O cinema brasileiro enfrenta muitos problemas que vão desde a falta de apoio popular até a dificuldade de investimento, mas isso não nos deixa para trás. Mesmo nossas produções de baixo orçamento mostram uma qualidade e um cuidado inimagináveis, e é nesse cenário que podemos inserir o filme Prédio Vazio, disponível no Globoplay.
Dirigido por Rodrigo Aragão, conhecido por filmes como Fábulas Negras, A Noite do Chupacabra e Mar Negro, e produzido pela Fábulas Filmes, o longa conta com um elenco composto por Gilda Nomacce, que atuou em Quando Eu Era Vivo, As Boas Maneiras e Ausência; Rejane Arruda, de Carandiru e As Órbitas da Água, além da novela O Cravo e a Rosa; Caio Macedo, presente em Ruas da Glória, Cemitérios das Almas Perdidas e Pedágio; além de Lorena Corrêa, Leonardo Magalhães, entre outros.
O filme se passa na cidade de Guarapari, no Espírito Santo, e utiliza uma característica muito peculiar da cidade como arco principal de sua história. Guarapari é um destino turístico conhecido por suas belas praias, porém os prédios e locações ao redor tendem a ficar vazios durante boa parte do ano, lotando apenas nos períodos festivos, principalmente de novembro a fevereiro. É nesse cenário que a narrativa se desenvolve. Luna, interpretada por Lorena Corrêa, viaja para a cidade em busca de sua mãe, que desaparece misteriosamente após o Carnaval. Durante a investigação, a jovem chega a um prédio antigo onde supostamente sua mãe esteve hospedada e lá conhece Dora, vivida por Gilda Nomacce, a zeladora do local, que aceita ajudá-la, mas a alerta de que o prédio é assombrado.
Uma breve apresentação da premissa é suficiente para evitar muitos spoilers. O filme possui uma fotografia muito bonita, embora o jogo de câmera deixe um pouco a desejar. Entende-se que, por se tratar de uma produção independente, algumas limitações tenham existido, mas nada que comprometa excessivamente a experiência. O que senti falta, particularmente, foi de um uso mais elaborado de efeitos especiais. A maquiagem está no ponto certo, porém efeitos mecânicos só funcionam bem quando tudo está perfeitamente alinhado. Sou do time Tim Burton, que prefere efeitos práticos por tornarem a experiência mais realista e por ajudarem na interpretação dos atores, que não precisam contracenar com o nada. Ainda assim, certas cenas que deveriam ser mais assustadoras acabam lembrando antigas pegadinhas do programa do Silvio Santos.
Como exemplo, logo no início do filme, uma das primeiras aparições de um fantasma mostra um poltergeist se arrastando debaixo da cama e depois pulando de forma pouco convincente. Ver o ator engatinhando no canto da parede beira o ridículo. Acredito que essa cena pedia algum tipo de efeito visual, talvez algo no estilo de A Freira, naquela sequência em que vemos apenas a silhueta caminhando pelas paredes até o susto final. Em resumo, a experiência de terror poderia ter sido melhor trabalhada.
Como grande fã de filmes de terror, achei o plot um pouco óbvio. Assisti a muitas temporadas de American Horror Story e, assim que percebi onde a história se passaria, já imaginei o que aconteceria, e de fato aconteceu. Ainda assim, o roteiro previsível é compensado por diálogos interessantes e boas interpretações. Os atores entregam carisma e emoção, sendo possível sentir o desespero de uma filha em busca da mãe, a preocupação de uma mãe com a filha envolvida naquela situação e a presença de uma zeladora misteriosa, mas bastante convicta em tudo o que diz.
Sobre a trilha sonora, destaco o Hino de Guarapari, que toca repetidas vezes ao longo do filme, reforçando que aquela história só faz sentido por acontecer ali. A premissa dos prédios ficarem vazios durante grande parte do ano é fundamental para o desenvolvimento da narrativa. Apesar de a cidade não receber tanto destaque visual, aparecendo poucas vezes e quase sempre em ângulos fechados da Praia do Morro, a história realmente se justifica naquele cenário.
Por fim, posso afirmar que Prédio Vazio é, sim, um bom filme. Não é dos melhores, mas estamos falando de uma produtora independente, e não se pode cobrar uma produção em nível Netflix ou Globo. Vale lembrar que até grandes estúdios cometem erros. Ainda assim, recomendo o filme para uma noite dedicada ao terror, sendo uma boa escolha para incluir na sua sessão.
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