O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum iniciou, nesta quinta-feira (22), o julgamento de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, assassinada a facadas dentro da própria residência, na zona rural do município, em julho de 2024.
Durante o interrogatório, Rodrigo Xavier Mengarde optou por permanecer em silêncio. Já Romero negou participação no crime e afirmou desconhecer o motivo pelo qual o irmão o acusa de ser o mandante do homicídio. Em plenário, ele também alegou que teria sido agredido por policiais durante a investigação, versão contestada pelo Ministério Público.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Rodrigo é apontado como o executor do crime, enquanto Romero, ex-marido da vítima, responde como autor intelectual, acusado de planejar e ordenar a execução.
A sessão é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski e segue o rito previsto no Código de Processo Penal, com oitiva de delegados responsáveis pela investigação, testemunhas e familiares da vítima. O Conselho de Sentença é composto por sete jurados, responsáveis pela decisão final.
Investigação
O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou que a vítima foi surpreendida dentro da residência após o autor invadir o imóvel por uma janela. Segundo ele, Rodrigo confessou ter permanecido escondido no local aguardando a chegada de Raquel e desferido diversos golpes de faca após ser percebido.
As investigações apontaram tentativa de simulação de roubo, uma vez que apenas o quarto da vítima foi revirado. Vestígios de sangue, marcas de arrombamento e dados de telefonia confirmaram a presença do executor no local e permitiram a reconstituição do trajeto de fuga.
Ainda conforme a polícia, Rodrigo não mantinha qualquer vínculo com a vítima, o que reforçou a tese de execução a mando de Romero. Dados de celulares, registros de deslocamento e análises de conexões de internet sustentaram a acusação.
Depoimentos colhidos durante a investigação e confirmados em plenário indicaram um histórico de violência psicológica, controle e perseguição por parte de Romero contra a vítima. Testemunhas relataram que Raquel demonstrava medo e que, dias antes do crime, teria afirmado temer ser morta pelo ex-marido.
Os delegados também destacaram que a vítima estava sozinha na noite do crime e prestes a viajar, circunstâncias que, segundo a investigação, teriam facilitado a ação. A motivação, de acordo com a apuração, estaria relacionada à não aceitação do fim do relacionamento.
Depoimento da família
Em depoimento, a mãe da vítima, Sandra Cattani, relatou o momento em que encontrou a filha morta e falou sobre o impacto do crime na família. Ela reforçou que Raquel era uma mulher trabalhadora, dedicada aos filhos e que vinha sofrendo pressão psicológica constante.
Julgamento
O julgamento prossegue com a fase de debates entre acusação e defesa. Ao final, os jurados decidirão pela condenação ou absolvição dos réus.
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