Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026

POLÍTICA Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026, 12:00 - A | A

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TROCA DE ACUSAÇÕES

Maysa, Abilio e os R$ 4 milhões recebidos pela Lírios: entenda a briga entre os políticos

Prefeito questiona repasse federal ao Instituto Lírios, vereadora nega articulação política e afirma que entidade foi selecionada por chamamento público nacional.

Evelyn Souza/ O Bom da Notícia

Na última terça-feira (10), um embate entre a vereadora Maysa Leão (Republicanos) e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), na Câmara Municipal ganhou repercussão estadual após a troca de acusações entre os dois.

A discussão teve início quando Maysa interrompeu uma entrevista concedida pelo prefeito à imprensa, nas dependências da Casa de Leis. Na ocasião, Abilio fazia declarações sobre a ex-assessora da vereadora, Muriel Torres, que atualmente integra a diretoria do Instituto Lírios, entidade que há cerca de 12 anos presta assistência psicológica a mulheres vítimas de violência em Mato Grosso.

O prefeito afirmou que a instituição teria recebido cerca de R$ 4 milhões do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e questionou possível articulação política envolvendo a vereadora. Segundo ele, as informações estariam disponíveis no Portal da Transparência do instituto e poderiam ser consultadas por qualquer cidadão.

"O que eu perguntei foi: o Instituto Lírios é presidido ou liderado por uma coordenadora de campanha de 2022 da Maysa Leão? Ela afirmou que é. Sobre o fato que eu também comentei, de ter recebido R$ 4 milhões do Mapa — acho que foi isso ou um pouco mais do que isso —, está no Portal da Transparência do Instituto Lírios. Eu acho que qualquer um pode ir lá ver. E qualquer um pode questionar por que o Mapa, o Ministério da Agricultura, gastou R$ 4 milhões ou mais com o Instituto Lírios para fazer atividades no interior do estado de Mato Grosso", declarou.

Em resposta, Maysa confirmou que Muriel Torres foi sua coordenadora de campanha em 2022, antes de assumir função na diretoria do Instituto Lírios, mas negou ter articulado, junto ao ministro Carlos Fávaro (PSD), a destinação dos recursos. A vereadora afirmou que o valor foi obtido por meio de chamamento público nacional realizado pelo Ministério da Agricultura, no qual a entidade se inscreveu e foi selecionada.

Durante a discussão, Maysa destacou que o Instituto Lírios é uma das principais instituições de acolhimento a mulheres vítimas de violência no Estado e que já realizou mais de 30 mil atendimentos. Segundo ela, a entidade é reconhecida por órgãos como a Patrulha Maria da Penha e atua de forma regular.

"Você está falando da maior instituição de acolhimento de vítimas de violência no Estado de Mato Grosso. A presidente do Instituto Lírios se chama Muriel Torres. Ela não fazia parte do projeto do Mapa e não era do Instituto na época. A Lírios já atendeu mais de 30 mil crianças e mulheres. A Patrulha Maria da Penha envia pessoas para a Lírios. O Lírios é ilibado. Essa verba do governo federal é de um projeto que foi aberto no Brasil inteiro. A Lírios se inscreveu e ganhou", afirmou Maysa.

Em pronunciamento divulgado nesta quinta-feira (12), nas redes sociais da instituição, Muriel Torres afirmou que o convênio com o Ministério da Agricultura foi firmado após participação em edital público de abrangência nacional. De acordo com ela, o instituto ficou em nono lugar na classificação geral e foi contemplado para executar o chamado “Projeto das Rotas”, voltado ao apoio e à capacitação de pequenos produtores rurais.

Muriel também declarou que a instituição não possui vínculo financeiro com a Prefeitura de Cuiabá e que nunca recebeu recursos do município. Segundo ela, a prestação de contas é realizada junto aos órgãos competentes, incluindo o Governo Federal.

“Uma história de construção e de transformação de vidas, que não merece ser jogada no ralo por denúncias vãs. Aliás, denúncias essas que a Prefeitura de Cuiabá vem fazendo contra nós. E nós não devemos nada à Prefeitura de Cuiabá, pois nunca recebemos nem um centavo dela e nem nenhuma emenda parlamentar. Devemos, sim, não explicação, mas prestação de contas à Prefeitura de Várzea Grande e ao Governo Federal. Foi ao Governo Federal que, por meio do MAPA, participamos de um chamamento público, no qual concorremos com diversas instituições do Brasil inteiro e fomos classificadas em nono lugar para executar o Projeto das Rotas. O Projeto das Rotas leva conhecimento e transformação a pequenos produtores rurais do nosso Estado, que é o gigante do agro, mas que muitas vezes se esquece dos pequenos produtores”, declarou.

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