O papa Leão XIV afirmou neste domingo (4) que a Venezuela deve continuar sendo um país independente e soberano, ao comentar os desdobramentos políticos após a deposição do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante a oração dominical na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis.
Segundo o pontífice, a situação venezuelana é acompanhada com “muita preocupação”, especialmente diante do aumento das tensões após a operação norte-americana realizada na madrugada de sábado (3), que resultou na captura de Maduro. Leão XIV destacou a necessidade de respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito, conforme previsto na Constituição da Venezuela.
“Não devemos demorar para superar a violência e trilhar os caminhos da justiça e da paz, garantindo a soberania do país”, afirmou o papa, em um apelo direto para que a crise seja resolvida por meios institucionais e pacíficos.
No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA assumiriam o controle da Venezuela após ordenar a operação que retirou Maduro do país. O ex-presidente venezuelano foi levado para Nova York, onde permanece detido e aguarda julgamento sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas.
Leão XIV, que já havia feito críticas a algumas políticas de direita adotadas por Trump, relembrou que, em dezembro, pediu publicamente ao presidente americano que não utilizasse força militar para depor Maduro. Para o papa, a intervenção externa agrava o sofrimento da população e ameaça a estabilidade regional.
“O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração”, concluiu o pontífice.


