Domingo, 15 de Março de 2026

CIDADES Domingo, 15 de Março de 2026, 07:34 - A | A

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CAST DO BOM

Roda de conversa no Cast de Bom aborda os principais sinais dos relacionamentos abusivos

Da Redação do O Bom da Notícia

Em entrevista esta semana ao Cast do Bom, podcast produzido pelo portal O Bom da Notícia, Débora Sander - referência no enfrentamento à violência contra a mulher -, após ter sido alvo de um relacionamento abusivo marcado por ameaças, perseguições e uma série de agressões, listou alguns sinais que podem ajudar outras mulheres a identificar  alguns tipos de violência de gênero. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 1 em cada 4 mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. Em mais de 60% dos casos de feminicídio, o agressor é companheiro ou ex-companheiro.

Personal trainer e lutadora de Muay Thai, Débora relembrou os primeiros sinais de que seu relacionamento era abusivo — comportamentos que muitas mulheres acabam interpretando como cuidado. “Os três primeiros meses ele é um cavalheiro, um gentleman, a melhor pessoa do mundo. Depois de três meses a máscara comumente cai. Mas o modus operandi é sempre o mesmo, primeiro te presenteia, te enche de atenção e quer, inclusive, te levar para morar com ele. Uma ação até para te afastar do seu ciclo de amigos. Aliás, ele quer te afastar de tudo. Na época, deixei deixei de morar com meu filho para morar com ele. E dentro do apartamento já começaram os sinais de diminuir você: diminuir a roupa, diminuir a sua profissão, falando ‘você é só uma professorinha’”, disse.

Débora destaca ainda que relacionamentos abusivos raramente começam com violência física. Na maioria das vezes, eles se constroem lentamente, por meio de controle, manipulação emocional e isolamento da vítima.

“Aí vem aquele negócio que você acha que está sendo cuidada, claro, depois vê que é uma pseudo-proteção. Está te levando, está te buscando, mas não, ele está realmente te controlando. Prova disto, que colocou no meu celular um aplicativo para me monitorar: via tudo que eu conversava e fazia”, ainda acrescentou.

Sander se tornou referência em uma luta sem trégua na Justiça contra o ex-companheiro, o investigador da Polícia Civil Sanderson Ferreira de Castro Souza, que chegou a ser condenado a 15 anos de prisão em regime fechado, após ser preso em 1º de setembro de 2024, por agressão e estupro. Contudo, em uma reviravolta judicial, uma nova decisão da Justiça de Mato Grosso reduziu a pena para 1 ano e 9 meses em regime aberto, após a reforma da decisão anterior.

À jornalistas Sander nunca escondeu que só não se tornou mais uma vítima, possivelmente até de feminicídio, diante de tantos casos registrados em Mato Grosso, porque decidiu dar visibilidade à sua dor. Buscando apoio em coletivos feministas e na imprensa.

Com a recente reviravolta judicial, a personal voltou a procurar os veículos de comunicação para falar sobre o medo e expor sua angústia após decisão da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, proferida em 10 de fevereiro deste ano. Ela conta que, no dia 11 de fevereiro, ao acordar e receber diversas notícias sobre a reviravolta judicial, sua rotina mudou e o medo voltou. Ainda assim, tem afirmado em diversas entrevistas que pretende recorrer às instâncias superiores. "O próximo passo será buscar o Superior Tribunal de Justiça (STJ)".

Débora também afirma não conseguir compreender a decisão tomada por três magistrados homens.“Nã o me importo mais de ser exposta. Não vou ficar esperando ele me matar”, tem declarado a personal, ressaltando que o ex-companheiro foi condenado não apenas por violência doméstica, mas também por outros dois crimes que correm em segredo de Justiça.

Ela ainda relembrou na roda de conversa da primeira agressão e afirma que o ex-companheiro tentou intimidá-la ao ameaçar seu filho. “A primeira agressão foi em uma viagem que a gente fez. Estávamos indo com a família dele. Quando ele estava dormindo, eu peguei o relógio do braço dele e apareceu uma mensagem de uma mulher. Eu acordei ele e falei: ‘te mandaram uma mensagem’. Aí começou aquela coisa: ele falava ‘você está louca, você está inventando’. Eu sei que aquele final de semana virou um inferno. No final a gente discutiu e ele me bateu. Depois ele pediu desculpas, mas já ameaçando e falando do meu filho, dizendo que se eu denunciasse eu sairia como a louca”, completou.

 

Outra convidada ilustre desta semana do podcast do O Bom da Noticia,  foi a jornalista Ângela Jordão, que esteve ao meu lado na bancada. Ângela tem 28 anos de experiência na área, atuando em redações de jornais, portais de notícias e, atualmente, com atuação mais marcada em assessoria de imprensa em órgãos públicos e privado

Sobre o Cast do Bom

O Cast do Bom é apresentado pela jornalista Marisa Batalha e leva o nome do portal - O Bom da Noticia -, buscando o movimento dos talk shows, das boas rodas de conversa, marcando belas pontuações nas redes sociais. A jornalista comandou desde 2018 a redação do portal e, igualmente, dirigiu diversos veículos de comunicação na capital mato-grossense, dentre eles o Jornal Folha do Estado, onde foi diretora por mais de 15 anos. Ela é ainda é mestra pela Universidade Federal de Mato Grosso, em Movimentos Sociais, Política e Educação, com pesquisa e defesa sobre a questão da violência e estupro, sob o olhar dos novos feminismos. Faz parte do coletivo Conecta 21 e é uma das fundadoras do Grupo Mulheres MT – Até Quando?

Veja o podcast na íntegra.

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