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ARTIGOS Quarta-feira, 05 de Junho de 2024, 13:00 - A | A

Quarta-feira, 05 de Junho de 2024, 13h:00 - A | A

José Rodrigues Rocha Junior

Eleições de Cuiabá, o cenário que não se viu ainda!

Segue o jogo e mais uma pesquisa eleitoral foi publicada nesta última terça-feira, 4 de junho. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União), lidera a pesquisa realizada pelo Instituto MT Dados.

O parlamentar aparece com 38% na estimulada, seguido do deputado federal Abilio Brunini (PL) com 24%, enquanto o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) tem 13%. O levantamento aponta ainda Juca do Guaraná (MDB) com 2% e o empresário Reginaldo Teixeira (Novo) aparece em último com 1%.

Em março Botelho despontava como vencedor potencial já no primeiro turno. Ele liderava com 33% das intenções de voto, seguido por Abílio Brunini (PL) com 19% e Lúdio Cabral (PT) com 14%. Stopa (PV) e o deputado Juca do Guaraná Filho (MDB) receberam, respectivamente, 6% e 4% das intenções de voto.

Percebe-se claramente que o cenário ainda parece estável, mas pode não ser bem assim.

No Estado mais bolsonarista do Brasil, o presidente Lula (PT) teve quase 40% dos votos no segundo turno em Cuiabá.

Nos últimos dias algumas pedras têm se movimentado nesse tabuleiro e o jogo pode mudar substancialmente.

Primeiro, o grupo do governador Mauro Mendes (UB), apesar de fazer esforço para demonstrar apoio e coesão na campanha do deputado Eduardo Botelho, ainda não conseguiu unificar suas forças e trava uma disputa interna por força da escolha da vice-prefeitura.

Já apareceram vários nomes na imprensa da deputada federal Gisela Simona; ex-interventora da Saúde em Cuiabá, Danielle Pedroso Carmona Bertucini; Coronel PM Grasielle Bugalho, Secretária de Estado de Assistência Social e Cidadania; Tenente-coronel Hadassah Suzannah Beserra de Souza, Coordenadora Militar do TCE-MT; dentre vários outros.

Além disso, ainda existem as eleições de 2026 em segundo plano, onde o governador busca montar um tabuleiro favorável a construção do seu projeto de Senador da República e da manutenção do poder do Governo do Estado no seu grupo político, através do compromisso feito com o vice-governador Otaviano Pivetta.

Pois não é de hoje que o governador vem se manifestando sobre as pautas nacionais, preparando o território para sua campanha ao Senado. Não foi a primeira vez que os deputados federais e senadores ficaram sob a mira da crítica do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União). Ele voltou a criticar os parlamentares do Congresso Nacional, em declaração feita após o assassinato do sargento da PM, Odenil Alves.

Outro ponto interessante a mencionar, temos um cenário onde a polarização “direita x esquerda” perdeu força. E o radicalismo da direita, então existente no Estado mais bolsonarista no país, está se diminuindo. Os fãs alucinados, já não são tão obcecados nas falas e ações. Para além de tudo isso, as consequências do 08 de janeiro demonstraram que para toda ação existe uma reação, ou consequência jurídica. Isso deve produzir impacto direto nos votos do candidato deputado federal Abilio Brunini (PL).

Terceiro, nadando contra a corrente, dentro do seu próprio grupo, até para se exercitar, até conseguir se viabilizar, estava Lúdio Cabral (PT). Enfim, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) anunciou o deputado estadualcomo pré-candidato oficial à Prefeitura de Cuiabá. A definição ocorreu na manhã do último dia 31 de maio, durante reunião dos presidentes dos três partidos. Esse grupo também conta com o apoio do PSD.

Nas eleições de 2022, o resultado das urnas surpreendeu muitos analistas políticos de Mato Grosso, quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) divulgou o resultado, onde em Cuiabá o mais votado foi o deputado estadual Lúdio Cabral com 22.356 votos (6,9%) e em segundo o deputado estadual Botelho, com 16.778 votos (5,18%).

No Estado mais bolsonarista do Brasil, o presidente Lula (PT) teve quase 40% dos votos no segundo turno em Cuiabá.

Jair Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado para a Presidência da República em Cuiabá (MT). Ele recebeu 213.787 votos, o equivalente a 61,50% do total da cidade. Já Lula (PT) foi a escolha de 38,50% dos eleitores e recebeu 133.852 votos.

E o atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) afinal de contas, quem vai apoiar? O candidato do seu partido? Pelo resultado da pesquisa está óbvio que não. Pela movimentação política, fica claro para onde o prefeito caminha.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União), pré-candidato a prefeito de Cuiabá, não se cansa de fazer críticas ao prefeito. Na última, se disse “indignado” com a 20ª operação policial na Saúde contra a gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Já o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) em 27.05 admitiu à imprensa a possibilidade de assumir um cargo no Ministério das Cidades do presidente Lula (PT), após concluir seu mandato na gestão municipal, no fim desse ano. Apesar das articulações, o chefe do Alencastro preferiu não aprofundar no assunto nesse momento.

Emanuel Pinheiro (MDB), que tem a máquina da Prefeitura na mão, já usou esse instrumento duas vezes para eleger seu filho, Emanuel Pinheiro da Silva Primo Teixeira, deputado federal Emanuelzinho que, atualmente, é vice-líder de Lula, na Câmara dos Deputados.

Em março a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, já confirmava o nome do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) como pré-candidato da sigla à Prefeitura de Cuiabá e como uma das prioridades entre as Capitais.

Fazendo uma leitura dessa conjuntura de fatos, não fica muito difícil chegar a uma conclusão de como as peças irão se movimentar nesse tabuleiro.

A tendência natural é de que tenhamos um segundo turno muito disputado entre duas forças que movimentam suas máquinas para apoiar seus candidatos: Governo Federal para o deputado estadual Lúdio e o Governo do Estado para o deputado estadual Botelho.

Será que teremos pela primeira vez na história democrática de Cuiabá uma vitória do PT em Cuiabá? Será esse, o cenário que não se viu ainda?

Eleição é igual nuvem, muda todo dia!

José Rodrigues Rocha Junior é advogado, jornalista, pós-graduado em Direito Constitucional, escritor, palestrante, consultor e conferencista.