Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026

ARTIGOS Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026, 16:29 - A | A

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2026, 16h:29 - A | A

Sirley Theis

Investimos em tudo, menos na voz que nos representa

Em um mundo cada vez mais voltado à imagem, seguimos negligenciando a comunicação que sustenta a verdadeira autoridade

Vivemos um tempo em que investir se tornou quase um reflexo automático. Investimos em estética, em roupas, em cursos técnicos, em marketing digital, em saúde e em performance física. Há uma busca legítima por evolução e aprimoramento. Ainda assim, um investimento essencial segue frequentemente em segundo plano: a comunicação.

A imagem costuma ser o primeiro cartão de visita. Ela antecede a fala, cria expectativa e projeta uma impressão inicial. Mas essa impressão só se sustenta até o momento em que começamos a falar. É na palavra, no tom, na clareza e na intenção que a percepção sobre quem somos, e sobre a autoridade que exercemos, se confirma ou se fragiliza.

Não se trata de falta de conhecimento técnico ou de preparo intelectual. Muitas vezes, trata-se apenas da ausência de um olhar mais consciente para a própria comunicação. Pessoas competentes, responsáveis e experientes podem sentir dificuldade em se expressar com segurança, especialmente sob pressão. E isso não é uma falha individual, mas um reflexo de uma cultura que ensinou a valorizar mais o parecer do que o comunicar.

Valorizamos tudo o que melhora a imagem externa, mas negligenciamos aquilo que sustenta a imagem interna. Investimos para parecer confiantes, mas nem sempre investimos para nos tornarmos comunicadores conscientes. Esquecemos que, em reuniões, entrevistas ou decisões coletivas, não é o cargo, a aparência ou o título que fala. É a voz. É a mensagem. É a capacidade de se fazer compreender, esclarecer e gerar confiança.

Quando falamos de oratória, ainda é comum reduzi-la a técnicas isoladas: postura, dicção, controle da respiração. Esses elementos são importantes, mas insuficientes. Existe uma dimensão mais profunda, que envolve consciência, intenção e coerência. Uma comunicação que nasce do alinhamento entre pensamento, emoção e discurso, aquilo que se pode chamar de oratória com alma.

Ao longo da vida pública e privada, aprendemos que a autoridade não se impõe apenas pelo cargo, mas pela capacidade de sustentar uma narrativa ética, clara e humana. A verdadeira liderança se revela na forma como alguém se comunica sob pressão, nos momentos de conflito, nas situações que exigem equilíbrio, firmeza e sensibilidade ao mesmo tempo.

Em ambientes de liderança, sejam eles públicos ou privados, a comunicação tem um papel estruturante. Ela organiza relações, alinha expectativas, fortalece vínculos e humaniza processos. Quando falha, não por intenção, mas por despreparo, surgem ruídos, desgastes e distanciamentos que poderiam ser evitados.

É importante reconhecer: todos estamos em processo. Em algum momento da vida, já sentimos insegurança ao falar, já hesitamos diante de uma exposição maior ou já percebemos que nossas palavras não produziram o efeito desejado. Reconhecer isso não diminui ninguém. Ao contrário, amplia a possibilidade de crescimento.

Investir em comunicação é investir em maturidade emocional, em responsabilidade social e em liderança consciente. É compreender que a palavra tem impacto, que a voz carrega valores e que a forma como nos expressamos influencia diretamente o ambiente que construímos ao nosso redor.

Talvez seja hora de ampliar o olhar sobre o que significa, de fato, investir em si mesmo. Porque, quando as circunstâncias exigem clareza, presença e humanidade, não é a aparência que sustenta relações, decisões ou projetos. É a voz, e a forma como escolhemos usá-la.

Sirlei Theis, é Palestrante, escritora, especialista em Desbloquear a Comunicação e transformar histórias, habilidades e experiencias em palestras e discursos que conectam, inspiram e vendem.

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