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04.12.2019 | 10h:14

América do Sul e o ano de 2019

Por: João Edisom de Souza

Foto: Gláucia Almeida

Foto: Gláucia Almeida

Chegou dezembro de 2019 e possivelmente a América do Sul irá registrar na história como o ano dos conflitos de interesses diversos que colocaram o regime democrático dos países e o modelo governamental a prova. No Brasil, o ano começou com a posse do presidente Jair Bolsonaro, o primeiro eleito com discurso de enfrentamento das forças postas (esquerda e centro esquerda) desde a redemocratização ocorrida exatamente há 30 anos (1989). Porém, a consolidação deste governo ainda depende das reformas, que estão lentas e complicadas.

 

Na Venezuela houveram as maiores crises e confrontos de rua, tendo um presidente auto proclamado (Juan Guaidó) que, apesar dos diversos conflitos, não consegue subir ao trono nem tirar Nicolás Maduro do poder. Os conflitos e mortes ainda não cessaram. Na Colômbia houve a violência nas campanhas eleitorais municipais deste ano. 

 

Deixaram a marca de sete candidatos assassinados, oito vítimas de atentados, um sequestrado e outros 53 ameaçados. Em agosto os ex-líderes das Farc anunciaram uma ruptura com o acordo de paz. No Equador, tendo que lidar com uma situação econômica muito difícil e estando com uma popularidade baixa e sem perspectivas de reeleição, o presidente Lenin Moreno promoveu cortes drásticos dos subsídios aos combustíveis, resultando em vandalismo, saques e violência policial. No Paraguai a oposição e as ruas se mobilizaram para pedir o impeachment de Mario Benites, envolvido num escândalo que envolve a energia de Itaipú. 

 

No Peru, frustrado em suas tentativas de fazer reformas políticas e seguindo com sua agenda anticorrupção em um país cuja classe política foi amplamente afetada pela operação Lava Jato, o presidente Martin Vizcarra dissolveu o Congresso e pediu novas eleições com apoio popular. No Chile a indignação contra um aumento no preço da passagem do metrô em Santiago se transformou em um enorme movimento contra o governo de direita democraticamente eleito de Sebastián Piñera. 

 

Mais de 20 pessoas já morreram nos confrontos, centenas ficaram feridas e outras centenas foram detidas. O conflito segue sem data para acabar. Na Bolívia a presidente Evo Morales, através de uma manobra jurídica, disputou o quarto mandato. Após ele ter sido declarado vencedor em uma eleição coberta de suspeitas de fraude, a população foi às ruas e Morales acabou renunciando e se exilando no México. No vácuo de poder deixado pela renúncia de Morales e de sua linha sucessória, a senadora Jeanine Áñez assumiu o Executivo interinamente para convocar novas eleições. A Argentina vive uma profunda crise econômica que levou milhões à pobreza. 

 

O país elegeu um novo presidente ainda no primeiro turno. O ambiente, porém, está altamente polarizado. O presidente Maurício Macri deixa a Casa Rosada em dezembro para que os peronistas Alberto Fernández e sua vice Cristina Kirchner assumam o governo. Mais crises a vista. O Uruguai, o mais equilibrado de todos, nos surpreendeu, pois termina o ano com uma eleição que ficou quase empatada, demonstrando uma clara divisão onde os governistas perderam o poder depois de mais de quinze anos para um governo mais voltado a direita. Como veem, 2019 não será facilmente esquecido na América do Sul.

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