O medo de se expor nas redes sociais, a comparação constante com grandes influenciadores e a insegurança diante do julgamento alheio foram os principais temas debatidos no mais recente episódio do O Bom da Vida, que recebeu integrantes da Casa dos Empreendedores Cuiabá para uma conversa aprofundada sobre comunicação, propósito e posicionamento digital.
O episódio, apresentado por Thaís Ribeiro e pela co-host Vanice Marques, reuniu os sócios Paulo Lemes, Matheus Borges e Éder Rodrigues em um debate que se distancia de fórmulas prontas de marketing digital e propõe uma reflexão mais humana sobre o uso das redes.
Para Éder Rodrigues, existem duas barreiras que aparecem de forma recorrente entre profissionais que desejam se comunicar melhor no ambiente digital: a comparação e o medo do julgamento. “A pessoa olha para grandes nomes da internet e acha que precisa repetir exatamente aquele formato. Esquece que essas pessoas passaram por um processo. A comparação trava quem está começando. Soma-se a isso o medo da opinião dos pares. O médico pensa mais no que outro médico vai achar, o advogado se preocupa mais com a opinião de outro advogado do que com quem está do outro lado ouvindo”, afirmou. Segundo ele, esse deslocamento de foco compromete a comunicação e afasta o profissional do público real que deseja alcançar.
A era da imagem e o medo da vulnerabilidade
Matheus Borges trouxe uma crítica direta à lógica da superexposição idealizada que marcou os primeiros anos das redes sociais. Para ele, a internet vive hoje uma transição importante.
Na avaliação dele, o valor de uma marca está justamente nas ‘marcas humanas’ que ela carrega, e negá-las enfraquece qualquer estratégia de comunicação. “A internet massificou a comunicação e expôs muito a imagem. Criou-se uma cultura em que todo mundo quer parecer vencedor, campeão, herói. Poucos querem parecer humanos. Só que é justamente a vulnerabilidade que torna alguém único. Quando você esconde quem é, no que acredita e o que te move, você rompe elos de conexão”, disse.
Naturalidade como vantagem competitiva
Durante o episódio, os convidados defenderam que o atual momento das redes favorece pessoas comuns, discursos verdadeiros e conexões reais, em oposição à superprodução técnica que dominava o ambiente digital anos atrás. “Hoje é a melhor fase para quem tem medo de câmera. As pessoas querem ver pessoas. Menos superprodução e mais verdade. O podcast, por exemplo, é um formato poderoso porque cria um espaço de conversa, olho no olho, onde a câmera quase desaparece. Isso gera conexão real”, afirmou Matheus.
Para ele, a busca atual do público está menos ligada à estética e mais à identificação.
Conhecimento com responsabilidade e execução
Paulo Lemes trouxe para a conversa sua trajetória como empresário e a defesa de um princípio que norteia sua atuação: conhecimento sem execução não gera transformação. “Conhecimento, para nós, é responsabilidade. Se você aprende algo que pode ajudar outras pessoas, você precisa compartilhar. Mas conhecimento sem aplicação não serve para nada. Ler livros, fazer cursos e não executar é só acúmulo vazio”, afirmou.
Segundo ele, a comunicação digital só faz sentido quando está conectada à verdade da história e à disposição de entrar em movimento, mesmo com medo.
Para a apresentadora Thaís Ribeiro, o episódio reforça o papel do podcast como espaço de escuta, profundidade e conexão, em contraste com a lógica acelerada das redes sociais.“A gente vive cercado de conteúdo rápido, mas com pouca troca real. O podcast permite algo raro hoje, que é sustentar uma conversa sem distrações. Quando isso acontece, as pessoas se reconhecem, se sentem seguras para ser quem são e entendem que não precisam performar um personagem”, destacou.
A co-host Vanice Marques acrescenta que a proposta do programa é justamente dar espaço a histórias reais, sem maquiagem discursiva. “O ‘O Bom da Vida’ nasce dessa intenção de valorizar conversas honestas, com pessoas reais, que vivem desafios parecidos com os de quem está em casa ouvindo. Quando a conversa é verdadeira, ela toca, orienta e inspira sem precisar ensinar”, afirmou.
Ao longo do episódio, os convidados defenderam que comunicar bem não é falar mais alto, mas falar com verdade, intenção e coerência. Para eles, o excesso de fórmulas e personagens artificiais nas redes sociais tem afastado profissionais da própria identidade.
A entrevista já está disponível nas plataformas digitais do podcast O Bom da Vida e integra uma série de episódios voltados à reflexão sobre comportamento, comunicação e propósito no mundo contemporâneo.
RECEBA DIARIAMENTE NOSSAS NOTÍCIAS NO WHATSAPP! GRUPO 1 - GRUPO 2


