Domingo, 31 de Agosto de 2025

ARTIGOS Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2022, 09:52 - A | A

Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2022, 09h:52 - A | A

Bárbara Lenza Lana

Inteiros e sempre pela metade

De tudo o que há de mais incompreendido e buscado em nós, destaca-se o amor, aquele erótico, o suposto encontro de almas que enchem nossos estômagos de borboletas e dizem, não se explica.

Conforme Platão, 'os seres humanos foram criados originalmente com quatro braços, quatro pernas e uma cabeça com duas faces. Temendo o poder do ser em sua completude, Zeus nos dividiu em duas partes distintas, condenando-nos a passar a vida em busca da nossa metade."

Há muito existimos como se fôssemos "metades de laranja" ou "alma gêmea" de uma alma que desconhecemos, justamente pelo fato de que, nos acreditando incompletos, seguimos totalmente alheios a quem verdadeiramente somos.

A busca pela nossa verdade real é turbada pela angústia decorrente da sensação de mutilação que, no nosso imaginário, só encontra a cura num grande amor.

Por razões que não sabemos explicar, o 'eu' passa a ser nosso 'nós', e nosso sentir é tomado pela sensação da tão rara paz!

Mas, afinal, o que é o amor? – questionamos, sem compreender os motivos pelos quais somos amados e por quais motivos nos permitimos amar.

É fato que nessa busca pelo outro que jamais irá nos completar, eis que somos seres inteiros, temos perdido a mão!

Em tempos de aplicativos, de corpos à mostra como bifes expostos nas vitrines, tempos líquidos, o medo de sofrer a dor da falta nos tem conduzido ao revezamento de paixões que culminam numa imensa bagunça dentro de nós.

Na tentativa de nos fazer amar, abafamos o riso, escondemos os nossos dentinhos tortos, camuflamos nossas belezas nas sardas que teimamos em esconder e que, coexistindo, terminam por, furtivamente, chamarem a atenção de um par de olhos que se torna nosso, somente nosso!

Das verdades universais, uma é que dos encontros furtivos que se formam as lindas histórias de amor, que causam riso, cura, lealdade, cuidado, companheirismo, admiração!

Por razões que não sabemos explicar, o 'eu' passa a ser nosso 'nós', e nosso sentir é tomado pela sensação da tão rara paz!

Temos panetones nos mercados, o que nos remete às listas de decisões!

Sugiro que neste ano, tiremos um tempo para nos recordarmos sobre nossa comida preferida, que tipo de música alegra a nossa alma, qual o limite do nosso Eu para a garantia do nosso bem estar?

Que possamos gozar do nosso direito ao tempo suficiente para conhecer a pessoa com quem misturar nossos corpos, dividir o nosso tempo de qualidade, nossos sonhos, nossas dores, nossas alegrias, nossos sistemas!

Amar é uma decisão, acompanhada de uma atitude.

Só ama quem se ama.

Bárbara Lenza Lana é avogada para Mulheres. Líder do Comitê de Combate à Violência Contra Mulheres e Meninas do Grupo Mulheres do Brasil- Núcleo Cuiabá