Segunda-feira, 16 de Março de 2026

POLÍTICA Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 10:53 - A | A

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CRISE NA SEGURANÇA

Vereador critica Mendes e diz que Estado está refém das facções criminosas

O Bom da Notícia/ com assessoria

O vereador policial federal Rafael Ranalli(PL), em reunião da Comissão de Segurança Pública da Câmara de Cuiabá nesta quinta-feira (12), criticou fortemente o governador Mauro Mendes(União). Em meio à repercussão da morte brutal da adolescente Stefanny Pereira Soares, de 17 anos, Ranalli associou o cenário de violência ao baixo efetivo policial e afirmou que Mato Grosso está “refém do crime organizado”.

Para o parlamentar, o Estado vende propaganda, mas falha no ponto mais sensível da crise, que é colocar policiais nas ruas em número suficiente para enfrentar o avanço das facções e a escalada de crimes violentos. Na sua fala, o policial federal citou o caso do adolescente em Cáceres, quando o adolescente de 14 anos, Murilo Pessoa Teixeira, foi assassinado a tiros em janeiro deste ano dentro de casa, após ser confundido com o irmão de 19 anos, que era o verdadeiro alvo dos criminosos. O caso foi tratado como execução ligada à dinâmica faccionada da cidade.

“O Mauro Mendes não gosta de polícia e quero que me convença ao contrário, não estamos refém do crime organizado? Não tem decapitações nesse Estado?”, disparou Ranalli(PL), ao criticar o número de convocados e dizer que a resposta do governo está muito abaixo do tamanho do problema.

A fala ocorreu num momento em que o governo estadual sustenta o discurso de reforço na segurança. No último dia 4 de março, Mauro Mendes anunciou a convocação de 1.122 profissionais para a Segurança Pública de Mato Grosso, sendo 369 policiais militares. O próprio governo apresentou a medida como ampliação do efetivo, enquanto grupos ligados aos aprovados seguem cobrando a chamada de mais remanescentes. O concurso da segurança de 2022 também teve a validade prorrogada até 2 de dezembro de 2026.

Foi justamente nesse ponto que Ranalli(PL) concentrou a crítica. Na avaliação dele, o chamamento anunciado pelo Palácio Paiaguás é insuficiente diante da dimensão territorial do estado e da sensação de insegurança nas cidades. Ao ironizar a distribuição do efetivo, o vereador afirmou que, diante dos 142 municípios mato-grossenses, a conta do governo parece tratar segurança pública como peça publicitária e não como política de Estado.

“Mas na hora de chamar o policial, chama 300, porque não gosta de servidor público, não gosta de polícia”, afirmou. Em outro trecho, o vereador ainda ironizou o alcance prático da medida. “Então parabéns Cuiabá, você ganhou mais dois policiais militares para cobrir toda a área nossa”.

Ranalli também criticou a estratégia política do governador e do núcleo da segurança pública. O policial federal citou decapitações registradas no estado e disse que a criminalidade segue impondo medo à população, afirmando que o governo vive isolado da realidade das ruas. “Somos reféns do crime organizado”, resumiu. Em Cáceres, um dos casos mais brutais dessa sequência de violência ocorreu em 1º de novembro do ano passado, quando o jovem Vinícius Henrique Tavares Macedo, de 19 anos, foi identificado pela polícia como vítima de uma execução com decapitação atribuída a integrantes do Comando Vermelho. Segundo as apurações, ele foi atraído para uma emboscada, assassinado com extrema violência e teve a cabeça localizada depois em uma sacola plástica, em outro ponto da cidade.

No centro da crítica política, Ranalli(PL) também acusou o governo de investir mais na construção de narrativa do que no enfrentamento concreto da crise. “Aí vai vir um monte de propaganda, é publicidade, é Instagram deles”, disse, ao atacar a vitrine institucional do Executivo e insinuar que o marketing oficial tenta encobrir a fragilidade do policiamento ostensivo.

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