Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026

POLÍTICA NACIONAL Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 11:34 - A | A

Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 11h:34 - A | A

ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS

Três anos após ataques aos Poderes, STF promove programação para marcar o 8 de janeiro

Redação do O Bom da Notícia

Três anos depois dos ataques que atingiram o coração da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, um evento institucional para relembrar a tentativa de ruptura democrática ocorrida em 2023. A iniciativa, batizada de “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, reúne exposição, exibição de documentário e debates com jornalistas e especialistas.

A programação começa no início da tarde com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, no Espaço do Servidor do STF. A mostra apresenta registros do processo de recuperação dos prédios e do trabalho de servidores após a depredação das sedes dos Três Poderes por grupos extremistas.

Na sequência, o Museu do STF recebe a exibição do documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”, que aborda os impactos institucionais e simbólicos dos ataques, além das ações adotadas para restaurar o funcionamento das instituições. O local também sediará uma roda de conversa com profissionais da imprensa sobre o papel do jornalismo na cobertura de episódios que ameaçam a democracia.

O encerramento ocorre no Salão Nobre do Supremo, com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, dedicada à reflexão sobre os desdobramentos políticos, jurídicos e sociais dos atos golpistas.

Ao relembrar a data em cerimônia anterior, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que os ataques de 8 de janeiro representaram a “face visível” de um movimento mais amplo e organizado para romper a ordem constitucional. Segundo ele, manter viva a memória do episódio é essencial para que o país avance sem apagar os fatos da história.

“Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui também um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história”, destacou o ministro.

Os atos de 8 de janeiro foram precedidos por uma série de mobilizações antidemocráticas iniciadas após o resultado das eleições de 30 de outubro de 2022, que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República. À época, grupos passaram a defender intervenção militar, bloquearam rodovias e montaram acampamentos em frente a quartéis em diversas cidades.

A escalada incluiu ainda a tentativa de explosão de uma bomba nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal após a queima de ônibus no dia da diplomação do presidente eleito.

Como resultado das investigações, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. De acordo com a decisão, Bolsonaro teria articulado uma conspiração para permanecer no poder após a derrota eleitoral, incluindo tentativas de convencer comandantes das Forças Armadas a aderirem a um plano para anular o resultado das urnas.