Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026

ARTIGOS Terça-feira, 13 de Janeiro de 2026, 11:54 - A | A

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Ednaldo Anthony Jesus e Silva

Janeiro Branco destaca o papel do farmacêutico no cuidado à saúde mental

A campanha Janeiro Branco chama a atenção da sociedade para a importância da saúde mental, tema que tem ganhado cada vez mais relevância diante do aumento expressivo de casos de depressão, ansiedade e síndrome de Burnout. Nesse cenário, o farmacêutico desponta como um profissional essencial na rede de atenção psicossocial, contribuindo diretamente para a segurança dos tratamentos e para a qualidade de vida dos pacientes.

Muito além da dispensação de medicamentos, o farmacêutico clínico atua de forma estratégica nos serviços de saúde mental, especialmente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Seu trabalho envolve orientação qualificada, acompanhamento farmacoterapêutico e acolhimento, garantindo que o paciente compreenda corretamente o tratamento prescrito e se sinta apoiado durante todo o processo de cuidado.

Um exemplo prático dessa atuação está no uso do carbonato de lítio, medicamento amplamente utilizado como estabilizador de humor e que exige monitoramento rigoroso devido à sua estreita margem de segurança. O acompanhamento atento do farmacêutico permite identificar sinais iniciais de toxicidade, como tremores e confusão mental, possibilitando intervenção precoce junto à equipe médica e evitando complicações graves ou internações desnecessárias.

Amparado pela Lei nº 13.021/2014, que reconhece a farmácia como estabelecimento de saúde, o farmacêutico exerce papel fundamental na segurança do uso de psicofármacos. Esse controle é ainda mais relevante no caso de medicamentos sujeitos à Portaria nº 344/1998 da Anvisa, como os benzodiazepínicos, a exemplo do clonazepam e do diazepam, que apresentam elevado risco de dependência física e psíquica.

A ausência de acompanhamento profissional adequado aumenta significativamente as chances de automedicação, uso incorreto ou interrupção abrupta do tratamento, fatores que podem agravar quadros psiquiátricos e gerar crises mais severas. Nesse sentido, a atuação do farmacêutico contribui diretamente para a continuidade e a efetividade da terapia.

Além dos benefícios clínicos e humanos, a presença do farmacêutico nos serviços de saúde mental também representa economia para o Sistema Único de Saúde (SUS). A adesão correta ao tratamento ambulatorial reduz a necessidade de internações psiquiátricas de urgência, aliviando custos e ampliando a eficiência da rede pública.

Mais do que números, trata-se de proteger vidas. O farmacêutico, ao estabelecer vínculo com o paciente, torna-se um importante elo de apoio, ajudando a reduzir riscos associados ao sofrimento psíquico intenso e à dependência química. Valorizar esse profissional é investir em cuidado, prevenção e na promoção da saúde emocional da população.

*Ednaldo Anthony Jesus e Silva é farmacêutico clínico, professor universitário e conselheiro regional de farmácia (CRF-MT). Atua na rede pública de Várzea Grande, no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD).

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