Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

POLÍTICA Quinta-feira, 16 de Março de 2023, 11:06 - A | A

Quinta-feira, 16 de Março de 2023, 11h:06 - A | A

DEU NO UOL

À PF, aposentada aponta Coronel Fernanda mais dois pela organização da viagem para ato de 8 de janeiro

Gizela Cristina Bohrer diz ter embarcado em um ônibus gratuito e que a caravana foi organizada pela deputada mato-grossense

UOL

Matéria veiculada pelo UOL nesta quarta-feira(15 de março), aponta depoimento de uma mato-grossense - Gizela Cristina Bohrer, 60 anos, aposentada e residente em Barra do Garças, no leste do Estado -, onde revela à Polícia Federal que teria chegado à Brasília, às vésperas do ato de 8 de janeiro, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e destruídos, por meio de um ônibus gratuito.

Ao apontar que a caravana supostamente teria sido organizada pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), policial militar eleita para seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Ainda pela candidata a deputada federal Analady Carneiro da Silva (PTB-MT), que não se elegeu, e pelo candidato a deputado estadual Rafael Yonekubo (PTB-MT), que ficou como suplente.

"Os três coordenam grupos de WhatsApp e organizam caravanas para Brasília já há dois anos; que tais caravanas tinham por objetivo o apoio ao então Presidente Bolsonaro, tais como fizeram por ocasião dos desfiles de 7 de setembro e 15 de novembro de 2021 e 2022" disse a barra-garcense, ao ainda assegurar que 'todo mundo que vem nesses ônibus vem de graça e recebe todas as refeições de gratuitamente'.

Além de citar os nomes deles, Gizela apresentou em seu depoimento os números de telefones dos três, que ainda são usados por eles. Ao ser detida, a depoente teve seu celular apreendido e forneceu a senha aos investigadores, para permitir o aprofundamento das investigações.

O depoimento de Gizela Cristina Bohrer faz parte dos mil depoimentos sigilosos que o portal UOL teve acesso e analisou durante a última semana - prestados à PF por extremistas presos no acampamento antidemocrático no quartel-general do Exército. Procurados, os três citados negaram participação no fretamento de caravanas para o dia 8 de janeiro.

Outro lado

Ao portal UOL, a deputada Coronel Fernanda negou ter organizado ônibus para o ato do 8 de janeiro e disse que estava em Mato Grosso nessa data. "Em anos anteriores, quando tivemos aqueles primeiros movimentos, como do 7 de setembro, todos nós ajudamos, mas em 2023, não. Não tenho participação e nem sei quem é essa pessoa que está falando", afirmou à coluna.

A PF já havia realizado busca e apreensão contra Analady Carneiro e Rafael Yonekubo em dezembro do ano passado, sob suspeita de que eles estavam incentivando a realização de atos antidemocráticos pelo país.

Questionados, Analady e Yonekubo negaram a organização de transporte para o dia 8. “Não fui nem organizei nada. Era meu casamento no dia 7 (de janeiro) e como eu já era alvo do ministro Alexandre de Moraes, eu não mexi com mais nada”, afirmou Yonekubo. Analady disse que havia viajado para Brasília em dezembro, mas que não participou das organizações para o 8 de janeiro. “Ela se confundiu”, disse.

É a primeira vez na investigação dos atos que parlamentares foram citados como possíveis organizadores das caravanas do 8 de janeiro.

A Procuradoria-Geral da República já havia solicitado ao Supremo Tribunal Federal inquéritos contra André Fernandes (PL/CE), Clarissa Tércio (PP/PE) e Silvia Waiãpi (PL/AP) por incitação aos atos de violência e vandalismo registrados em Brasília no último dia 8 de janeiro. Na ocasião, os três negaram terem incentivado a depredação das sedes dos Poderes.

Os órgãos de investigação ainda não definiram quais providências serão tomadas sobre as informações apresentadas no depoimento de Gizela a respeito da atuação da deputada Coronel Fernanda.

No depoimento, Gizela admitiu à PF que entrou nas instalações do Congresso Nacional durante o ato do dia 8 de janeiro, mas afirmou que 'não aprova invasões'.

Questionada sobre os responsáveis pela depredação, ela apenas afirmou que “acredita que quem fez o ‘quebra-quebra’ foram bandidos infiltrados”.

A reportagem sobre o tema ainda mostra que evangélicos presos após o ato antidemocrático relataram à políia terem viajado em ônibus organizados pelas igrejas.

A documentação inédita está sob análise da PF para o aprofundamento das investigações sobre os financiadores e organizadores dos atos antidemocráticos.