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POLÍTICA NACIONAL Quinta-feira, 15 de Junho de 2023, 18:33 - A | A

Quinta-feira, 15 de Junho de 2023, 18h:33 - A | A

Indicação para embaixada na Romênia é aprovada na CRE

Agência Senado

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quinta-feira (15) a indicação do diplomata Ricardo Guerra de Araújo, ministro de primeira classe, para a chefia da embaixada brasileira em Bucareste, capital da Romênia.

Na sabatina, Guerra destacou o fato de a Romênia possuir uma posição crítica em relação à Rússia, especialmente após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. Lembrou que se trata de nações vizinhas. Acrescentou que a Romênia tem defendido "de forma incondicional", em todos os foros internacionais onde atua, que a Ucrânia deve ser reconhecida "em toda sua grandeza territorial", incluindo a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. O diplomata enfatizou que a tensão geopolítica na região fez a Romênia se aproximar ainda mais dos EUA e reforçar seus laços com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aumentando também de forma significativa seus investimentos em defesa.

A Romênia é hoje um dos mais críticos da Rússia dentro da ONU e no âmbito do Tribunal Penal Internacional. Vem apoiando as sanções econômicas para isolar Moscou no cenário internacional, praticamente desde o início do conflito com a Ucrânia. A Romênia também fornece importante apoio à Ucrânia, acolhendo refugiados, prestando ajuda energética e humanitária bastante relevante à nação vizinha, além de já ter facilitado o transporte de 13,5 milhões de toneladas de grãos da Ucrânia para o resto do mundo — informou Guerra.

O diplomata também abordou o reforço da presença militar da Otan em território romeno, sendo hoje o flanco mais oriental da organização na Europa.   O incremento no orçamento de defesa subiu de 2% para 2,5% do PIB romeno, chegando a US$ 5,5 bilhões anuais.

Relações Brasil-Romênia

O relatório pela indicação de Guerra foi feito pelo senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) e apresentado por Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O diplomata ingressou nos quadros do Itamaraty em 1984. Apresentou em 2006 e obteve aprovação com louvor, no âmbito do Instituto Rio Branco, de sua tese "As Ambições Normativas e a Estratégia Comercial da União Europeia em Negociações de Acordos Preferenciais de Comércio: o Caso do Mercosul".

Entre suas funções na carreira diplomática, foi chefe do setor econômico da embaixada em Praga (Tchecoslováquia), de 1992 a 1995; coordenador das Negociações Comerciais Interregionais Mercosul-EU na Delegação Permanente junto a Comissão Europeia em Bruxelas (Bélgica), de 2002 a 2003; chefe dos setores econômico e OCDE na embaixada em Paris (França), de 2008 e 2014; encarregado de negócios e ministro-conselheiro na embaixada em Sófia (Bulgária), de 2014 a 2017; embaixador em Abuja (Nigéria) desde 2018.

O relatório também abordou o estágio atual das trocas comerciais entre os dois países. 

Nos últimos anos, o comércio bilateral Brasil-Romênia tem oscilado entre aproximadamente US$ 520 milhões e US$ 750 milhões, registrando sempre superávit para o Brasil. Em 2022, o fluxo chegou a US$ 746,9 milhões: exportamos US$ 401 milhões e importamos US$ 346 milhões. Nossas exportações concentram-se em derivados da soja informou Alessandro, no relatório lido por Mourão.

Com base em dados fornecidos pelo Itamaraty, o relatório da CRE indica que o Brasil tem potencial para aumentar as exportações de petróleo e gás natural para a Romênia. Também há espaço para o crescimento de investimentos em áreas como tecnologia da informação, infraestrutura, aeronaves, mineração, metalurgia, energia renovável, indústria farmacêutica e setor agropecuário. Segundo o relatório, é preciso dar prioridade para a cooperação em áreas que a Romênia apresenta "padrão de excelência", como tecnologia da informação e transição digital.

A indicação de Ricardo Guerra segue agora para a análise do Plenário do Senado.

Subcomissão sobre defesa cibernética,

A pedido do senador Esperidião Amin (PP-SC), a CRE também aprovou a criação de uma subcomissão voltada ao acompanhamento do setor de defesa cibernética brasileiro. Essa subcomissão será formada por 3 senadores e deve iniciar seus trabalhos assim que os partidos encaminharem suas indicações para que seja instalada.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado