ficar de pé, a perna toda atrofiada. Fizemos oito cirurgias, sofri muito. Numa delas eu tive choque anafilático, fiquei em coma. Minha mãe até a morte dela se condenou por causa da minha deficiência porque ela achou que era culpa dela, de não ter chegado a tempo. Eu falo isso para chamar a atenção dos pais, para que não queiram isso para os filhos, até porque a primeira discriminação que o deficiente sofre na vida é da própria família, ou com abandono ou com superproteção”, conta Pachincha.

O caso do servidor foi levado à Tribuna da Câmara de Cuiabá pelo vereador Fellipe Corrêa, que aproveitou para lembrar que “diferente do caso do nosso servidor, que não tinha vacina disponível e por isso foi vitimado, todos os postos de saúde de Cuiabá têm vacina contra pólio, das 7h às 11h e das 13h às 17h, basta levar o bebê, a criança lá para tomar vacina”.

Saiba mais sobre Poliomielite (paralisia infantil)

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada por um vírus que vive no intestino, chamado poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas infectadas e provocar ou não paralisia. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

Transmissão: A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, por meio de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

Sintomas: Os sintomas mais frequentes são febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite. Nas formas mais graves instala-se a flacidez muscular, que afeta, em regra, um dos membros inferiores.

Tratamento: Não existe tratamento específico, todas as vítimas de contágio devem ser hospitalizadas, recebendo tratamento dos sintomas, de acordo com o quadro clínico do paciente.

Sequelas: As sequelas da poliomielite estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus, normalmente são motoras e não tem cura. As principais são:

– problemas e dores nas articulações;
– pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão;
– crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose;
– osteoporose;
– paralisia de uma das pernas;
– paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta;
– dificuldade de falar;
– atrofia muscular;
– hipersensibilidade ao toque.

As sequelas da poliomielite são tratadas através de fisioterapia, por meio da realização de exercícios que ajudam a desenvolver a força dos músculos afetados, além de ajudar na postura, melhorando assim a qualidade de vida e diminuindo os efeitos das sequelas. Além disso, pode ser indicado o uso de medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações.

Prevenção: A vacinação é a única forma de prevenção da poliomielite. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. O esquema vacinal contra a poliomielite é de três doses da vacina injetável – VIP (aos 2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente – VOP (gotinha).