O presidente do Sindicato dos Servidores da Área Meio do Poder Executivo de Mato Grosso (Sinpaig-MT), Antônio Wagner, divulgou um relato detalhado sobre uma série de perseguições e assédio judicial que ele e o sindicato vêm sofrendo após denunciar o que ele chama de "máfia dos consignados” ou "escândalo dos consignados". Os relatos foram publicados pela primeira vez na última terça-feira em vídeo na rede social.
No vídeo, Wagner relata diversas ações judiciais contra ele, tentativas de silenciamento por parte de uma entidade sindical que contratou o advogado de uma empresa de consignados, além de uma agressão sofrida por uma integrante desta entidade sindical, que teria jogado um copo de água em seu rosto. O sindicalista também narrou ter sofrido tentativas de intimidações de pessoas próximas ao governo estadual em vários momentos em que denunciou as fraudes.
Segundo Wagner, as intimidações começaram no dia de uma assembleia geral de servidores, com a presença de um diretor de uma empresa de empréstimos consignados e um coronel da Polícia Militar reformado, que já foi ex-secretário do governador. O presidente do Sinpaig-MT interpretou o ato como uma "tentativa de intimidação", mas afirmou que não se calou e não permitiu a participação deles na assembleia.
Após a publicização das denúncias, Antônio Wagner relatou ter sofrido três interpelações criminais em nome da Capital Consig , assinadas pelo advogado Nelson Willians,que é investigado pela Polícia Federal em escândalos do INSS. Um ex-secretário do governador Mauro Mendes, quando este foi prefeito de Cuiabá, também assina essas interpelações.
Além disso, Wagner está respondendo a uma ação de indenização por danos morais movida pelo secretário de Gestão e Planejamento, Basílio Bezerra. O presidente do sindicato afirma que Bezerra "tem se incomodado com as nossas denúncias e a nossa explicação de que a responsabilidade habilidade técnica, administrativa, funcional é do secretário".
Ainda de acordo com Wagner, Basílio Bezerra, "se valendo do Ministério Público Estadual, se valendo do cargo de secretário que ocupa, para fazer com que o Ministério Público Estadual me denunciasse por injúria e difamação em outra ação, agora criminal, que eu estou respondendo". Ele solicitou dilação de prazo para apresentar as defesas.
O presidente do Sinpaig-MT enfatiza que essas ações são uma resposta às denúncias do esquema de fraude nas consignações e à busca pela responsabilização dos agentes públicos envolvidos.
Ataques internos
Antônio Wagner também mencionou ataques internos, vindos de uma "parte muito pequena do movimento sindical". Ele relatou ter sofrido uma campanha de difamação e uma ação judicial que o impede de participar ativamente de atos em nome do sindicato. Ele destacou que a instituição que o ataca e processa contratou como advogado o mesmo que assinou petições em nome de uma empresa de consignados.
“Estranhamente, esse pessoal dessa instituição sindical que contratou o advogado da desta instituição financeira que opera consignados, busca com essa ação aquilo que tanto a empresa, quanto o governo vem tentando, que é nos silenciar, nos intimidar, nos emparedar", afirmou.
“Na denúncia que me fizeram, quem foi agredido fui eu e até hoje a delegada não ouviu as minhas testemunhas em mais de três meses e mesmo assim tem pedido reiteradas ações contra mim que me impedem de participar ativamente do movimento sindical", diz o presidente do Sinpaig.
Wagner também alertou sobre o PLC 06, protocolado pelo governo na Assembleia Legislativa, que ele descreve como uma "lei da mordaça". Segundo ele, ao tentar restringir a atuação dos sindicatos limitando à licença classista, o governo tenta calar aqueles que denunciam irregularidades no governo.
Wagner citou o caso da Dra. Cristiane Vaz, ex-chefe do Procon, também sofreu com assédio judicial. Ele informou que o Ministério Público arquivou o pedido de sindicância, de uma empresa contra ela, após a servidora coordenar uma auditoria que revelou fraudes em contratos de empréstimos consignados.
“É bom dizer que não vão nos calar, não vão nos intimidar e este vídeo é mais uma tentativa de expor toda essa busca de nos silenciar, de silenciar o nosso sindicato que tem feito um trabalho brilhante com a nossa diretoria, presente em tudo que eu faço. Então, gente, é isso. Isso é um vídeo de denúncia. Não vão nos silenciar”, declarou Antônio Wagner.
RECEBA DIARIAMENTE NOSSAS NOTÍCIAS NO WHATSAPP! GRUPO 1 - GRUPO 2


