icon Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

ARTIGOS - A | + A

01.07.2019 | 15h:48

Colheita obrigatória

Por: Onofre Ribeiro

Reprodução

Reprodução

No correr da semana que passou, o governador Mauro Mendes enviou à Assembleia Legislativa um projeto que modifica os incentivos fiscais concedidos anteriormente no Estado, e mexeu nas alíquotas dos impostos sobre energia elétrica e uma série de outros produtos do comércio.        

 

É prerrogativa dele fazer isso. A questão que se levantou imediatamente foi os setores produtivos envolvidos não terem sido consultados e nem  ouvidos. O fato levou-os a se reunirem em emergência e tentar saída honrosa. Não deu certo. O governador não os ouviu.         

 

O fato implica na leitura obrigatória de que os setores produtivos no estado de Mato Grosso não possuem força política e tem pouca representação capaz de pressionar o governo e o governador. Quando digo força política não falo de ter representantes com mandato parlamentar. Falo da capacidade de articulação representativa e falo da construção de voz política junto á opinião pública e ao governo. Enfim, capacidade de serem ouvidos quando precisarem falar ou se manifestar. Seja pra reclamar, seja pra contribuir. Principalmente na capacidade de construir teses e ideias.         

 

Por que não tem força política? Por desunião e por timidez. Medo de se expor. Líderes com pouca percepção de que a política não é feita só por quem tem mandato parlamentar. Ao contrário. Quem tem mandato precisa ouvir quem não tem. Ora, uma federação classista forte, tem por trás de si a representação de muitas empresas. Isso é força política se formar um conjunto. Somando-se as federações com os sindicatos patronais, associações diversas de produtores de todos os setores, representam a maior força política no Estado.         

 

O conjunto é uma voz política. Funciona nas duas direções: cobrar e contribuir. Por que o governador Mauro Mendes não os ouviu? Porque está pressionadíssimo pelo custo e pelas dívidas da máquina pública. E por que ele não muda isso? Porque o sistema público é protegido por leis e normas que não permitem a qualquer governante fazer as cirurgias necessárias. Vira refém do mecanismo público.        

 

Os setores produtivos poderiam apoiá-lo como força política pra enfrentar o mecanismo. É um jogo duplo. Morde e assopra. Mas isso exige percepção estratégica e capacidade de articulação que pede competência, organização e desejo de contribuir com o Estado. E mais: despojamento político-partidário. A sociedade espera por alguém assim!         

 

O futuro da política estará nos braços da sociedade. Não mais nos braços confortáveis do Estado e dos seus políticos.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grossoonofreribeiro@onofreribeiro.com.br    

www.onofreribeiro.com.br

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

LEIA MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO

PROGRAMA TRIBUNA VEJA MAIS

O Bom da Notícia Programa Tribuna - 16/07/2019

INFORME PUBLICITÁRIO


INFORME PUBLICITÁRIO





icon COTAÇÕES MT
Boi a Vista R$/@ 135,00
Milho Disponível R$/sc 21,70
Soja Disponível R$/sc 57,00
Algodão R$/@ 90,09
Fonte: Imea







logo O bom da notícia

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte;

Copyright © 2018 - O Bom da Notícia - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet