Quarta-feira, 12 de Junho de 2024

CIDADES Terça-feira, 25 de Agosto de 2020, 13:05 - A | A

Terça-feira, 25 de Agosto de 2020, 13h:05 - A | A

IMPACTO DAS QUEIMADAS

Sesc Pantanal defende união de esforços e harmonia entre todos os elementos do Bioma

O Bom da Notícia

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), a maior do país, localizada em Barão de Melgaço, foi criada há 24 anos pelo Departamento Nacional do Sesc, logo após a Eco-92, e é responsável pela conservação de 108 mil dos 6 milhões de hectares do Pantanal mato-grossense, o que representa quase 2% do território.

A iniciativa do Sesc em desenvolver um projeto de conservação resulta, nestas duas décadas, em mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal e em uma representativa biodiversidade da RPPN. Do total de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos na Bacia do Alto Paraguai, que totalizam 1.059 espécies, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN.

Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é área Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar. Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Para conservar toda esta área, o trabalho de prevenção contra os incêndios florestais, que têm sempre origem externa, acontece durante todo o ano, por meio de aceiros, monitoramento e campanha de conscientização com a população ribeirinha, feitos com a mais preparada brigada contra incêndios da região. Todo este trabalho de prevenção, porém, não foi capaz de superar a seca acentuada, baixa umidade do ar e ventos fortes que colaboram para o pior cenário dos últimos 22 anos no Pantanal brasileiro, conforme o Instituto Centro Vida (ICV).

O fogo que entrou na RPPN Sesc Pantanal, começou em área vizinha na divisa norte, no dia 2 de agosto. Desde o início, toda a estrutura de combate aos incêndios da reserva foi acionada para evitar a entrada desse foco na RPPN, mas o fogo avançou em uma extensa área da unidade de conservação em direção à divisa sul da reserva. Ao chegar na divisa sul, o fogo encontrou com outro incêndio que ocorria na Fazenda São Francisco do Perigara, desde o dia 30 de julho. O fogo que atingiu a fazenda teve início no dia 28 de julho, na Terra Indígena Perigara, vizinha da Fazenda e da RPPN Sesc Pantanal. A aldeia foi o ponto da primeira ação da Operação Pantanal II.

Todo o trabalho do Sesc Pantanal, neste momento, está concentrado em controlar o fogo, distante cerca de 100 km do ponto em que teve início os incêndios na Transpantaneira, em 16 de julho. Com equipamentos e brigadistas, o Sesc Pantanal integra a Operação Pantanal II, iniciada no dia 7 de agosto e realizada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), em parceria com Forças Armadas, Bombeiros e ICMBio. Mais que equipamentos e brigadistas, toda a estrutura de hospedagem e alimentação da operação, que reúne 100 pessoas, é custeada pela instituição.

Diante de tudo isso, sabe-se que não há um só incêndio no bioma. São centenas de focos de calor, nenhum deles iniciado dentro da RPPN, tampouco saído dela, como relatado equivocadamente nesta semana, durante a visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. As informações são inverídicas e não apontam soluções para a tragédia que assola o Pantanal, já que o fogo não atingiu somente a reserva, mas comunidades pantaneiras, indígenas e fazendas. Do total já queimado em Barão de Melgaço e Poconé, apenas 12% da área queimada corresponde a RPPN.

O Sesc Pantanal esclarece que, enquanto propriedade privada, optou que a RPPN seguisse o perfil primitivo do Pantanal, que não tem gado, porém, não questiona a atuação pecuária da região. Ao contrário, reconhece a importância econômica da prática. A instituição, portanto, não impõe seu modelo de gestão ambiental nem considera pertinente que outro modelo seja imposto para a RPPN, visto que se trata de áreas privadas. A reserva, as fazendas que praticam a pecuária, as comunidades tradicionais pantaneiras e indígenas são capazes de ocupar este território, que é patrimônio natural da humanidade, e conviver harmonicamente nele, com discussões que estejam amparadas no respeito, bom senso e dados verídicos emitidos pelos órgãos competentes.

Neste momento em que o bioma está em chamas, cabe a união de esforços para combatê-lo e, às instituições responsáveis, a identificação e responsabilização pelos princípios do fogo que, segundo o IBAMA/Prevfogo, em 98% dos casos têm origem em ações humanas.

Após a experiência deste ano, as práticas de manejo do fogo de todos os que vivem no e do Pantanal vão precisar ser revistas considerando a dinâmica do bioma. Na RPPN Sesc Pantanal, os estudos estarão voltados aos impactos do fogo para a fauna e flora, para a documentação das ocorrências e estudo de medidas preventivas cada vez mais eficazes, como o Manejo Integrado do Fogo com o devido amparo dos órgãos ambientais competentes.