Sábado, 18 de Maio de 2024

POLÍTICA Quinta-feira, 11 de Abril de 2024, 12:56 - A | A

Quinta-feira, 11 de Abril de 2024, 12h:56 - A | A

MORTE DE MARIELLE

"Bandido bom é bandido preso, desde que não seja da minha turma", diz Maysa sobre votos de deputados

Marisa Batalha/O Bom da Notícia

Para a vereadora republicana Maysa Leão, a votação de parte da bancada de Mato Grosso, na Câmara de Deputados, pelo relaxamento da prisão do parlamentar Chiquinho Brazão, do Rio de Janeiro, realizada no início da noite desta quarta-feira (10), foi um recado claro para a sociedade que 'bandido bom é bandido preso, desde que não seja da minha turma'.

A declaração da vereadora foi dada nesta quinta-feira(11), à jornalistas, na Câmara de Cuiabá, ao falar da votação  no Congresso sobre o parlamentar carioca, preso no último dia 23 de março, suspeito de ser um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, do Psol, assassinada a tiros em 2018, tornando-se um símbolo da luta pelos direitos humanos no país.

Conforme Maysa, é inaceitável, incongruente e ficará marcado na história de Mato Grosso os votos dos deputados José Medeiros, Abílio Brunini, Amália Barros, Coronel Fernanda (todos do PL), e ainda do Coronel Assis (UB), em favor da soltura de um deputado envolvido com a milícia. Votaram pela manutenção da prisão do deputado carioca, os parlamentares mato-grossenses Emanuelzinho (MDB), Gisela Simona (UB) e Juarez Costa (MDB).

"Simplesmente é absurdo deputados de Mato Grosso se posicionar pela soltura de um deputado envolvido com a milícia, envolvido com um crime tão grave. Um crime que fere a nós políticos porque isso coloca em vulnerabilidade o desejo de pessoas idôneas, com pautas reais, de entrarem na política. Porque a vida de Marielle foi ceifada por interesses políticos. Precisamos, inclusive, aplaudir a deputada Gisela Simona que representou todas as mulheres, enfim, todos os cidadãos e cidadãs [...] Lugar de pessoa envolvida com milícia, com crime, com homicídio, não é no Parlamento. É uma vergonha ter visto os deputados votarem dessa forma e tentando justificar. Não é de narrativa que o povo precisa, mas de política pública".

A vereadora republicana ainda não titubeou, ao assegurar sobre o perigo que corre Cuiabá caso Abílio Brunini, um dos deputados federais que votou pelo relaxamento da prisão de Brazão, ganhe a queda de braço eleitoral na disputa pelo comando do Palácio Alencastro.

"Eu digo aqui meu posicionamento que já é de um bom tempo. Imagine se o deputado federal Abílio Brunini se tornar o prefeito de Cuiabá, ao que estaremos expostos?. Então a gente precisa ver que há uma incongruência, um excesso de narrativa e falta de política pública e coerência. Esse é o perigo que Cuiabá corre".

Outro lado

Criticado duramente nas redes sociais, onde sempre transitou com bastante propriedade, Abílio Brunini deverá ter um grande trabalho para justificar seu voto pela soltura do colega de Câmara. Mesmo que à imprensa, nesta quinta, o deputado e pré-candidato tenha garantindo que seu voto não arranhou a sua imagem.

E ainda que sua posição, favorável ao colega de parlamento, não teria nada a ver com o caso da morte da vereadora Marielle Franco, mas sobre a forma que o Judiciário tem agido com relação ao Legislativo.

"Eu acho que não pegou mal o fato de termos votado pela soltura do deputado e não tem nada a ver com o caso da Marielle. A questão em si é a forma que o Judiciário tem agido com relação ao Legislativo. Por exemplo, na Constituição Federal nos artigos 52 e 53 é bem claro sobre quando e como pode ser preso um deputado federal. Ele pode ser preso em flagrante ou em crimes inafiançáveis. Nessa circunstância comunica-se a Câmara e prende-se o deputado".

"O que a gente não pode é abrir precedentes como prender um deputado por meio de uma prisão preventiva sem apresentação de provas. Quando está em fase de inquérito, ou seja ainda no processo investigativo. Então essa decisão preventiva pode trazer um problema muito em breve. Porque abre um precedente de um ministro poder prender um outro deputado sobre qualquer justificativa, sem colocar provas sobre esta acusação [...] Agora se comprovado eu quero que o Chiquinho Brazão apodreça na cadeia pelo crime que ele cometeu, claro, se ele cometeu. Mas não podemos anteceder o processo administrativo e jurídico".

Entenda o caso

Na noite desta quarta-feira (10), foi aprovada por 277 votosa a manutenção da prisão do parlamentar federal Chiquinho Brazão, do Rio de Janeiro.asse preso. Ele foi preso no último dia 23 de março, suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.

Como a Constituição prevê que prisões de parlamentares no exercício do mandato têm de ser submetidas ao plenário, a Casa colocou o tema em pauta, nesta quarta, para ser apreciado. 

Chiquinho foi preso preventivamente e, igualmente, seu irmão, o conselheiro Domingos Brazão, do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ).