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APARELHO RESPIRATÓRIO 08.07.2019 | 07h:00

Mais de 40% das internações no SUS são por pneumonia

Maioria dos pacientes tem de 0 a 4 anos e foi internada no Pronto-Socorro da Capital

Por: A Gazeta

Agência Brasil

Agência Brasil

Das 348 internações por doenças do aparelho respiratório (DAR) realizadas nas unidades de saúde pública de Cuiabá, no primeiro semestre deste ano, 153 foram decorrentes de pneumonia (43,9%). A maioria dos pacientes tinha de 0 a 4 anos de idade (44,44%), era do sexo masculino (54,24%) e foi internada no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (50,98%). Em 2018, o número de internações por DAR foi de 2.058, sendo 1.061 motivadas por pneumonia (51,55%).

 

Dados são da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS) que apontam que após as crianças, idosos são principais vítimas da pneumonia. Levantamento da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) aponta que um a 4 quatro brasileiros não sabe os sintomas da doença e 40% dos entrevistados informaram que não sabem a que médico recorrer caso adquira a infecção. 

 

Especialista enfatiza que a falta de informação e atraso no início do tratamento podem levar à morte. Recomendações para o manejo da Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) 2018 da SBPT aponta que a taxa de mortalidade pela doença está em queda, porém, a quantidade de internações e o alto custo do tratamento ainda são desafios para a saúde pública e a sociedade como um todo. 

 

Pneumologista ressalta importância das vacinas na prevenção e explica diferenças

Pneumologista Lucas Bello explica que a pneumonia atinge especialmente crianças e idosos. Para evitar que estes grupos adquiram a infecção é fundamental que mantenham a vacina contra a doença em dia. Ainda assim, Bello enfatiza que a imunização não previne contra todos os tipos de pneumonia, já que ela pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e até mesmo por substâncias agressivas ao pulmão, como fumaça e agrotóxico. 

 

Em se tratando da vacina, há também a diferença entre a aplicada na rede pública e na rede privada de saúde. Segundo o especialista, as vacinas pneumocócicas conjugadas protegem as crianças das doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite e otite média aguda. “A vacina pneumocócica conjugada (VPC 10), que está presente na rede pública, protege contra 10 subtipos de pneumococos. 

 

Já a vacina pneumocócica conjugada (VPC 13) protege contra 13 subtipos de pneumococos”. Bello diz que os principais pneumococos estão presentes na VPC10, mas, a VPC13 irá proteger contra mais 3 subtipos, fazendo com que ela seja uma opção interessante. Crianças com esquema completo de VPC10 podem se beneficiar com uma dose adicional de VPC13 com o objetivo de ampliar a proteção até 5 anos, respeitando o intervalo mínimo de dois meses da última dose.

 

Sintomas

 

Dificuldade para respirar, falta de ar, dor no peito, tosse com muito catarro e febre alta (de 39ºC acima) e persistente são os principais sintomas da pneumonia que, inclusive, podem se apresentar de forma isolada. O pneumologista explica que o diagnóstico da infecção causada por bactéria pode ser feito por um clínico geral ou um especialista através de exames, como raio-X do tórax, tomografia computadorizada do tórax, exame de sangue ou de catarro, por exemplo. 

 

Quando em crianças, os sintomas da pneumonia bacteriana podem ser um pouco mais específicos como respiração acelerada ou com ruídos, perda de apetite e recusa de se alimentar. “Já a pneumonia viral geralmente surge após uma simples gripe. Dor de garganta, de ouvido, no corpo e cabeça, além de coriza e espirros são os principais sintomas”, diz Bello.

 

O especialista lembra que atenção deve ser redobrada com pacientes que já possuem algum tipo de doença ou alergia do sistema respiratório. “Caso não diagnosticada e tratada em tempo, a pneumonia, assim como qualquer outra infecção, pode levar à morte”.

 

Pesadelo

 

A jornalista Alline Marques de Barros, 35, mãe do pequeno Leonardo Marques Barros, de 2 anos e 11 meses, relata o pesadelo vivido devido a uma pneumonia não diagnosticada no início. No dia 24 de maio o filho começou a passar mal na escola. “Quando fui buscá-lo, antes do horário, ele estava com vômito, febre, tosse, dor de ouvido e garganta”. Alline levou o filho à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipase, em Várzea Grande, no dia 26, após a febre persistir por mais de 3 dias, conforme os médicos recomendam.

 

Léo, como é chamado carinhosamente pelos familiares, fez um raio-x, que nada apontou. A jornalista lembra que, apesar da febre, a médica não pediu exame de sangue e passou apenas antiflamatório para garganta, xarope e remédio para o ouvido. Alegou ser um resfriado. “No entanto, ele não melhorou e a febre persistia, retornei à UPA no dia 29 de maio.

 

Neste momento meu filho alegava sentir muita dor abdominal”. Na ocasião, a médica que o atendeu solicitou a realização do exame de sangue e passou apenas remédio para cólica abdominal como buscopan, luftal, dramin e floratil, apesar de Léo não apresentar quadro de diarreia. “Como o atendimento é demorado e o exame levava mais de 4 horas para ficar pronto, ficou tarde e resolvemos retornar no dia seguinte, dia 30 de maio, para pegar o exame”. 

 

O exame de sangue deu todo alterado, desde os leucócitos (que é indicativo de infecção), como quadro de anemia. O outro médico pediu novo raio-X. Com este exame, o diagnóstico foi de que ele estava com uma “secreçãozinha no pulmão”. “Passou antibiótico para tomar em casa, ignorando o fato da anemia e que ele não estava aceitando a medicação devido ao vômito constante também”. 

 

Diante da situação, Alline resolveu pagar por uma consulta na rede privada de saúde. Na madrugada do dia 1º de junho Léo passou pelo atendimento e foi constatado um quadro de pneumonia grave avançada. O médico solicitou a internação, o encaminhando novamente para a UPA. A médica plantonista na unidade foi avisada ainda por telefone sobre a situação clínica de Léo. 

 

“Ao chegarmos a profissional já estava ciente do quadro dele e fez todos os encaminhamentos para internação, iniciando na hora a medicação de antibiótico na veia”. Sem vaga em Várzea Grande, a jornalista seguiu com o filho para a policlínica do Verdão, na capital, de onde foram encaminhados para o Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá. Após novo raio-X foi constatado que todo o pulmão direito de Léo estava comprometido pela pneumonia. 

 

“No dia 2 de junho, 7h da manhã, ele foi encaminhado para o centro cirúrgico para realizar a punção devido à constatação de um derrame pleural (líquido no pulmão). No mesmo dia ele teve que tomar sangue devido ao agravamento também da anemia, ignorada pelo médico da UPA”. A jornalista diz que se sentiu impotente diante de toda essa situação. 

 

“Cheguei a pensar que poderia perder meu filho e é um sentimento que não há palavras suficientes para descrever toda a angustia que sentimos”. Alline reconhece que não tem todo o conhecimento científico dos médicos, mas acredita que o agravamento do quadro do filho se deu pela demora de um diagnóstico correto. Tanto que tal situação resultou no surgimento de um abscesso no pulmão de 9 centímetros. 

 

“Em decorrência desta complicação ele está há mais de um mês internado e de acordo com o infectologista é possível que o tratamento se prolongue por mais 30 ou 40 dias devido à gravidade e ao risco de sequelas”.

 

Reportagem Elayne Mendes

 

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