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POLÍTICA Terça-feira, 27 de Outubro de 2020, 16:47 - A | A

Terça-feira, 27 de Outubro de 2020, 16h:47 - A | A

VIDEO DISSEMINADO NAS REDES

Misael aponta edição em vídeo de suposta compra de voto e busca Justiça para proibir sua veiculação

Rafael Martins/ O Bom da Notícia

Presidente da Câmara de Cuiabá e candidato à reeleição, Misael Galvão (PTB), ingressou com uma representação na Justiça para que seja retirado da internet vídeos e notícias que mostram uma suposta compra de votos por dois homens que seriam ligados à sua campanha. 

A representação foi protocolada na 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá no domingo (25).

O vereador acionou os sites MidiaNews e Voz MT, o perfil do Instagram “jhonanfilofev23456”, além dos gigantes da tecnologia Google e o Facebook – que é responsável pelo WhatsApp e Instagram, para que o material seja imediatamente retirado.

Os vídeos foram, inicialmente, publicados pelo MidiaNews em reportagem veiculada no sábado (24). Neles, os homens chamados Daniel e Sandro, que seriam servidores da Câmara ligados a Misael, aparecem supostamente negociando apoio em troca pagamentos.
 
Em um dos vídeos, Sandro negociaria com um eleitor o pagamento de R$ 50 por semana por carro adesivado, e por placa de Misael colocada em frente à sua casa.

Segundo a defesa de Misael, o material teria sido editado, propositalmente, para ferir a imagem do presidente da Casa de Leis cuiabana e candidato à reeleição neste pleito.

“O que não pode ser admitido é um material tendencioso, com flagrante ilegalidade e uma veiculação disseminada de forma desordenada. Um vídeo editado e tendencioso, apta a incutir no eleitor a (falaciosa) impressão de que o autor tenha praticado tais condutas”.

Para a defesa, os vídeos levam ao eleitor a "uma falsa percepção da realidade" e por isso seria necessária a remoção imediata das redes. "Esta falsa percepção da realidade que é provocada pelo vídeo a que se atribui a pecha de ilegalidade. Conforme mencionado linhas acima, na exposição dos fatos, trata-se de vídeo com cheio de cortes e edições, além de se tratar de vídeo apócrifo, não datado, unilateral e anônimo", argumentaram os advogados.

Misael ainda afirmou que nos vídeos ele é apenas citado pelos homens, e não há nenhuma imagem que comprove a participação na suposta conduta que ele, sabe de antemão, que é vedada.

“Se mostra editado, apresentando cortes exatamente no fragmento em que se credita às pessoas gravadas o oferecimento de valores, além de se tratar de vídeo de origem unilateral, apócrifo e anônimo”, disse a defesa.

Na representação, a defesa de Misael admitiu que as imagens contêm denúncias “sérias e graves” sobre o pleito eleitoral. Mas afirmou que o candidato à reeleição nada tem a ver com as imagens.

Voto semanal

Em um dos vídeos, Sandro explica como funcionaria o suposto esquema. "Vou fazer o seguinte, vou liberar doze carros para você, R$ 50,00 por semana. Aí 'nóis' marca um dia pro adesivaço lá, adesiva os carros, e para você eu vejo uma coisinha por fora", afirma Sandro.

 
O homem pergunta: "Quanto?".
 
"Vai dar cinco semanas. Fica toda segunda-feira, eu passo pra você R$ 50,00 dos carros", diz Sandro.
 
"E as placas, como funciona?", questiona o homem.
 
"A placa é mais para quem não tem carro. Tipo assim, se eu pagar R$ 250,00 pro cara colocar placa, mais R$ 250,00 do carro, aí quebra 'nóis'", diz Sandro.
 
"Se eu colocar pro cara R$ 250,00 do carro, e 250 da placa, aí chega lá na casa do cara ele tem quatro votos. Aí to pagando quase R$ 120,00 por voto. Aí não compensa pra nóis, entendeu", diz Sandro.