Sexta-feira, 06 de Março de 2026

JUDICIÁRIO Sexta-feira, 06 de Março de 2026, 08:12 - A | A

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OUTRO LADO

Produtor que denunciou fraudes na compra de grãos teria ameaçado matar 'criança de 4 anos'

Da Redação do O Bom da Notícia/Com Assessoria

O produtor rural Silvano dos Santos, proprietário da Nova Era Participações Ltda, cujas denúncias levaram à deflagração da Operação Agro-fantasma nesta quarta-feira (4), contra as empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria, supostamente por envolvimento em fraudes na compra de grãos na região oeste de Mato Grosso, responde a processos e já foi alvo de várias denúncias por uma prática que configura seu modus operandi: ameaças de morte e extorsão a fim de receber vantagens financeiras.

De acordo com a assessoria jurídica dos empresários, Silvano tem feito um assédio midiático e falsas denúncias contra os empresários Mário Sérgio Cometki Assis, Pedro Henrique Cardoso e Sergio Pereira Assis, ex-deputado estadual por Mato Grosso do Sul, donos da Imaculada, após um desacordo comercial que não foi resolvido por decisão dele próprio.

Ele aponta um suposto calote de R$ 70 milhões, quando na verdade foi proposto que ele recebesse um avião para amortização, além de garantia real que ultrapassa 20 vezes o valor, mas recusou. “Não quero patrimônio, quero dinheiro”, disse em resposta. Desde então, Silvano fez o que faz há anos: ameaças e extorsão.

Pedro Henrique Cardoso trouxe a público um áudio de Silvano, onde o produtor faz várias ameaças de morte e chega ao absurdo de dizer que “arrancaria a cabeça” da filha de Pedro, uma menina de apenas 4 anos de idade. Em outra ocasião, afirmou: “mastigo o coração dela, para você ver antes de morrer”. Desde que recebeu o áudio, Pedro encerrou as negociações amigáveis para solução do desacordo comercial e procurou a via judicial. E na última semana, obteve medida protetiva para si e para a família, ou seja, Silvano está proibido de se aproximar de qualquer um deles após as graves ameaças de morte.

Mas o caso não é isolado. Após virem à tona as ameaças de Silvano, outros produtores entraram em contato e expuseram boletins de ocorrência que registraram contra o produtor pelos mesmos motivos: extorsão e ameaças de morte. Em um dos casos, um boletim de ocorrência registrado em Sorriso, em agosto de 2025, narra situação extremamente parecida com o desacordo entre Silvano e a Imaculada Agronegócios Ltda.

“(...) Relata que seu filho realizou um negócio de três colheitadeiras na divisa com a Bolívia com o suspeito Silvano. Relata que seu filho não honrou os compromissos, mas o comunicante, juntamente com seu filho, tenta acertar os compromissos. Relata que já informou que devolverá as colheitadeiras, porém, relata que o suspeito quer revisão das máquinas com preços exorbitantes. Relata que o suspeito não aceita nenhuma proposta e ameaça de morte a todo momento o comunicante e seu filho”, diz o registro.

O mesmo modus operandi aparece em outro boletim de ocorrência, registrado em Comodoro, em 2013, reiterando ser uma prática usada por Silvano dos Santos há anos. Na ocasião, a vítima afirmou que possuía uma dívida com o produtor e que há muito tempo tentava negociar o pagamento, mas sem nunca chegar a um acordo. Então, passou a ser vítima de ameaças e chegou a ser “visitado” por um suposto capanga.

“O comunicante diz que nunca negou que tem a dívida, porém Silvano não aceita as propostas feitas. Que na data e hora acima citadas, vulgo ‘Sapateiro’, esteve no estabelecimento do comunicante dizendo que estava a mando de Silvano para cobrar a dívida e que se em 30 dias o mesmo não quitasse a mesma, iria matá-lo”, narra a ocorrência.

(Foto: Ilustração/O Bom da Noticia)

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O mesmo tipo de atuação foi exposto também por Pedro, em um vídeo que gerou forte repercussão. Silvano tende a encerrar negócios, não aceita devoluções e tenta tirar vantagem financeira, colocando “juros sobre juros”, por exemplo.

“Juros abusivos, juros sobre juros e atualizações da dívida que faziam crescer algo que nós nem havíamos contratado. Além disso, começaram a surgir possíveis lucros cessantes de coisas que nunca havíamos contratado, e que faziam o valor da dívida ser cada vez mais alto. Em diversos momentos, sentíamos que havia uma tentativa constante de aumentar artificialmente a nossa dívida”, relatou.

Segundo Pedro, durante a relação comercial houve divergências, inclusive sobre produtos que teriam sido entregues fora do padrão contratado, o que teria gerado pedidos de desconto que não foram aceitos por Silvano. Ele afirma ainda que o grupo foi pressionado a assumir multas relacionadas a trocas de notas fiscais que classifica como irregulares, além de apresentar valores de caução considerados desproporcionais.

Em outro caso, Silvano ameaçou e mandou capangas agredirem dois jornalistas de um portal de notícias de Comodoro, em maio de 2023. Segundo relato registrado na Polícia Civil do município, Silvano dos Santos teria atraído dois repórteres de um site local para um encontro sob o pretexto de fazer uma retratação sobre um áudio. No local, ele e outros quatro homens teriam rendido os jornalistas e tentado colocá-los à força em uma caminhonete, afirmando que os levariam a um escritório para “acertar as contas”.

Um dos repórteres tentou fugir, mas foi perseguido e ameaçado por um dos envolvidos, enquanto o outro era segurado. Durante a ação, Silvano ainda teria desferido socos nas costas de uma das vítimas. A tentativa de levar os jornalistas à força foi interrompida após a intervenção de um policial civil que estava nas proximidades, que sacou a arma e conseguiu libertar os repórteres.

(Foto: Ilustração/O Bom da Noticia)

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A reportagem teve acesso ao total de 11 boletins de ocorrência contra Silvano dos Santos, todos por ameaça e/ou coação, em vários municípios. A Imaculada Agronegócios Ltda, representada por Mário Sérgio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso, já entrou com dois processos contra Silvano dos Santos: por extorsão e ameaça. Foi a segunda ação que resultou nas medidas protetivas de urgência e está em tramitação. Já o processo por extorsão está concluso para decisão, no Juizado Especial Criminal de Cuiabá.

ENTENDA

A Operação Agro-Fantasma foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso e cumpriu ordens judiciais contra empresas ligadas à agropecuária e supostamente envolvidas em fraudes na compra de grãos na região oeste do Estado. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.

OUTRO BOLETIM:

(Foto: Ilustração/O Bom da Noticia)

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